Conhecendo a África do Sul e os Tubarões Brancos de Gansbaai

Foto: Damian Sadovsky

Depois de mergulhar em alguns dos melhores lugares do mundo, resolvi diversificar os destinos e finalidades de viagem, mantendo o objetivo de que, se não há natureza, não serve…

Assim comecei a fazer viagens Eco-Turísticas, porém, sempre olhando o mapa mundi e verificando que a África sempre esteve ali e que nunca dava muita atenção. Mas a Copa do Mundo mudou tudo, chamou a atenção, melhorou a infraestrutura e o serviço em si.

Após muitas conversas com minha esposa, que também mergulha e é entusiasmada, ficamos de decidir onde ir nas férias de 2011 dela, e resolvemos radicalizar: Itália ou África ?

Adivinhem quem ganhou… Olha daqui, olha dali, pacotes de operadoras locais, de operadoras de fora, com milhagem, sem milhagem, faz Safári no Krueger Park, aproveita e também vai a Botwsuana / Zimbábue, Quênia e Tanzânia ???

Na verdade tudo foi ficando muito, muito caro !

A milhagem foi descartada, pois logo após chegar à Johanesburgo, capital da África do Sul, ficava muito caro comprar os vôos locais no site da South African Airways.

Comecei a disparar e-mails para operadores de turismo de Cape Town, meu destino final da viagem para curtir e relaxar na Rio de Janeiro africana…

De repente me ligam de São Paulo. Uma moça muito simpática de uma empresa de turismo e falando em português, informando que representa no Brasil uma empresa africana de turismo, empresa a qual havia contatado por e-mail. Após uma boa conversa, fechamos um pacote pela metade do preço.

Mas qual o segredo ?

Compra de bilhetes da South African Airways a preços de pacote, divididos em 3 vezes, pelo menos… contudo não teve mágica. A parte terrestre pagos à vista, no cartão e em Rands, moeda sul-africana, convertidos ao dólar no cartão. Pelo preço, valeu muito à pena, fora que o dólar do cartão de crédito é muito mais baixo que o Dólar Turismo.

Saímos de São Paulo com conexão direta com o Krueger Park na região nordeste do país (1h de vôo) para 3 dias de Safári no Kapama Game Reserve, com direito a todos os animais e vegetação de savana.

Depois, voamos para a cidade de Cape Town (3hs de vôo com escala em Johanesburgo) e imediatamente alugamos um carro por 7 dias.

Os dois primeiros dias na região das Vinícolas, na cidade de Franschoeck, o que seria uma Campos do Jordão deles.

Fizemos um trekking pelo Monte Rochele, parque natural da cidade com uma vegetação muito diferente devido as flores da montanha e posteriormente saímos das vinícolas e de carro pela famosa Route 62 (Garden Route), que fica toda florida na primavera (outubro) e chegada para 1 dia em Oudtshoorn para visitar as cavernas, fazenda de avestruzes e o Cangoo Wild Ranch, onde fizemos interações com Xiitas, Tigres e vimos, finalmente, o Suricato.

Posteriormente partimos para dois dias em Knysna, onde contratamos um guia para visitarmos o Tsitiskama National Park e fizemos um dos trekkings mais espetaculares do mundo, com 2hs de caminhada por florestas, pedras e o mar azul, tudo misturado até chegar numa cachoeira que deságua no mar. No caminho tivemos a opção de pular no maior Bungee Jump do mundo, com mais de 200m de altura.

Partimos para Hermanus, a Búzios sul-africana, cidade que aproveita o calçadão na beira da praia como poucas cidades que já vi, com direito a trilhas, ciclovia e baleias pulando no mar, que podem ser vistas a olho nú do calçadão.

Em Hermanus, havia a possibilidade de mergulhar com os Grandes Brancos, mas era uma parte do roteiro que estava em aberto, ou seja, se chegasse lá depois de 10 dias e tudo estivesse bem, por que não ???

Então foi o que fizemos… mas a história toda está contada abaixo…

Depois de Hermanus fomos pela garden Route – Scenic Drive para Cape Town. No caminho paisagens incríveis e uma parada obrigatória no Jardim Botânica Nacional de Harold Potter.

Chegando em Cape Town, realizamos o passeio no ônibus aberto Hop On – Hop Off, pegamos uma praia em Camps Bay, e a noite, visitamos vários shoppings da cidade (Waterfront, Canal Walk, dentre outros). O problema de Cape Town é a violência… andando na rua não me senti tão confortável como nos outros lugares.

Uma pequena explicação histórica… desde que Mandela assumiu em 1994 após anos de Apartheid, a população sul-africana pulo de 28 para mais de 50 milhões. Quem veio em massa foram os africanos dos países que estavam em Guerra Civil, sendo assim, muitos Town Ships surgiram ao redor das cidades e a violência disparou. Town Ships são as favelas deles, que historicamente, devido aos naufrágios no Cabo das Tormentas, iam parar na costa, muita madeira (parede) e velas (telhados) de se tornavam casas improvisadas.

Juntemos aos brancos que dominavam o país, os negros dos países vizinhos, os muçulmanos escravizados que chegaram em 1800 e ainda, os coloridos (as 3 raças anteriores que se misturaram aos KOI-KOI, nativos muito simples que habitavam as cavernas da costa ou pequenas montanhas próximo ao mar), tudo isso gerando uma tensão racial muito forte, e verdadeiros bairros são divididos ou até mesmo ruas de quem pode e não pode morar.

A segunda principal atração de Cape Town é a visita ao Cabo da Boa Esperança ou Cabo das Tormentas. Resolvemos contratar um guia exclusivo num carro sedã para fugir dos ônibus e/ou vans de turistas, assim fizemos nosso horário e o guia nos deu uma aula completa de história do país desde os idos de 1500. Foi muito bom estar sempre adiantados por causa do carro e pegando os lugares de visitação mais vazios e com reserva garantida no único restaurante do Parque do Cabo da Boa Esperança.

Bem, mas a principal atração de Cape Town é a Table Mountain ou Montanha da Mesa.. Pode-se subir por um teleférico, mas resolvemos contratar um guia exclusivo e fizemos um Hiking (escalada mais simples) de 2hs subindo uma das muitas trilhas, com direito a uma aula de botânica para chegar ao topo da montanha.

A região de Cape Town devido à formação montanhosa de mais de 50km2, os oceanos Índico e Atlântico com ventos fortes e secos o ano todo, formaram um ecossistema completo e diferente e se tornou uma das 6 grandes áreas naturais mundiais (junto com a Amazônia, as florestas do Canadá e mais 3 que não recordo). A visitação foi fantástica e valeu muito à pena a escalada.

Todos esses passeios foram regados a muitos jantares de peixes, tiras de calamari (lulas), frutos do mar em geral com vinho branco Chardonnay ou incríveis pratos de carne de caça (Kudu, Springbok ou simplesmente Venizon) em restaurantes autorizados pelo “IBAMA” deles, regados ao vinho tinto Pinnotage da região.

Mergulho com os Tubarões

Previsão do tempo não funciona nesta parte da África do Sul.

Em Hermanus, pequena cidade turística que fica na região de Western Cape, 2hs de Cape Town, é a terra das baleias que podem ser vistas da costa, com direito a restaurantes com vista privilegiada e tudo mais. A previsão do tempo dizia uma coisa, mas as condições mudam a cada 4hs.

A previsão era de “Chuva fraca, parcialmente nublado e sem vento”… claro, marquei o passeio.

O dia amanheceu e às 6:40h da manhã, parecia que ia acabar o mundo… ventos e chuva a noite toda, o mar na frente da minha pousada estava mais revolto que água fervendo. Ligamos para a operadora para saber como seria a operação, e a saída estava confirmada.

O destino é Gansbaai, uma cidade a 45min de carro de Hermanus e 2hs e 45 de Cape Town. Se sua viagem é curta, opte por ficar em Cape Town, acorde às 3hs da manhã e faça a verdadeira maratona de passar em vários hotéis, viajar, sair no barco e voltar tudo de novo no mesmo dia. Ou se puder, curta um pouco mais desta região e faça o passeio em 3 ou 4 dias, tem muita coisa bonita de se ver.

Ao chegar em Gansbaai, graças ao GPS, estaciono, pergunto onde é a entrada do Great Shark House e quando entro achei que tinha errado a porta. Um salão gigante com lareira, bar, lareira e umas 40 pessoas em 20 mesas de pessoas tomando café da manhã. Era o café da manhã de quem ia sair para ver baleias e o tubarão branco. A maioria tinha saído às 5 da manhã de Cape Town e levado quase 2hs de carro.

Depois do café da manhã, pagar o passeio (U$ 180 porque não tinha transfer) e assinar o termo de compromisso de que não colocaria a mão para fora da jaula, andamos até o ancoradouro. Entramos em um barco enorme para 40 pessoas, 4 motores de popa de 300 HP cada um, do tipo catamarã, mas só haviam umas 25 pessoas, afinal, o mau tempo tava demais e muitos cancelaram.

Na saída do pequeno porto ondulações com mais 2m e todo mundo molhado, mas o sol apareceu e a chuva parou, porém o vento forte continuou. Chegamos nas águas azuis e cristalinas com 13 graus de temperatura, proveniente das Ilhas das Focas, Dyer Island e Geiser Rock. Entre as duas ilhas tem uma placa do McDonald´s, com um logotipo diferente… de focas, afinal, lá é a praça de alimentação dos tubarões brancos.

Detalhe interessante das focas: elas não comem na ilha, viajam em grupos e ficam até 7 dias em alto mar e retornam as ilhas. Já os machos, muito maiores, somente ficam no verão nas ilhas para acasalar, passam o resto do ano navegando pelos mares… eu não acreditei muito, tenho que pesquisar à respeito…

Infelizmente devidos as ondas não puderam baixar a jaula por ali, então tivemos que ir para perto da costa, águas mais calmas, porém mais verdes e quentes… 15 graus !

Ancoraram o barco, desceram a jaula e começaram a jogar a mistura de óleos de peixe e pequenos restos pela popa do barco, tipo um sopão… 45min de espera, todo mundo olhando para baixo na esperança de ver um bichano, trocando de roupa para colocar o neoprene de 7mm, barco balançando para todo lado e ninguém aguentou. Todos passaram mal.

Depois de algum tempo, apareceu o primeiro tubarão branco. Dois tripulantes ficam jogando uma corda com cabeças de peixe numa ponta e a outra com uma foca preta feita de madeira pintada. Jogam por uns 10m. O tubarão vêm querendo morder e os caras puxam a corda na hora, fazendo com que os tubarões se aproximem da jaula, tudo muito cronometrado. Aí foi um festival, 11 tubarões diferentes rondaram o barco, enquanto alguns biólogos que acompanham o barco e fazem as anotações. A população estimada é de apenas 3.500 tubarões brancos em todos os mares.

Após de quase 2hs de entra gente e sai gente da jaula, troco de roupa, visto o neoprene entro na água. A jaula balançava, água congelada e praticamente congelando até o estômago, mas aguentei uns 15min. Cabeça para fora, tubarão se aproximava, o cara gritava, prendia a respiração e descia para ver… e os animais passavam à frente, de um lado, do outro, por baixo, etc…

A visibilidade não permitiu boas fotos com a minha máquina, mas deu para ver com a máscara muito bem todos os detalhes: os grandes dentes, a forma como parecem que estão te olhando sempre, o nadar tranquilo e sereno desses gigantes que ficarão na memória para o resto da vida.

Depois vêm a melhor parte… congelado, ao tentar me secar com uma toalha e trocar de , veio um enjôo e mal estar, mas sobrevivi.

Como sempre, no outro dia amanheceu com um céu lindo, mar calmo, vento tranquilo, mas infelizmente já era hora de partir para Cape Town.

Quanto ao custo, aproximadamente U$ 150 se você for de carro ou U$ 300 saindo de Cape Town com transporte e tudo incluso

Valeu à pena ?

Com certeza. Recomendo e muito !

A operadora utilizada foi a Marine Dynamics Shark Tours, que fica em Gansbaai – Western Cape. O site deles é www.sharkwatchsa.co.za

Foto: Damian Sadovsky
Foto: Damian Sadovsky

Dicas

  • Melhor época para viajar: Qualquer, mas recomendo a primavera para a África do Sul;
  • Preços: roupas, eletrônicos e etc…. mesmos preços do Brasil;
  • Comida: metade do preço da brasileira (com cambio de 1 dólar = 8 Rands – Outubro de 2011);
  • Vinhos: Qualquer garrafa normal em restaurante custa U$ 15;
  • Moeda: Não aceitam dólares americanos em nenhum lugar, sendo assim, faça o câmbio sempre em casas de câmbio ou em bancos, principalmente na chegada em Johanesburgo onde há melhor cotação. É necessário assinar papéis e mostrar o passaporte. Troque sempre quantidades grandes, pois há uma comissão fixa e não vale à pena ficar trocando de 100 em 100, por exemplo;
  • Importante: Se comprar artigos de luxo ou jóias, guarde as notas fiscais e faça uma mala em separado com os presentes, pois as mercadorias devem ser mostradas dentro do salão de embarque internacional do aeroporto de Johanesburgo e depois despachadas caso precise.

Damian Sadovsky
Consultor de empresas e investimentos. Realizou curso de mergulho em 1984 com apenas 15 anos de idade. Certificado como Dive Master pela PADI e Overhead pela PDIC, mergulhou no Caribe, Galápagos, Ilha de Cocos, Egito, Austrália, Maldivas, Palau, África do sul e toda a costa brasileira, em especial a costa capixaba, onde têm documentado um ponto de mergulho pouco conhecido, a Plataforma de Linhares.