Blimp K-36 – O naufrágio que não afundou e agora virou livro

Blimp da classe K patrulhando uma frota de navios - Foto: US Navy

Blimps eram dirigíveis com menores dimensões que os modelos mais conhecidos, como o Zeppelin e o Hindenburg.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os Blimps eram usados no patrulhamento da costa brasileira ajudando principalmente na caça dos U-boats, os submarinos alemães que navegavam em nossa costa afundando diversos navios cargueiros.

Um dos Blimps que participaram dessa história foi o K-36, um dirigível fabricado nos Estados Unidos, com 76m de comprimento, atingindo a velocidade de até 125Km/h e podendo voar por até 3.537Km sem reabastecimento.

Blimp K-36 e o Brasil

No ano de 2006 recebi um e-mail do comandante Paulo Pinto, que é um renomado piloto brasileiro, onde me perguntava se teria interesse em publicar um artigo sobre Blimps, onde ele mencionava a queda e naufrágio de um deles no litoral norte do estado do Rio de Janeiro. Como assunto estaria ligado a um naufrágio, tínhamos total interesse em publicar a história.

No artigo o comandante cita a queda do Blimp K-36 no mar, nas proximidades da Ilha de Cabo Frio (Ilha do Farol) em Arraial do Cabo, e por anos e anos esse assunto me vinha à cabeça.

Porque ninguém o encontrou ?  Será que conseguiremos achá-lo algum dia ?

Olhando a carta náutica da região, existem algumas marcações de naufrágios sem identificação. Será que o Blimp era um deles ?

Sempre fiquei com essa dúvida em mente.

Como de costume, estava realizando alguns pesquisas sobre naufrágios e num determinado dia, fiz algumas buscas por conteúdos relacionados ao Blimp K-36. Acabei caindo em um fórum de discussões onde encontro um usuário solicitando informações sobre o Blimp K-36, mas um detalhe me chamou atenção… ele menciona que seu avô ajudou na remoção dos destroços.

Destroços ?   O avô dele teria encontrado então o naufrágio do Blimp ?

Era uma mensagem postada alguns anos atrás e o endereço de e-mail já nem poderia ser o mesmo, mais assim mesmo decidi enviar uma mensagem na tentativa de obter mais detalhes sobre essa informação que ele havia postado no fórum

O usuário do fórum em questão chama-se Leandro Miranda, e logo no dia seguinte, ele respondeu meu e-mail com informações surpreendentes.

Segundo ele, no 17 de janeiro de 1944 às 01:50 da manhã, o Blimp K-36 que vinha da Bahia para a base de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, onde iria realizar uma revisão do aparelho, acabou colidindo contra a Ilha de Cabo Frio (Ilha do Farol) em Arraial do Cabo devido à cerração

Na época seu avô residia em Arraial do Cabo, que era uma vila de pescadores com menos de 2.000 habitantes. Devo lembrar, que estamos falando do ano de 1944.

Seu avô com alguns pescadores foram recrutados para trabalhar juntamente com os militares americanos na desmontagem do aparelho no alto do morro da Ilha de Cabo Frio, e levarem o que sobrou até a Praia dos Anjos.

Então, o Blimp colidiu contra a ilha mas não caiu no mar, e com isso, não virou um naufrágio como era imaginado por muitos e noticiado por um jornal da época.

A Coincidência

Meu primeiro e-mail para o Leandro foi enviado no dia 26/04/2017, e no dia seguinte, o dia 27, recebo a resposta dele com as informações acima e pasmem, era exatamente o dia em que ele estava lançando seu livro sobre o acidente.

O livro chama-se “K-36 o Zeppelin que caiu no cabo” e conta a história trágica do Blimp K-36 em Arraial do Cabo.

O livro está à venda no site da Sophia Editora e quem tiver interesse em conhecer um pouco mais sobre essa história e o passado do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial, poderá adquirir o livro através do site www.sophiaeditora.com.br

Leandro Miranda e a capa do livro sobre o Blimp K-36 que caiu na Ilha de Cabo Frio
Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Idealizador do site Brasil Mergulho (MTB 0081769/SP) criado em 1998, atuou como consultor para a ONU, UNESCO, e diversos órgãos públicos do Brasil.