A Bússola de mergulho

Foto: Divulgação TUSA

A bússola é um dos mais antigos instrumentos desenvolvidos pelo homem. Na sua forma mais simples é composta por uma agulha magnética apoiada sobre um pino ou água que permanece sempre alinhada com o campo magnético da terra, indicando seu eixo norte-sul.

As primeiras referências a ela aparecem em uma enciclopédia chinesa do ano 1040, quando a bússola era utilizada por adivinhos para prever o futuro. Embora tenha sido descoberta pelos navegadores europeus por volta do século XIII, foi apenas a partir do século XIV que ela ganhou popularidade com a invenção da rosa-dos-ventos, uma marcação dos quatro pontos cardiais (norte, sul, leste e oeste) e suas subdivisões em uma placa sob a agulha magnética.

A rosa-dos-ventos permitia aos navegadores determinar não apenas a direção geral com relação ao norte, mas também o acompanhamento frequente do curso e a determinação da posição com o auxílio de pontos de referência em terra. Guiados por ela os grandes navegadores europeus ousaram aventurar-se mais longe, o que culminou com a descoberta do novo mundo no final do século XV.

As bússolas de mergulho são extremamente simples, sendo em geral compostas por uma agulha magnética presa a um disco plástico. O disco é apoiado em um eixo e contém as marcações dos pontos cardiais, com subdivisões a cada 30º. O conjunto é montado em uma caixa estanque cheia de algum tipo de óleo viscoso destinado a amortecer o movimento do disco. A caixa é dotada de uma coroa móvel com catraca e uma linha que permite o alinhamento da bússola com o movimento do mergulhador (curso) – a chamada linha de navegação.

A coroa é marcada de 0º a 360º e conta com pequenos indicadores destinados a marcar a posição da agulha magnética. Praticamente todas as bússolas permitem a leitura do curso pela parte superior, mas algumas possuem também uma pequena janela lateral que facilitam a navegação sem que o mergulhador tenha que sair da posição de natação.

Algumas características diferenciam os melhores modelos: tamanho (em geral quanto maior for o disco e suas marcações, melhor a precisão), display fluorescente (que permita ler as principais marcações com pouca luz), sensibilidade à inclinação (a agulha não trava mesmo quando a bússola está fora da posição horizontal) e local de uso (no pulso, no console ou em uma prancheta de navegação), sem falar na resistência à corrosão e na facilidade de uso (você consegue movimentar a coroa usando luvas ?).

Seu uso exige alguma habilidade e nunca é demais lembrar que a leitura pode ser afetada pela presença de metais ferrosos, como equipamentos de aço (cilindros, facas, etc.), naufrágios ou depósitos naturais. Após o mergulho a bússola não requer muitos cuidados: basta lavá-la com água doce corrente para evitar o acúmulo de sal sob a coroa, o que pode prejudicar sua movimentação. Além disto, evite expor a bússola ao calor ou a impactos fortes. O calor pode fazer com que o óleo do interior se expanda e vase, enquanto que choques mais fortes podem soltar a agulha de seu eixo.

Pedro Paulo Cunha
É engenheiro naval e atua na área de informática desde 1981, sendo atualmente responsável pela área de sistemas de um banco. Começou no mergulho autônomo em 1983, e iniciou sua carreira de instrutor em 1984. É instrutor PDIC, NAUI e SSI e instructor trainer TDI. É credenciado em diversas especialidades, desde Mergulho sob o Gelo (PADI e NAUI) a mergulho com misturas / Trimix (TDI) e é autor de cursos de especialidades NAUI. Escolheu o mergulho técnico e equipamentos avançados de mergulho como área de especialização, tendo também, um grande interesse em história do mergulho, sendo o único membro brasileiro da Historical Diving Society. É responsável pelas atividades da Tech Diving em São Paulo.