Conhecendo os novos naufrágios de Recife

Foto: Rafael Demôro

No último dia 4 de maio, o Brasil ganhou mais três naufrágios artificiais, o Taurus, Saveiros e Mercúrius, fazendo parte de um projeto desenvolvido pela Associação das Empresas de Mergulho do Estado de Pernambuco (AEMPE) e a Wilson Sons, empresa proprietária dos rebocadores e que doou os mesmos para este propósito. Com isso, Recife firma ser a capital dos naufrágios artificiais do Brasil, atualmente contando com 9 embarcações afundadas.

Hélio Vaisman da Wilson Sons, responsável pelo projeto e um dos idealizadores dos afundamentos das embarcações para a criação de recifes artificiais, prestou todo o apoio na logística, limpeza e reboque das embarcações.

O projeto envolveu as comunidades acadêmicas da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UPFE), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade de Pernambuco (UPE) e a Universidade Federal do Ceará (UFC), para o desenvolvimento do projeto científico de acompanhamento do processo de colonização e ocupação biológica dos naufrágios.

O processo foi acompanhado pela Capitania dos Portos de Pernambuco, Grupamento dos Bombeiros Marítimos, IBAMA e apoio logístico das embarcações das operadoras Aquáticos e Seagate.

Foto: Guilherme Silvestre
Foto: Guilherme Silvestre

Os afundamentos

A primeira embarcação afundada, foi o Rebocador Taurus às 09:56hs, levando 17 minutos para afundar, após a abertura das válvulas e retirada das chapas cortadas previamente no casco.

O Rebocador Mercúrius afundou às 11:15hs e o Rebocador Saveiros às 11:43hs.

Conforme acordado entre os envolvidos no projeto, o naufrágio Mercúrius estará fechado para visitação de mergulhadores durante 1 ano, ficando o acesso exclusivo aos pesquisadores com projetos autorizados pelo IBAMA. Este naufrágio estará sendo acompanhado desde o primeiro dia de afundamento e comparado com um segundo naufrágio idêntico (Rebocador Saveiros) liberado para mergulhadores, para se verificar se existem grandes impactos no habitat marinho.

Foto: Rafael Demôro
Foto: Rafael Demôro

Em primeira mão

Convidados pela operadora Aquáticos, nossa equipe foi conhecer os mais novos naufrágios, em uma rápida ida até Recife em apenas um final de semana.

Saímos do Rio de Janeiro em um vôo às 20:40h e chegando a Recife por volta das 23:45h de sexta-feira, indo direto ao hotel.

No dia seguinte, fomos para a operadora, onde posteriormente fomos conhecer os novos pontos de mergulho.

Os mergulhos

No primeiro dia, descemos no Rebocador Taurus, que assim como os demais, encontra-se em pé e em fase de acomodação junto ao solo. Um dos pontos que mais nos chamou a atenção neste naufrágio, fui sua grande hélice. O tamanho de uma hélice de um rebocador, visualmente é desproporcional ao seu tamanho, e para aqueles que estão acostumados a visualizar hélices de navios à vapor e cargueiros, irão estranhar essa peça da embarcação.

Apesar do naufrágio ser recente, a água encontrava-se em boas condições à sua volta, e incrivelmente já encontramos vida no interior da embarcação. Pequenos seres e alguns cardumes já circulavam em seu interior, como se o local não fosse nenhuma novidade, o que nos deixa impressionado como foi rápido o início da habitação marinha.

No dia seguinte, nossa equipe foi conhecer o Rebocador Saveiros, maior que o primeiro, este por sua vez, demonstrava que sua acomodação ainda estava se acertando, pois era perceptível o balançar da embarcação, pois com a passagem de uma leve corrente pela face externa, fazia com que a embarcação se mexesse levemente.

Assim como o Taurus, também encontramos vida no Saveiros, e a possibilidade de visitar o interior da embarcação sem riscos. Todos os três rebocadores passaram por um excelente processo de limpeza e abertura de portas, evitando a possibilidade de acidentes no interior dos mesmos.

Após dois dias de mergulhos, onde estivemos nos dois naufrágios citados acima, estivemos também nos já conhecidos Vapor de Baixo e Pirapama, onde no meio da tarde, retornamos para a excelente base da Aquáticos, não só felizes, mas como satisfeitos pela realização de um excelente trabalho de dezenas de pessoas. Podemos dizer que Recife hoje, é líder na criação de recifes artificiais, ganha mercado e demonstra que a seriedade só traz benefícios não só aos mergulhadores, como ao turismo, empresas do setor e gera novos empregos diretos e indiretos. Ao chegarmos à base, lavamos nosso equipamentos e fomos deliciar a excelente culinária pernambucana.

No dia seguinte pela manhã, retornamos ao Rio de Janeiro, com a lembrança dos belíssimos e tranquilos mergulhos realizados com águas a 29ºC, em uma parte Brasil que a cada dia, fica mais próxima com as grandes promoções das companhias aéreas.

Agradecimentos especiais

Operadora Aquáticos, pela receptividade, atenção e profissionalismo antes, e durantes as operações. Destacamos esta, como sendo uma das melhores operadoras do país;

  • A empresa Wilson Sons, na pessoa de Hélio Vaisman, que doou as três embarcações à AEMPE. Iniciativas como esta só vêm engrandecer o turismo subaquático de Pernambuco;
  • João Carlos Feijó e José Mário Lobo, participantes no sucesso do empreendimento;
  • Prof. Fábio Hazin e sua equipe, entre eles Alessandra Fischer e Douglas Santos, responsáveis diretos pelo projeto científico e da realização do Estudo Ambiental Simplificado;
  • Carlos Henrique, Guilherme Silvestre e Rogério Lippo, pelas fotos e receptividade de nossa equipe;
Clecio Mayrink

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount).

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou como consultor para a ONU, UNESCO, Segurança Pública, além de diversos órgãos públicos no Brasil.