Conhecendo os destroços do naufrágio Therezina

Recentemente fui convidado pelo Andreoli, proprietário da operadora Universo Marinho de São Sebastião, para conhecer dois famosos naufrágios na Ilhabela, o Velasquez e o Therezina, pois ainda não havia mergulhado neles.

Eram 8h da manhã de um domingo, em pleno feriadão, quando foi iniciado o embarque dos mergulhadores. Logo em seguida, fomos em direção aos naufrágios na parte sul da Ilhabela, uma das maiores ilhas do país.

Tempo ensolarado, tendo a belíssima paisagem da mata atlântica à direita e a Ilhabela à esquerda, navegamos tranquilamente até o primeiro destino… o Velasquez.

Chegamos ao local e antes da colocação do cabo, infelizmente constatamos que havia uma corrente moderada. Poderíamos mergulhar, porém, não seria confortável para todos.

Por uma questão óbvia, decidimos não mergulhar ali, e partir para o segundo naufrágio, o Therezina, pois ele se encontra em local mais abrigado e com menos chances de correntes moderadas.

Os naufrágios Velasquez e o Theresina encontram-se próximos, e numa rápida navegação alcançamos nosso próximo destino.

Tudo pronto e checado, fomos para a água.

O naufrágio Therezina colidiu contra os rochedos. O impacto foi tão forte, que rachou o naufrágio ao meio. Durante o mergulho, de cara, avistamos partes do motor a vapor, como a caldeira por exemplo.

Os cavernames estão bem expostos e espalhados pelo fundo.

Um pouco mais afastado, um dos cabeços de amarração no areião.

A profundidade local vai dos 4 aos 15m, sendo a parte mais interessante do naufrágio entre os 8 e 12m.

O naufrágio ficou bem desmantelado, em virtude não só do impacto, mas principalmente pelo tempo que os destroços encontram-se na água. Além é claro, pela força das marés e correntes atuantes no local, que alguns dias do ano, costumam ser bem fortes.

O mergulho foi muito tranquilo e não há restrições, permitindo que qualquer mergulhador, seja ele recém certificado ou avançado, poderá ir lá visitá-lo com tranquilidade

O naufrágio Therezina é um ótimo local para a realização de cursos de naufrágio, pois ele exige conhecimento e boa atenção para a identificação de suas peças e partes.

Após 1h de fundo, regressamos à embarcação e fomos para o segundo ponto de mergulho contemplar as belezas naturais que a Ilhabela nos proporciona. Foram outros 60min de fundo, entre fendas e avistando pequenos seres habitando os rochedos da grandiosa ilha que é cheia de mistérios e belezas naturais.

Fechando o dia, regresso a operadora de mergulho com direito ao pulo na piscina e churrasco com amigos.

Quem não deseja um dia como esses, com tanta correria que passamos durante a semana ?

Uma grata surpresa

No dia seguinte após o mergulho, conversei com um inglês amigo meu residente nas terras altas da Inglaterra.

Coincidentemente ou não, um parente dele trabalhara em uma instituição histórica, e acabou conseguindo uma foto inédita do naufrágio Therezina, ainda quando se chamava Siegmund, quando era de propriedade da empresa de cargas Hamburg Sudamerika, sendo a primeira foto desta matéria e em primeira mão.

Agradecimentos

Andreoli da operadora Universo Marinho, pelo apoio prestado. A operadora que também é escola de mergulho, possui toda a infraestrutura para mergulho recreacional e técnico, com recarga, aluguel de equipamentos, pousada e operações especiais para mergulho técnico.

John Andrews, pela grata surpresa e contribuição para a nossa história marítima.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.