Cenote The Pit – México

Foto: Maurício Dias

O Cenote conhecido como The Pit faz parte do sistema Dos Ojos, localizado na região da Riviera Maya, conhecida como a Meca de mergulhos em cavernas, no estado de Quintana Roo no México.

Após um bom trecho de estrada de terra, na mesma entrada que dá acesso a estrada do Cenote Dos Ojos, chegamos a The Pit.

Com uma área ampla para estacionamento, lugares para montagem do equipamento, baños (banheiros) e funcionários locais, o local possui boa estrutura para o mergulhador.

Mergulhos

O visual é incrível e com uma água limpíssima, o sol penetra no interior do buraco e proporcionando um verdadeiro espetáculo até para quem está de fora somente olhando. Perguntei sobre a visibilidade para um mergulhador que vinha saindo e obtive uma resposta: Endless ! (Ilimitada).

A superfície da água fica entre 7 e 10m abaixo da altura da boca do cenote e o acesso se dá por uma escada bem acentuada junto à lateral. Me chamou a atenção a instalação de uma roldana com um cabo para descer os cilindros até a água, e como mergulho de Sidemount e tínhamos um ajudante para carregar os cilindros, foi uma das entradas mais tranquilas nas cavernas do México, pois recebemos nossos cilindros já na água, o que facilitou bastante.

Estávamos divididos em três times onde cada um tinha uma proposta diferente, até para que todos não fossem para o mesmo lado e congestionar a caverna.  No planejamento, seriam dois mergulhos para todos os times.

O cenote é super dinâmico, possui dutos rasos onde a profundidade média gira em torno dos 14m, mas há também, dutos fundos , onde a brincadeira só começa abaixo dos 70m.

Eu e meu dupla, Henrique Vilins, planejamos o mergulho fundo primeiro. Começamos a descer e a sensação é incrível. A água é muito limpa e nem se percebe o quanto está afundando, pois a transparência é muito grande.

Entre 35 e 45m de profundidade, pairava uma verdadeira nuvem de sulfeto de hidrogênio , na parte onde encontram-se várias galhadas que caíram para o interior do cenote, que possui vegetação abundante ao redor.

Essa passagem foi muito interessante e percebi que ao passar naquela “nuvem”, a densidade da água mudou, e pude sentir no cantinho do regulador que a água ficou salgada. Fiquei imaginando que, depois de andar por uma grande distância de carro para o meio do mato, ainda assim o sistema tinha conexão com o mar.

Em dado momento, fazendo uma curva acentuada a esquerda, percebi que perderíamos o contato visual com a luz natural e decidi amarrar minha carretilha primária antes de entrar, respeitando as regras de segurança. Já estávamos a 63m de profundidade e estávamos indo em direção para a entrada da área de cave daquele conduto. Parecia que a caverna nos chamava pra dentro.

Como descemos devagar contemplando o visual que é realmente inacreditável, já estávamos atrasados para prosseguir, e ao visualizar a entrada, um pouco mais ao fundo, decidimos retornar, apesar da vontade de entrar.

Quando voltamos e encontramos com a luz natural, foi uma das experiências mais bacanas que já vivenciei no mergulho, porque dava pra ver as árvores do lado de fora do cenote de tão transparente que a água estava.

Decidimos ficar ali, a cerca de 45m, tirando várias fotos e filmando o cenote. Demos várias voltas para fotografar em todos os ângulos possíveis , e quando vi, a deco já estava em quase 80 minutos.

Decidimos subir e descobrimos que era possível realizar parte da descompressão ainda dentro dos dutos rasos.

Continuamos a rodear todo o cenote, tirando fotos e cumprindo nossa descompressão. Como sabíamos que haveria ainda um segundo mergulho, decidimos nos poupar fisicamente e quando chegou nos 6m, ainda tínhamos 1h de descompressão, e encostamos num platô de pedra, deixando o tempo passar e vislumbrando a beleza do mergulho. Saímos do mergulho e fizemos um longo intervalo de superfície por conta do último mergulho.

No segundo mergulho fomos para os dutos rasos. Uma ossada gigante, próxima da entrada nos impressionou. Fiquei pensando como aquilo devia ser quando era seco…

Fizemos diversos jumps e a caverna ia mudando o tipo de formação a cada novo duto que entrávamos. Achamos um buraquinho bem pequeno e decidi entrar. Foi preciso desequipar e rebater os cilindros à frente . Era um duto bem apertado, mas nos 10m seguintes, conectava com o conduto que estávamos e que era mais amplo, mas ainda assim, foi divertido.

Saímos da água com quase 3h de mergulho após outra deco, no lugar mais bonito que já fiz descompressão, fazendo fotos e vídeos. As fotos não ficaram muito boas, pois tínhamos apenas uma GoPro 5 para registrar todo o mergulho.

Sem dúvida The Pit é uma caverna imperdível para quem vai mergulhar no México.

Maurício Dias na entrada da caverna The Pit

O ingresso é um pouco mais caro que a maioria , e é um pouco longe de onde estávamos (Região central de Tulum), mas valeu muito a pena.

Considero uma das cavernas mais legais para mergulho no México, pois além da beleza exuberante, possui opções de profundidade e formações variadas, e pra mim, se tornou ponto obrigatório em todas as próximas viagens de mergulho no México.

Maurício Dias
Formado em Educação Física, cursa Mestrado em Educação com ênfase na formação de Docentes. Atualmente é coordenador de operação no Leo Dive Center Ilhabela e Instrutor de mergulho IANTD e PADI desde 2004.