Bahamas – Um destino especial para os brasileiros

Foto: Stuart Cove´s

Você já ouvi falar das Bahamas ?

Praticamente 100% das pessoas certamente irão dizer que sim, assim com eu, mas após uma visita a Nassau, capital das Bahamas e localizada na ilha denominada New Providence, cheguei à conclusão de que as Bahamas vão muito além do que se imagina.

Quando falamos em águas caribenhas, sempre imaginamos pontos de mergulho com água clara, quente e peixes coloridos, mas mergulhar nas Bahamas, é muito mais que isso.

Pensando no que encontraria por lá além do tradicional e famoso mergulho com os tubarões, aproveitamos a oportunidade oferecida pelo ScubAAClub da American Airlines, e eu e outros brasileiros embarcamos para as Bahamas este ano.

No que diz respeito ao ScubAAClub, é um programa destinado aos mergulhadores, cujo objetivo, é beneficiar a viagem para mergulho com tarifas aéreas reduzidas, quando adquirida em conjunto com pacotes turísticos promovidos pelas operadoras de viagem.

As Bahamas e sua história

As Bahamas são um arquipélago com 26 mil Km², estendendo-se por mais de 800 Km. Com 700 ilhas, incluindo pequenas ilhas desabitadas e grandes rochedos, totalizam uma área de terra firme estimada em 14 mil Km², com o ponto mais elevado a 62m apenas, e uma população estimada em 300 mil habitantes.

Em 1492, Cristóvão Colombo chegou na ilha de San Salvador, no leste das Bahamas, e após observar o mar raso ao redor das ilhas, ele disse “baja mar” (mar raso) e efetivamente batizou a área de Bahamas, ou Ilhas do Mar Raso. Como as ilhas estão próximas da Flórida, nos Estados Unidos, era rota de navegação e chamaram a atenção dos exploradores, colonos, invasores e mercadores, que acabaram moldando a história do arquipélago. Atualmente são 14 ilhas principais, com uma magnífica estrutura turística.

Viagem

Malas prontas e despachadas, lá fomos nós em um vôo noturno tranquilo até a cidade de Miami nos Estados Unidos, onde chegamos pela manhã. Imigração feita e uma hora passada, embarcamos para Nassau, chegando alguns minutos depois. A belezas naturais do arquipélago já podiam ser vistas em pleno vôo, face o mar raso e águas transparentes. Afinal, são águas caribenhas…

Em uma rápida imigração no aeroporto de Nassau, pois os brasileiros não precisam de visto, embarcamos num ônibus que nos levaria ao hotel Sheraton Nassau, onde chegamos 15min depois. Check-in realizado e como os mergulhos seriam no dia seguinte, o que poderíamos fazer ?

Essa resposta nos veio facilmente com a belíssima paisagem em frente ao Sheraton. Uma magnífica praia particular do hotel, em meio ao sol escaldante, com um mar maravilhoso à frente e enormes piscinas. Basicamente, todos os hotéis estão localizados nas praias, variando em tamanho e número de estrelas.

Mergulhos

Já no dia seguinte e após um grandioso café da manhã, os ônibus do centro de mergulho Stuart Cove´s chegam ao hotel para buscar os mergulhadores e levá-los até a operadora. Saindo do hotel, passamos por belíssimas paisagens, praias e residências. Ruas e estradas em excelente estado de conservação e bem sinalizadas. Realmente um lugar paradisíaco. Não é à toa, que dezenas de filmes de Hollywood foram gravados nas Bahamas.

Alguns minutos se passam e chega-se a um dos centros de mergulho mais conhecidos do mundo, o Stuart Cove´s, que possui características que vão muito além do mergulho com tubarões.

Você lembra do seriado com o golfinho chamado “Flipper” ?

Chegando na operadora, você lembra de cara do local. O Stuart Cove´s de propriedade do mergulhador Stuart Cove, foi criada no antigo set de filmagens do seriado Flipper, onde inclusive, a pequena casinha de madeira do guarda do parque, é mantida para que os visitantes possam conhecê-la.

A operadora do Stuart ficou famosa por atuar em diversos filmes, como por exemplo, dois filmes da série 007, Mergulho Radical, Mar Aberto, Cocoon, Splash, além de muitos outros. Na operadora, há uma parede com dezenas de fotos do Stuart com celebridades de todo o mundo, afinal de contas, são mais de 30 anos operando nas Bahamas, tornando a operadora famosa mundialmente por sua atuação no mercado internacional, excelente qualidade em serviços, além dos tradicionais mergulhos para alimentar os tubarões.

Com toda essa história em mente e lembrando dos tempos de criança, lá fomos nós para uma das grandes embarcações de mergulho da operadora. Alguns membros da equipe foram buscar roupas, coletes e reguladores, e lá fomos nós para o mar. A navegação não dura mais que 5 minutos, e nos equipamos ainda com o barco parado na operadora. Rapidamente chegamos no primeiro ponto de mergulho. No geral chega-se em todos os pontos em apenas 5 a 10min. Os pontos mais distantes da ilha ficam a 15min de navegação, sendo um conforto à mais aos que costumam a passar mal com a navegação.

Ao cair na água, é realmente de assustar… a visibilidade era absurdamente grande. Nos pontos de naufrágios, o mergulhador consegue observar o naufrágio por inteiro da superfície. Em locais como Steel Forest onde há três naufrágios no mesmo ponto, é possível enxergar os três ao mesmo tempo !

Será que chegava a 100m de visibilidade ?    Dizem que não, mas sinceramente, não sei dizer. Só sei que em dado momento estava no meio dos três naufrágios e podia vê-los por completo.

Basicamente os mergulhos por lá, ocorrem em profundidades variando entre 10 e 25m, podendo ir mais fundo nos paredões. A temperatura gira em torno dos 21 aos 28ºC, variando conforme a época do ano. Por lá você verá uma variada e grande vida marinha, com dezenas de tipos de corais, peixes e pequenos seres. Em um mesmo mergulho, encontramos arraias, tartarugas, moréias, enguias de areia, peixes multicoloridos e pequenos seres que os fotógrafos-sub com suas lentes macro e close-up fazem a festa. Eventualmente aparece algum tubarão de recife que chega nas proximidades, olha e vai embora, nos ignorando.

Na região em que estivemos, existem mais de vinte naufrágios, sendo alguns naturais e a maioria, artificial. Alguns deles de sucesso, como os dos do 007 e um do filme Mergulho Radical. É uma gostosa sensação mergulhar nesses naufrágios e lembrar das cenas dos filmes. Em geral, os naufrágios permitem a penetração e estão preparados para isso. A grande maioria está em posição de navegação, permitindo excelentes fotos e tomadas de vídeos. Hoje, esses naufrágios são a morada de milhares de seres marinhos, trazendo uma coloração à mais ao naufrágio. Com a água quente e sem correntes, o mergulho se torna muito agradável.

Em cada saída são realizados dois mergulhos que duram em média de 45 a 60min de fundo. A embarcação saía por volta das 9h da manhã e ao meio-dia, já estávamos de volta. No nosso caso, optamos por mergulhar também à tarde, e quando retornávamos da primeira operação, fazíamos um lanche oferecido no próprio centro de mergulho, e aproveitávamos para visitar a loja de conveniência e a loja de souvenir. Posteriormente retornávamos para a embarcação e mergulhar novamente.

Foram três dias com doze mergulhos em diferentes locais, naufrágios, paredões e recifes, encontrando variações de fundo, pois cada mergulho possuía características muito diferenciadas dos demais. Se você acha que foi corrido e cansativo, posso garantir que cansaço não apareceu, pois a curta navegação e a excelentes condições de mergulho, nos deixavam mais vontade para curtir a viagem e não querer sair de dentro d´água..

Alimentação dos Tubarões

Para alguns, uma coisa normal, para outros, uma sensação um pouco tensa, e para alguns poucos como eu, o famoso dia D !   Exatamente, o dia D…

Mergulho há mais de vinte anos e já estive em diversos locais, porém, confesso que essa coisa de mergulhar com tubarões nunca foi a minha praia. Por um lado, penso que devemos respeitar a natureza e se não estamos em nosso ambiente, devemos ter precaução. Por outro lado, cheguei à conclusão de que andei vendo Discovery Channel demais…

Digo isso porque após o primeiro mergulho de alimentação dos tubarões, a gente nunca esquece, mas não por stress ou surpresas desagradáveis e perigosas, pelo contrário, pela sensação de fazer algo diferente e sob controle total que quem nos guia.

No dia em questão, a embarcação chega ao local denominado “Shark Arena”, que aliás, não sei por que, mas ao escutar isso, lembrei do Coliseu de Roma (será que estava exagerando ?).

Alguns segundos após, alguns poucos, melhor dizendo, uns oito tubarões começam a rodear a embarcação, pois já sabem que se paramos neste local, literalmente vai rolar comida.

Todos equipados e caindo na água, e lá vou eu com minha câmera para baixo d´água. O local possui um círculo de areia aos 12m e aos poucos, os mergulhadores vão se posicionando, ficando ajoelhados, de braços cruzados e fazendo um círculo. Logo após, desce o alimentador, que é um mergulhador experiente, treinado e equipado com uma roupa de segurança com minúsculas argolas fabricadas em inox, com um compartimento onde a alimentação dos tubarões é levada.

Em questão de segundos, aparecem do nada outros 10, 20, 30 e até 40 tubarões, que começam a rodear o alimentador, que com uma vara de inox, vai espetando o alimento e entregando aos tubarões. O alimentador decide quando vai retirar o alimento da caixa e que tubarão ganhará o seu prêmio. São tubarões de recife passando por cima de nossas cabeças e pelos lados. Passam raspando na gente logo no início do mergulho. Após 5 ou 10min, chega-se à conclusão de que eles não dão à mínima aos mergulhadores e só estão ali para receberem o seu prêmio e depois, cair fora.

É realmente um mergulho seguro e realizado há muitos anos e sem acidentes, demonstrando ser uma atividade prazerosa e aventureira, estando longe do chamado “mergulho radical”.

Sem dúvida, a equipe do Stuart, que oriundos de diversos países, demonstraram total tranquilidade, capacidade e experiência tanto no atendimento, quanto na execução dos serviços, fazendo com que nossa equipe resolvesse realizar outro mergulho de alimentação aos tubarões e saísse de lá, agraciados pela maravilhosa experiência pela qual passamos. É realmente um mergulho muito diferente e que todos deveriam realizar pelo menos uma vez na vida.

Já quando o alimento acaba, o alimentador retorna para a embarcação e continuamos o mergulho já com 30min de fundo e com alguns poucos tubarões nadando nas proximidades. As dezenas de tubarões que lá se encontravam durante a alimentação, simplesmente somem literalmente antes do “juiz dar o apito final” com o término da alimentação, e quando chegamos na operadora de mergulho, visitamos o Fin Photo, que é um estúdio onde é possível ver as fotos e o vídeo do mergulho com os tubarões, ficando impossível não comprar algum desses produtos oferecidos à nós, afinal de contas, quando iremos ter um mergulho desses no Brasil ?

Cidade

Após três dias de intensos mergulhos, finalmente fomos conhecer o centro de Nassau, que na verdade, não é muito grande. Algumas ruas com diversas lojas de roupas e acessórios, além das tradicionais marcas famosas e joalherias. Bahamas não cobra taxas sobre produtos, sendo um atrativo aos turistas e principalmente, aos cartões de crédito.

Compra-se bebida mais em conta e toma-se muito Rum, que é a bebida tradicional das Bahamas, sendo o mais conhecido, o Rum Tortugas.

No centro você encontra um Hard Rock Café, uma loja da Harley Davidson, Burger King e McDonald´s. Na área próxima ao porto e onde os transatlânticos chegam, encontramos inúmeras lojas e um pequeno mercado de artesanato onde os turistas fazem a festa. Anda-se tranquilamente pela cidade portando câmeras e certamente, tiram-se muitas fotos.

A noite, o turista têm diversas opções de restaurantes e alguns bares que vivem lotados de visitantes de todos os cantos do mundo. Não podemos esquecer, é claro, dos cassinos de Nassau. Você encontra diversos deles nos hotéis da ilha, que possuem uma excelente infraestrutura, além de oferecerem diversos tipos de atividades esportivas para aqueles que não são adeptos ao mergulho. E se você acha que Nassau termina aqui, se enganou completamente…

Atlantis

Imagine descer num toboágua e passando no meio dos tubarões ?

Pois é, isso existe e muito mais. O local chama-se Atlantis, que nada mais é, do que um complexo hoteleiro onde foram gastos quase 1 bilhão de dólares na construção, e que possui um parque aquático maravilhoso, com toboáguas de diferentes tipos, tamanhos e altura, além de um rio, piscinas, um gigante aquário marinho de água salgada, atividades esportivas e brincadeiras com golfinhos.

Atlantis está localizada na ilha denominada Paradise Island, que fica ao lado da ilha de New Providence, sendo interligadas por uma pequena ponte pedagiada, onde encontramos enormes mansões e grandes yachts.

Em Paradise Island encontramos outros hotéis, porém, os hotéis mais chiques e caros estão no completo Atlantis, onde a diária no hotel mais caro chega na casa dos U$ 2.300 para quartos e U$ 30.000 a suíte presidencial, que abrange o último andar de dois prédios e que são interligados por uma ponte. Luxo, requinte e bom gosto, são a referência do lugar, que tem como tema a decoração, a legendária cidade de Atlântida. Marcas famosas como Cartier, por exemplo, estão presentes nos corredores do complexo de Atlantis, com seus 3.000 apartamentos.

Se você não pretende ficar em um desses hotéis e estiver hospedado em outro na ilha de New Providence, é possível comprar tickets de entrada e poder aproveitar o parque aquático ou realizar as atividades do complexo. Algumas delas, precisam de um ticket especial, como é o caso do mergulho com os golfinhos. Já as brincadeiras nos toboáguas, são uma emoção à parte, pois além da adrenalina nas descidas dos escorregas, o toboágua passa por dentro do aquário marinho com milhares de peixes, arraias jamantas e tubarões, como se estivéssemos mergulhando em meio a vida marinha. E por falar em aquário, você pode visitar o aquário marinho caminhando pelos corredores e vendo os seres marinhos de perto. Ele possui nada mais, nada menos, que mais de 26 milhões de litros de água salgada, 50.000 seres marinhos de 200 espécies diferentes, sendo uma diversão garantida para quem possui filhos. Além disso, são 44 piscinas e é possível fazer um mergulho no aquário pagando a quantia de U$ 80.

O retorno

Sem dúvida, Nassau nos deixou excelentes lembranças. Digo lembranças, pois é um local paradisíaco, com pessoas educadas, povo hospitaleiro, belíssimos mergulhos e grandes emoções, como o mergulho com os tubarões. É um destino muito interessante aos brasileiros e de fácil acesso. Aliás, por fazer escala nos Estados Unidos, você têm a vantagem de poder fazer algumas compras em Miami.

Dicas

  • O programa ScubAAClub da American Airlines, facilitou muito a viagem dos mergulhadores para os Estados Unidos, Bahamas e todos os destinos cobertos por ela. Procure uma operadora de turismo, e veja o quanto vale à pena viajar utilizando os pacotes fornecidos com o ScubaAAClub
  • Para as Bahamas não é necessário visto, porém, como há a conexão em Miami nos Estados Unidos, você precisa ter um visto americano;
  • O idioma nas Bahamas é o inglês e a moeda é o dólar bahamense, porém, o dólar americano é normalmente aceito em todo o arquipélago. Para falar a verdade, em nenhuma ocasião cheguei a receber o dólar das Bahamas;
  • Ao retornar aos Estados Unidos, a imigração de entrada é feita no aeroporto de Nassau e não em Miami. Portanto, não deixe para chegar em cima da hora no aeroport;
  • Não esqueça um protetor solar, pois o sol caribenho não dá trégua
  • Voltagem de Nassau: 110v com tomada americana de três pinos;
  • Procure usar roupas leves, pois as temperaturas são elevada;
  • O Governo das Bahamas investe fortemente no turismo, e para ajudar ainda mais aos brasileiros, foi desenvolvido um site totalmente em português com várias informações sobre o arquipélago. O endereço é www.bahamasturismo.com.br


Agradecimentos Especiais

  • William Cline – Bureau de Marketing das Bahamas
  • Glenda Johnson – Diretora do Bureau Latin America das Bahamas
  • Ana Paula Gatti – American Airlines
  • Stuart Cove e Michelle – Centro de Mergulho Stuart Cove´s
  • Sheraton Nassau
  • Vivian, Mark e demais integrantes da equipe do Stuart Cove´s
  • Karen Cargill – Gerente – Atlantis
  • Majestic Tours
  • Travel Ace
  • Cristian Dimitrius, Paulo Boneschi e Sandro César pelas fotos.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.