Cabide DIY

Antes de tudo, gostaria de registrar que a sigla DIY (Do It Yourself), que para nós seria FVM (Faça Você Mesmo), representa algo em que sempre acreditei e que é capaz de produzir grande prazer e gratificação. A sensação de sermos capazes de resolver nossos próprios problemas e demandas é uma das maravilhas que se pode extrair do dia a dia.

Estando com equipamentos recém adquiridos, entre eles uma roupa de neoprene nova, de cores vivas e sem quaisquer marcas, logo pensei que uma boa forma de armazená-la, durante e após a secagem, seria pendurada. No meu caso, no box de um chuveiro pouco usado. Para tanto, passei a procurar por um cabide com ombros suficientemente largos e macios, para evitar marcas e dobras em roupas, bem como em coletes.

Encontrei um que parecia muito bom no site da  Leisure Pro, mas não apenas estava longe, como custava US$ 18, a serem acrescidos de taxas e frete, que no mínimo dobrariam seu preço final. Investigando no Brasil, achei alguns cabides que, embora pudessem ser adequados a outros equipamentos, não eram tão bons assim para roupas, por serem de plástico rígido e, especialmente, pouco largos nos ombros. Além disso, seus preços variavam de R$ 18 a cerca de R$ 30, bem mais que um cabide comum. Passei então um tempo “ruminando” a idéia para uma solução.

Fazendo uma pequena pausa aqui, vale comentar que esta ruminação é o grande segredo para a solução da maior parte dos problemas concretos ou mesmo abstratos que encontramos na vida. Para resumir numa frase, a que mais gosto é a “sleep on it”, significando que não é preciso achar a solução no mesmo dia. Vá dormir sobre o problema, deixando a solução para o dia seguinte ou ainda um outro qualquer. Depois de algum tempo, ela virá. E será bem melhor que algum improviso afobado.

Da mesma forma como tive, há um ano, a idéia que tem se mostrado ótima para um conector de interfaces* de computador de mergulho, foi “ruminando”, sem pressa, que me ocorreu usar o velho espaguete de piscina para resolver, facilmente e com custo muito baixo, a questão do cabide para roupas e equipamentos. Vamos a ele.

Cabide1Ingredientes

  • 1 cabide comum (usei um de metal revestido de plástico);
  • 1 (pedaço de) espaguete de piscina.

Cabide2  Receita

– Com a faca de mergulho mesmo, corte o espaguete do tamanho dos ombros do cabide mais 5 cm para cada lado;

– A seguir, abra apenas a “barriga” do espaguete, sem atravessá-lo, num comprimento ligeiramente inferior ao tamanho dos ombros, deixando intocado um trecho de 5 a 7 cm em cada ponta;

Cabide3– Atravesse o espaguete com a faca apenas no ponto central;

– Passe o gancho do cabide pelo rasgo central;

Cabide4– Encaixe as pontas dos ombros nos extremos não cortados do espaguete.

Pronto !

Um cabide muito barato, com ombros largos e acolchoados, para pendurar roupas e coletes sem marcar ou forçar.

Nota: um espaguete dá praticamente para 3 cabides.

Cabide5A arara

Aproveitando o assunto, mostro também a solução que adotei para fazer a “arara” (o pau onde se pendura os cabides) no box de chuveiro. Não tem nada de especial, mas fica o registro daquilo que requereu minha atenção, dos detalhes construtivos e dos custos.

A maior e especial preocupação é não acertar com a furadeira os canos da instalação hidráulica. Evite os alinhamentos vertical e horizontal com chuveiro, registros e na distância entre eles e onde devem estar os cotovelos 90º usados na instalação.

Inicia-se medindo o vão a ser vencido pela arara. No meu caso foi de 1,215m, o que demandou um tubo com boa rigidez, de forma a não vergar e cair com a carga. Um tubo metálico, cromado, no diâmetro padrão usado em marcenaria, que é 1 polegada, foi o bastante. Comprimento menor não será problema, bastando cortar a peça comprada, ao passo que comprimento maior demandará talvez uma barra maciça ou tubulação mais reforçada.

Encontrei peça pronta, comprimento 1,20m, padrão comercial. Para vão maior, ter-se-á que comprar retalho ou uma vara de 3,00m, a ser cortada depois. Neste último caso, pode-se acrescer pares de suportes e aproveitar sobras para fazer araras em outros boxes da residência.

Como o ambiente do box é de umidade elevada, seja pela roupa secando, seja pelo uso do chuveiro, não custa nada tampar as extremidades do tubo com algum tipo de vedação (rolha, borracha, etc.) deixando dentro, antes, uma nuvem de lubrificante em spray, tipo WD40.

Os suportes a serem aparafusados na parede, os escolhi de alumínio, com 3 parafusos cada. Para a fixação, usei parafusos finos, adequados a buchas de 4mm, com comprimento de 2,5 a 3 cm.

A arara está funcionando perfeitamente, com os cabides nela pendurados.

Onde adquirir o material

Cabide – Qualquer supermercado ou lojas que disponham de cabides comuns para roupas. Os cabides de plástico devem ser os mais resistentes à umidade, enquanto os de metal os mais resistentes à carga. Pode-se usar cabides de madeira, que suportam muito boa carga, mas a umidade pode atacá-los. De qualquer forma, desde que se cuide para não danificar equipamentos de mergulho, por exemplo com manchas, qualquer cabide comum poderá ser substituído sem grande despesa. Um cabide comum custa de R$ 1 a R$ 3.

Espaguete de piscina – Supermercados e lojas de acessórios para piscinas, camping e lazer, etc. Custa cerca de R$ 6.

Pau da arara – Há muitas opões. A minha foi metal (aço, creio, mas não inox) cromado, comprada em loja comum de material para marcenaria. No Rio de Janeiro, comprei o tubo de 1,20 m na Ferragens Isa Ltda, Rua Frei Caneca 87, por R$ 16,61.

Suporte da arara – Também pode ser encontrado em muitas lojas, especialmente as voltadas à marcenaria. Há suportes de plástico a R$ 1 cada. No Rio, comprei os suportes de alumínio a cerca de R$ 6 cada, no Palácio das Ferramentas, à Rua Buenos Aires.

Considerando apenas preço, os suportes de plástico são a melhor opção, pois seria necessário que 6 (seis) deles falhassem antes de ser vantajoso um de alumínio. Minha opção pelos outros foi devida ao seu design, que acomodou melhor a folga de meu vão real (1215 mm) em relação ao tubo (1200 mm) e também por terem melhor aspecto.

Bons mergulhos e águas claras !

(:)s CAF

Carlos Affonso (CAF)
Conhecido como "CAF", é engenheiro civil, formado pela Escola Politécnica da USP em 1975, atuando nas áreas de projeto de engenharia, informática e meio ambiente, voltadas ao saneamento básico e geração de energia. Praticou mergulho livre nos anos 70 e 80 e mergulhado autônomo desde 2003, com curso avançado, nitrox, naufrágio e biologia marinha. (in memoriam)