Campista III

Data: 21/01/1858

GPS:

Localização: Em frente a Restinga da Marambaia.

Profundidade (m):

Visibilidade (m):

Motivo:

Estado:

Carga: Material bélico

Tipo: Escuna de madeira

Nacionalidade: Brasil

Dimensões (m): 24,41 / 7,92m / 2,13m

Deslocamento (t)

Armador: Marinha do Brasil

Estaleiro: José Lopes da Costa e Souza

Propulsão: Vela

Fabricação: 17/12/1849

Notas:

Foi aparelhado à escuna e, como se fosse destinado à classe canhoneira, foi armado com dois canhões Paixhans de 30 libras. Foi-lhe passada Mostra de Armamento a 14/08/1850, e o 1º Tenente João Gomes de Aguiar, foi o primeiro comandante. Gastou-se com a embarcação entre 1850-51 quantia de 1:978$330.

Em 1851, sofreu com reparos que foram contratados com Manoel Nunes de Azevedo Sampaio.

Encontrava-se na Baía do Sombrio (Ilha de São Sebastião) em 06/02/1851, quando faleceu à bordo, o 2º Tenente Inocêncio da Cunha Galvão. Em 24/02/1851 foi nomeado novo comandante, o 1º Tenente Felício de Sá Brito, em substituição do 1º Tenente Manoel Mendes de Moraes e Vale, que desembarcou por doença. O navio tinha sido dias antes, incorporado à Divisão Naval do Rio da Prata, chefiada pelo Almirante Grenfell. Em março, foi desligado desse comando, por suas condições de navegabilidade que eram apontadas como precárias.

A 30 de abril, realizou manobras militares na Baía de Guanabara a fim de reconhecerem-se suas qualidades náuticas. Ficou constatado que demonstrava dificuldade em virar de bordo e grande abatimento, e que só serviria para navegação fluvial. Foi desarmado e em 1851, Mestre Joaquim Francisco, no Arsenal, procurou corrigir os defeitos apontados. Em dezembro deste ano, assumiu seu comando o  2º Tenente José Maximiano de Melo e Alvim. Em julho de 1853, passou a comandá-lo o 2º Tenente José Rodrigues dos Santos. Em 04/10/1854, mandou-se fornecer-lhe um canhão-obus francês de 30 libras e trem de guerra.

Por Aviso publicado em 17/10/1854, foi nomeado seu comandante o 1º Tenente Antônio Mariano de Azevedo. Por Aviso de 10 de novembro, foi nomeado seu comandante o 2º Tenente Salustiano Caetano dos Santos.

Por Aviso de 14 de dezembro, passou a comandá-lo 1º Tenente João Travassos da Costa. Zarpou a 24 do dito mês para o Rio da Prata, onde passou todo ano de 1853.

De dezembro de 1856 a dezembro de 1857, empregou-se em cruzeiros contra o tráfico de escravos africanos, sob o comando do 1º Tenente Antônio Carlos de Mariz e Barros. O historiador J. Artur Montenegro, em 1897, sob o título “Audácia e Valor”, escreveu:

“Esplêndida manhã de 20 de fevereiro de 1895 (deve ser 1857). Garbosa corveta, proa ao norte, veleja mar em fora, singrando rápido às alturas de Ilha Grande. Gávea e papafigos enfunados pele fresca brisa de Norte/Nordeste, imprimem oito nós ao formoso barco, cujo talhamar corta altaneiro aqueles mares de esmeralda, com a poética majestade do branco e saudoso alcione. No horizonte, nenhuma vela suspeita. Nenhum navio negreiro cruza nessas paragens, vigiadas pela Veleira Campista, comandada pelo jovem Mariz e Barros – o terror desse piratas de carne humana, miseráveis algozes de uma raça infeliz.

“O vigia da gávea assinala uma vela a Leste. Imediatamente Mariz e Barros ocupa a ponte; cada qual guarda o seu posto e a corveta – ligeira gaivota deslizando à flor das ondas – manobra no sentido de reconhecer o navio que aparece ao longe. Eram 8h da manhã. As 10 estava à vista um lúgar desconhecido, navegando a todo pano; conformação e pintura do casco, disposição do aparelho, rapidez de manobra denunciando essa precisão técnica peculiar aos corsários – tudo induz a crer estar ao alcance dos telescópios um navio negreiro, desconhecido nos mares do Brasil. Mariz e Barros manda içar a flâmula e a bandeira; um tiro de canhão firma a intimação de chegar à fala.

“O navio suspeito, porém, continua impassível a sua derrota. Segundo e terceiro tiro da Campista. Nada !   O pirata faz-se ao largo, aumentando o pano ! I  mpaciente, tremendo de raiva ante a expectativa de perder a presa, Mariz e Barros grita à equipagem: “Larga tudo !   Fora cutelos e varredouras… !”

E a corveta, obedecendo aos intuitos do fogoso comandante da ardida guarnição, atira-se veloz sobre a crista espumante das vagas, encurtando precípite o espaço que a separa do misterioso barco que veleja no bordo do mar. No convés brasileiro, prepara-se tudo para o combate: guarnições a posto esperam o sinal do chefe pelo apito do guardião, para fulminar o barco negreiro que parecia zombar da pequena corveta, mostrando seis largas portinholas e a boca escura de outras tantas caronadas. Duas milhas apenas separam os contendores. Então o passadiço da Campista, vê-se a olho nu, alteroso navio armado em guerra, guarnecido em numeroso pessoal… mas, a Campista avança sempre.

Súbito, amaina o vento !   O pano, momento antes entesado pelo fresco terral, bate ao compasso do balanço, ao som plangente dos gemidos das retrancas em sua eterna luta com as escotas. A raiva apodera-se de todos !   Do comandante ao último grumete apodera-se o furor do despeito, a ira da impotência, o desejo agora de lutar a todo transe…  –  Escaleres ao mar e à abordagem ! –  ordena o moço comandante. Soa o apito, gemem as talhas nos cadernais !   E, num abrir e fechar de olhos, dois terços dos homens da Campista – vinte e oito bravos – guarnecem dois escaleres. Vinte e dois remos fendem as águas e, a voga larga, quais velozes cetáceos, voam barcos ao encontro do navio pirata, que nesse momento, percebendo a manobra dos brasileiros, parou, atravessando.

“A meia amarra do navio suspeito, Mariz e Barros manda levar remos. De pé, no castelo do primeiro escaler, espada em punho, prestes a ensinar aos seus homens o caminho da grita: “À abordagem !”

“Então viu-se uma cena indescritível, digna dos heróis de Plutarco. O comandante contrário, rodeado de seus oficiais, no passadiço da Beacon, levanta sua voz firme e sonora: “Hurrah !” – “Hurrah ! Hurrah !” – responde a maruja trepando às vergas, ao mesmo tempo que ao penol da fragata era levantado o pavilhão da guerra da orgulhosa Albion !

Ao som do pífaro e tambor, em marcha batida, ergue-se também, ao tope do grande vaso britânico o pendão auriverde do Brasil; vinte e um tiros de peça saúdam aquele rasgo de heroísmo de um punhado de bravos. O barco suspeito era a fragata inglesa Beacon, cruzava perseguindo os navios negreiros.

Seu comandante, Comodoro E. Parsons, vira a galhardia do jovem chefe brasileiro e, admirado com sua resolução de tomar de abordagem, com duas dúzias de homens, um vaso artilhado, deixara que ele se aproximasse pra recebê-lo com essa tríplice saudação que os marinheiros sabem tributar aos feitos de audácia e valor. A rainha dos mares sagrava o herói brasileiro à sombra da mesma bandeira que tremulara em Trafalgar: Nelson fora o paraninfo do oceano, a imensa pia batismal para o jovem Mariz e Barros”

Em julho de 1857, a Campista foi aparelhada a patacho. Cruzava na costa do Rio de Janeiro, em frente a restinga da Marambaia, quando naufragou, a 21 de janeiro de 1858. Comandava-a o 2º Tenente Camilo de Lelis da Silva.

Fonte: Arquivo Histórico da Marinha

Redação
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