Caixas Estanques Canon sem o uso do Difusor

Foto: Clécio Mayrink

Ano passado adquiri uma caixa estanque da Canon para a câmera Canon S100, um dos modelos mais vendidos em 2012, devido aos diversas possibilidades de configurações que esse modelo de câmera possibilita ao usuário.

Um ponto negativo nas caixas da Canon e que sempre me incomodou, é o difusor que a Canon envia juntamente com a caixa estanque, onde o usuário precisa encaixá-lo na caixa, deixando ela mais volumosa. Esse difusor terá a finalidade de evitar que o flash interno da câmera seja projetado para frente da caixa, criando o chamado Backscatter, também conhecido como os pontos brancos que aparecem em algumas fotos.

Caixa-Estanque-Adaptador1  Além do volume, a utilização dele cria outro problema ao usuário, pois se ele esquecer o difusor em casa e não houver por exemplo um silver tape na embarcação, para colocar na caixa e tentar bloquear a luz do flash, o mergulhador terá problemas na captação das imagens durante o mergulho.

Outro ponto, é se o mergulhador perder esse difusor. Ele terá dificuldades na aquisição de outro, pois infelizmente a Canon não vende difusores avulsos, e até onde sei, somente uma empresa na Inglaterra fabrica essa peça para reposição, tendo um custo em libras, que diga-se de passagem, o custo é bem salgado.

Pintura

Pensando numa forma de sanar esse problema, após algumas análises, decidi pintar a caixa estanque na tonalidade preto fosco. Sim, sou doido, porém, o desejo de não utilizar o difusor da Canon e ter uma caixa estanque menos volumosa, me levaram a isso.

Realizando todos os procedimentos a fim de proteger os botões acionadores, o-ring’s e áreas mais sensíveis e que não poderiam receber a tinta preta, realizei a pintura em três camadas, dando um bom espaço de tempo entre uma aplicação e outra. Cerca de 1 dia para cada camada. Para proteger as áreas onde não poderiam receber a pintura, utilizei a fita silver tape.

Caixa-Estanque-Adaptador2Com a caixa estanque pintada, o flash interno não interfere na imagem, pois a luz emitida não consegue avançar para frente da mesma.

O único cuidado, é quanto à utilização de flashs com cabos óticos. No meu caso, preparei a pintura de forma que não houvesse interferência no uso dos flashs com esse tipo de conexão.

Como solução, adquiri no eBay, um conector de fibra ótica pela pequena quantia de U$ 2.25, e que possibilita facilmente a conexão do cabo ótico dos flashs internos à caixa estanque. Essa peça foi fixada na parte externa da caixa estanque e bem à frente do local onde fica posicionado o flash interno da câmera, permitindo que eu coloque e remova os facilmente cabos óticos sem problemas.

Para uma colagem perfeita e sem o risco de soltar essa base de conexão dos cabos durante um mergulho no futuro, utilizei Araldite Profissional, um tipo de Araldite bem especial e normalmente usado em fábricas. É uma pequena caixa com dois bastões, que quando misturados em uma pequena base plástica provida pelo próprio produto, realiza uma colagem relativamente rápida e que não solta na água salgada.

A cola Araldite Profissional custa em torno de R$ 19 e pode ser encontrada em grandes lojas de ferragens. Mas lembre-se que tem que ser Araldite Profissional,pois a Araldite comum não serve para uso em água salgada.

No meu caso, me livrei do difusor da Canon, deixei a caixa estanque menos volumosa e possibilitei uma forma mais eficaz de conexão dos cabos óticos com a caixa.

Se você pensar em realizar o mesmo, analise bem antes todo o procedimento, pois em alguns pontos, uma atenção redobrada é necessária.

Não é um procedimento difícil de ser feito, basta apenas ter os produtos certos e realizar tudo com calma.

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Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.