A Ciência da Descompressão – Compartimentos

Foto: Clécio Mayrink

Em anatomia, tecidos são áreas do corpo, estrutura e celular, similares como, por exemplo, o tecido dos músculos. Na Descompressão, compartimentos são áreas similares na quantidade de gás inerte adquirido. Eles são algumas vezes chamados de “tecidos”, mas compartimento é preferido por não se tratar de uma entidade anatômica específica. Todo o nosso corpo absorve nitrogênio sob pressão mas, algumas áreas do corpo absorvem o gás mais rapidamente do que outras como, por exemplo, os compartimentos de 5 a 10 minutos, comparados com os de 60 a 120 minutos (Maiores explicações na seção meio-tempo).

Pesquisadores contemporâneos, preferem usar o termo compartimento e não tecido, isto porque inúmeros mergulhadores e pesquisadores usam o termo tecido e isso pode gerar alguma confusão. Anatomicamente, existem apenas quatro tecidos no corpo humano: muscular, conjuntivo, epitelial e nervoso. Tudo em nosso corpo é feito pela combinação destes quatro tecidos. Para trabalhos de descompressão, o corpo é dividido computadorizadamente em qualquer número de compartimentos. A quantidade depende do modelo.

Apesar do fluxo de sangue poder variar com a atividade ou outros eventos no corpo, e com isso mudar a velocidade anatômica do tecido, os modelos descompressivos, o são para muitos compartimentos, abrangendo assim a maioria das possibilidades. Até agora, pelo menos um fabricante de computadores, lançou uma unidade com a finalidade de lidar com as mudanças no fluxo sanguíneo, motivadas por exercícios ou pelo frio, o Uwatec Aladin ” Air X “.

Modelos multi-compartimento

Compartimentos diferentes, recebem nitrogênio em níveis diferentes. Cada compartimento também tolera uma quantidade diferente de nitrogênio, antes que se acumule demais ao ascender diretamente à superfície, sem paradas, para liberar algum nitrogênio. Por incluir diversos compartimentos, tabelas descompressivas e computadores, são criados para fazer um melhor trabalho ao considerar as várias partes do corpo. As Tabelas e computadores descompressivos multi-compartimento, limitam o seu tempo em baixo d´água de tal maneira que, nem um só compartimento, receba demais. Quase todas as tabelas descompressivas e computadores, são modelos multi-compartimento.

Pressão Parcial

Pressão Parcial – É a parte da pressão total, exercida por apenas um gás, em uma mescla de vários gases. Todas as pressões parciais juntas formam a pressão total. A pressão de um gás, é a pressão total multiplicada pela fração (porcentagem) daquele gás. A pressão parcial determina o gás inerte que você recebe e elimina.

“Entender a pressão parcial é muito importante para se entender a descompressão”

Na superfície, o peso da coluna de ar acima de você, o pressiona. O nitrogênio compõe cêrca de 78% do ar, sendo assim, o nitrogênio exerce uma pressão de cêrca de 78%.

Por isso é chamado de pressão parcial os outros 21% da pressão, sobre você, vêm do oxigênio. A soma de todas as pressões parciais iguala a pressão total. É a Lei de Dalton. O Argon, tem cêrca de 1% de pressão e geralmente junta-se ao nitrogênio, a uma pequena quantidade de hélio, ao xenon e outros, perfazendo, no total, 79% de gases inertes, para os cálculos descompressivos. A pressão parcial do nitrogênio é normalmente abreviada pela sigla PN2. Algumas vezes PPN2 é usada, particularmente em engenharia. FO2 é da sigla pressão parcial do oxigênio.

Você pode às vezes ver a expressão FIO2, ao invés de apenas FO2. A FIO2 significa a fração de oxigênio inspirado, que é diferente do oxigênio expirado, escrito como FEO2. Normalmente se deduz ser FIO2 mesmo quando se lê FO2. A pressão parcial do nitrogênio, na mescla respiratória, determina quanto nitrogênio você recebe e elimina. Como a PPN2, do ar que você respira, aumenta com a profundidade, a absorção de nitrogênio aumenta. Quanto você reduz a pressão ao seu redor ao ascender, a pressão do nitrogênio que cresceu no seu corpo, excede a PPN2 da água a seu redor. Você está eliminando o nitrogênio. Existem diversas unidades para medir a pressão parcial.

O pessoal médico geralmente utiliza, milímetros de mercúrio (mmHg), para medir. Para descompressão, é geralmente usada a medida: Atmosfera Absolutas (ATA ou atm abs). Os cálculos usando atmosferas, são simples, e relativamente fáceis para o mergulho, já que eles equiparam a pressão total ao nível do mar a 1 ATA. Por exemplo, a PPO2 em superfície é de 0,21 ATA, porque o ar contém 21% de oxigênio. A PPN2 do ar normal contém 79% de nitrogênio, sendo assim, teremos 0,79 ATA em superfície.

A composição de qualquer gás respirável, não muda com a profundidade, muda apenas a pressão sobre ela. A porcentagem de oxigênio mantém-se a 21% do ar normal, e o nitrogênio a 79%, sendo assim, a FO2 fica em 0,21 e a FN2 fica em 0,79. A fração somente muda, se mudarmos a mescla. A pressão parcial muda com a profundidade. Quando você mergulha a 10m, ou seja 2 ATA, você está sob duas vezes mais pressão total do que em superfície a 1 ATA. Duplicando a pressão total, duplica-se a pressão parcial do oxigênio, de 0,21 para 0,42 ATA, e a PPN2 de 0,79 para 1,58 ATA. Triplicando a PPO2 para 0,66 ATA.

Onde estão as bolhas ?

As bolhas se formam depois de muitos mergulhos, mesmo naqueles realizados dentro dos limites da tabela descompressiva e dos computadores. Não é muito verdadeira a tese de que as bolhas se formem após cada imersão. As bolhas podem viajar através do sangue para novos locais, ou apenas crescer no mesmo local, ou ambos. Na maior parte do tempo, a pessoa não perceberá essas bolhas. Outras vezes, dor ou perda das funções do corpo irão dar o sinal

Bolhas no lado Venoso…

As bolhas podem ficar paradas onde são formadas, causando dor e danos. Elas também podem se formar. sem sintomas nas veias, que retornam o sangue para o lado direito do coração.

De lá, o coração bombeia as bolhas com o sangue para os pulmões, que filtram a maioria das bolhas para fora. O que as bolhas provavelmente não fazem, é passar dos tecidos do corpo para as veias, a não ser que a veia esteja machucada. As bolhas, apesar de serem mínimas, são muito grandes para, fisicamente, passarem através das paredes dos vasos sanguíneos.

Bolhas no lado Arterial…

As bolhas nas veias (embolia venosa gasosa) retornarem com o sangue de todas as partes do corpo, para o lado direito do corpo e depois para os pulmões. Os pulmões não podem se ver livres delas pela filtragem. Assim como o nariz e as passagens aéreas superiores, que retêm e filtram a poeira, partículas e algumas bactérias, os pulmões são um filtro constante de todas as partículas orgânicas e inorgânicas, que passam por eles a todos os momentos.

Onde as bolhas machucam…

Que tal os espaços nas articulações ?

As articulações são lugares comuns para a dor descompressiva. As articulações têm muitos componentes. Um deles é o espaço das articulações.

E os tendões e ligamentos ?

Os tendões e ligamentos são componentes da articulação. Os tendões ligam os músculos aos ossos, em cada lado da articulação. Os ligamentos ligam os ossos da articulação a si próprios. Apesar das bolhas se formarem em tendões e ligamentos, eles não são lugares fáceis para a aquoso do que de gordura. O fluxo sanguíneo é pequeno e intermitente. Não haverá muitas moléculas de gás disponíveis para a formação de bolhas.

E os nervos ?

Os tecidos do nervo estão diretamente envolvidos em alguns casos de doença descompressiva. Dor e perda das funções, ocorreram rapidamente pela compressão mecânica do nervo. Em casos sérios de problemas descompressivos, as bolhas podem, mecanicamente, machucar a espinha dorsal de muitas formas.

E a pele ?

Alguns usam o termo “Skin Bends” para designar a coceira, comum depois de uma imersão em câmara, mas rara em imersões dentro d’água. É provavelmente devido à difusão do gás através da pele.

O cérebro ?

Existe muitas discussão sobre, se e quando, as bolhas afetam a circulação arterial do cérebro. Um pequeno número de bolhas parecem bloquear os vasos rapidamente (em minutos), aí os vasos dilatam e as bolhas seguem em frente, possivelmente deixando algum dano no interior dos vasos.

Carlos Nelli Borges

Carlos Nelli Borges é Master Scuba Instructor pela PADI, Instrutor de Rebreather pela TDI (E.1211.I) e Instrutor Trainer Rebreather pela RAB (BR-133-02/98), possindo mais de 1.200 mergulhos com rebreathers.

Foi representante da Dräger no Brasil entre 1997 e 2000. Atualmente atua como instrutor na África do Sul.