Cargueiro Harlingen

Foto: Clécio Mayrink

A Região dos Lagos, no Rio de Janeiro é muito frequentada por turistas mergulhadores de todo o país.

A excelente infraestrutura local, boas estradas, diversas opções em operadoras de mergulho e local propício para a prática do mergulho fazem das cidades de Búzios, Cabo Frio e Arraial do Cabo uma presença frequente no log book dos mergulhadores.

naufragio-harlingen1Arraial do Cabo possui uma enorme vantagem em relação às suas vizinhas: a ilha de Cabo Frio. Graças à ela os mergulhadores podem encontrar excelente condições de navegação,   durante praticamente todos os dias do ano.

As opções de mergulho dentro desta área protegida são muitas, mas do lado de fora, os mergulhadores de naufrágio encontram várias opções muito interessantes.

 

Localização

Famosa por seu denso nevoeiro e mau tempo, essa região vitimou dezenas de embarcações, muitas delas, ainda perdidas e algumas já bastante visitadas por mergulhadores.

Um dos naufrágios que merece destaque é o do cargueiro à vapor britânico Harlingen, que está localizado do lado de fora do Pontal do Atalaia, junto ao costão, e relativamente próximo, precisamente no local denominado Saco dos Ingleses, encontram-se os restos da fragata Inglesa “HMS Thetis“, naufragada em 1830.

Devido à importância de sua carga, a “HMS Thetis” sofreu salvatagem 6 anos após seu naufrágio, sendo reconhecida mundialmente como uma das operações de resgate mais bem sucedidas da história. Já na Ilha dos Franceses, repousa os restos da fragata brasileira Dona Paula, que se chocou contra a ilha em 1827 enquanto perseguia um corsário argentino que fazia tremer as tripulações do barcos nacionais.

naufragio-harlingen2De volta ao Harlingen, o que mais chama a atenção no local do naufrágio é a quantidade de objetos a serem vistos. Enquanto os dois navios citados acima já se misturam com a fauna local, os restos do cargueiro à vapor ainda fazem a alegria dos que o visitam.

Construído pelo estaleiro W. Gray & Co. da Inglaterra para a firma J & C Harrison Limited em 1905 com 3.470 toneladas e 113 metros de comprimento, o Harlingen naufragou no ano seguinte, em 1906, enquanto viajava de Buenos Aires para Port Eads, Louisiana, tendo lastro como carga.

O mergulho

Começando mergulho pela proa, aos 18m de profundidade, encontramos uma das três âncoras Hawkins ainda dentro de escovém, e sua corrente ainda segue até o enorme guincho que vemos logo à frente.

Seguindo em direção à meia nau, outras duas âncoras do modelo Almirantado. Mais à frente, encontramos outras partes do casco, cavername e turcos. Os motores tipo Triple Expansion Engine de 316 NHP (Nominal Horse Power) construídos pela empresa Central Marine Engine Works, impressionam pelo tamanho.

Do tipo Donkey, as três caldeira são encontradas na areia alguns metros do motor. Na parte final do mergulho atingimos a popa aos 22m de profundidade, onde encontramos o hélice.

Um pouco mais a frente uma parte do casco da popa encerra a área de destroços.

Na região de Arraial é comum encontrarmos água com temperatura muito baixa, exigindo uma proteção térmica maior.

Devido à riqueza de detalhes deste naufrágio, é recomendado utilizar cilindros com maior capacidade e mistura Nitrox.

naufragio-harlingen3A vida marinha no local é bem interessante e antes de tentar mergulhar no Harlingen é recomendável consultar a previsão do tempo para não ser pego por uma virada repentina de mar.

Fotos: Daniel Botelho

Clecio Mayrink

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount).

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou como consultor para a ONU, UNESCO, Segurança Pública, além de diversos órgãos públicos no Brasil.