Camaquã – Um mergulho sempre memorável

Foto: Rodrigo Gherardi

Não foi a minha primeira visita à Corveta Camaquã em Recife, mas, como em todas as vezes que lá retornei , constato que é um mergulho dos mais interessantes que um mergulhador técnico pode realizar.

Nesse fim de ano visitei Recife por duas vezes num curto espaço de tempo. Inicialmente com a turma de rebreathers que escolheram a capital dos naufrágios para realizar o seu encontro e desta vez com os amigos Basílio, Frugoni e Sérgio. Em ambas as ocasiões usamos a Operadora Aquáticos que disponibilizou os catamarãs Galileu e Voyager.

Recife continua sendo a meca dos mergulhadores em naufrágio, seja pelo número de embarcações disponíveis para visita, seja pela qualificação das operadoras locais, isso sem falar da boa qualidade da rede hoteleira e dos inúmeros atrativos a disposição do visitante.

O próprio Clécio esteve lá recentemente e seus relatos estão disponíveis aí no site.

Meu ponto de mergulho preferido na justamente denominada “Capital dos Naufrágios” é a corveta Camaquã, e sempre que possível volto a visitá-la.

Desta vez tinha a responsabilidade de “apresentá-la” a dois amigos que me acompanhavam e que estavam curiosos diante das minhas referências sempre elogiosas ao imponente naufrágio. Já o Sergio Panda é contumaz freqüentador do local.

Navegação tranqüila até o ponto de mergulho, com o Gaba descendo primeiro para fixar o cabo de descida. Bóias de referência lançadas ao mar e o catamarã aproxima-se delas permitindo o lançamento dos mergulhadores.

Para a turma do Rio, a visibilidade e a cor da água em Recife já vale à viagem e quando estão presentes num mergulho aos 54 metros de profundidade, aí é a festa.

Como se tratava de uma primeira visita, optei por percorrer o naufrágio de proa à popa pelo exterior do mesmo, deixando para fazer as primeiras penetrações no trajeto de retorno.

Os gestos e as fisionomias dos companheiros de mergulho denotavam a toda hora sua satisfação.

Passagens estreitas no interior da embarcação estimulavam e tornavam ainda mais instigante aquela experiência.

Todas as vezes que ali retornamos não esquecemos que aquele é um cenário em que ocorreram mortes de tripulantes o que nos leva a tratá-lo com o devido respeito, o que quer dizer também, nada retirar do naufrágio.

Após trinta minutos de mergulho iniciamos a nossa subida e descompressão num cenário incrivelmente azul e de quando em vez cercados por peixes de diversas espécies.

Usamos para esse mergulho, duplas de aço com Trimix 20/30, como gás de fundo e cilindros S40 com EAN 50 e O² respectivamente para descompressão.

No retorno, começam os comentários sobre os momentos vividos durante o mergulho e já nos surge aquele gostinho de “quero mais”.

Roberto Luz (Boblight)

Roberto da Luz (Bob Light) é consultor em segurança e instrutor MSDT PADI. Possui diversas especialidades como: Tec Deep Diver e Dive Master – Tec Rec / DSAT, Deep Diver – IANTD, Intro Cave Diver, Trimix Diver pela DSAT e TDI, Cave Diver pela NACD, Medic First Aid Instructor e Oxygen Provider – DAN.

Realizou diversos mergulhos no exterior, dentre eles, destacam-se: Thistlegorm e o Dunraven (Mar Vermelho); Theos Wreck e Papa Doc (Freeport-Bahamas); Hilma Hoocker (Bonaire); Blue Diamond (San Andrés); Fragata Russa (Varadero – Cuba), El Barco Hundido, Rio Jiboga e Cruzeiro Cuba (Ilha da Juventude). No início de 2003, esteve na Nova Zelândia, onde mergulhou nos naufrágios do Waikato em Tutukaka, e no famoso navio russo Mickael Lemontov, em Blenheim

.Freqüentemente viaja à Akumal no México para mergulhar nos Cenotes da Riviera Maya.