Conservação de Slides e Negativos

A conservação de material fotográfico é um assunto bastante extenso. Existem profissionais especializados nesta área e diferentes técnicas são utilizadas para filmes e papéis não expostos, negativos, slides e cópias impressas.

A gravação da imagem em um negativo, slide ou papel fotográfico é o resultado de um processo baseado em reações químicas. Apesar dos processos de revelação serem criados de forma a interromper as reações ao final da revelação, todos os materiais fotográficos estão sujeitos a reações posteriores, que podem alterar a qualidade da imagem.

O segredo da conservação é evitar a presença de fatores que provoquem ou acelerem as reações químicas ou a deposição de materiais estranhos sobre o material fotográfico. Os materiais estranhos podem conter substâncias químicas que reagem com o material ou danificar fisicamente (riscar) sua superfície. E, como regra geral, os filmes e papéis coloridos são em geral mais sensíveis que o preto e branco.

A seguir, procurei resumir algumas recomendações gerais para conservação de slides e negativos.

Originais primeiro: proteja seus originais. Se os negativos ou slides originais forem conservados adequadamente, sempre é possível fazer uma nova cópia em papel ou slide. No caso de slides, evite projetar os originais sempre que possível; o calor e a luminosidade do projetor são extremamente agressivos.

Limpeza: mantenha seus slides e negativos sempre limpos. Quaisquer materiais depositados sobre o material fotográfico pode reagir quimicamente com o filme e alterar características da imagem. Poeira, gordura e fungos são os inimigos mais comuns. É fundamental limpar cuidadosamente os slides ou negativos antes do armazenamento.

Materiais de armazenamento: utilize materiais de armazenamento (pastas, envelopes, molduras, carrosséis, etc.) próprios para a conservação de materiais fotográficos. Muitos dos materiais vendidos no mercado brasileiro utilizam plásticos (como o PVC) ou papéis (ácidos) que reagem quimicamente com os filmes; alguns chegam até a “grudar” nos slides ou negativos. Fabricantes como a PrintFile são especializados na fabricação de materiais quimicamente neutros.

Umidade: o ideal é manter os originais em ambientes com uma umidade relativa do ar entre 30% e 35%. Ambientes secos demais ressecam o filme e ambientes excessivamente úmidos facilitam a proliferação de fungos. Para o armazenamento comum (menos de 10 anos), ambientes com umidade de até 60% são toleráveis. Caso você não consiga controlar a umidade do local de armazenamento, sele os seus originais em envelopes a prova de umidade (a manipulação deve ser feita somente em ambientes de umidade controlada).

Temperatura: o frio retarda reações químicas e dificulta o ataque por fungos. A condição ideal é armazenar os materiais fotográficos a uma temperatura de aproximadamente –18º C. Se isto não for possível, quanto mais frio melhor. Evite guardar seus slides ou negativos em ambientes a mais de 24º C ou sujeitos a variações significativas de temperatura. Freezers domésticos ou geladeiras são excelentes locais de armazenamento desde que você consiga manter a umidade relativa dentro dos limites aceitáveis.

Ambiente: evite armazenar seus slides e negativos em ambiente poluídos ou próximos a equipamentos que utilizem alta tensão e/ou gerem ozônio. Outro aspecto importante é proteger seus originais da luz; ela gravou a imagem no filme e pode destruí-la da mesma forma. Nunca armazene seus originais em armários de roupa, já que estes são em geral excelentes habitats para traças e outros insetos capazes de destruir completamente suas imagens.

Além destas recomendações básicas, eu costumo adotar algumas outras regras:

– Selecione o filme ou o papel correto, já que diferentes filmes e papéis possuem diferentes características de durabilidade.

– Sempre que possível, eu faço mais de uma exposição de uma cena, gerando vários originais.

– Copie e armazene as cópias de seus melhores originais em locais diferentes: você nunca sabe quando será vítima de um incêndio, enchente ou roubo.

– Digitalize- meus melhores originais são digitalizados e armazenados em CD-ROM. Apesar de haver uma perda de qualidade no processo, o CD-ROM é uma forma adicional de armazenamento que não se degrada com a utilização. Embora muitos digam que o CD-ROM é uma forma de armazenamento para longo prazo, eu tenho minhas dúvidas que daqui a 10 anos ainda tenhamos leitores de CD-ROM nos computadores.

Pedro Paulo Cunha

É engenheiro naval e atua na área de informática desde 1981, sendo atualmente responsável pela área de sistemas de um banco.

Começou no mergulho autônomo em 1983, e iniciou sua carreira de instrutor em 1984. É instrutor PDIC, NAUI e SSI e instructor trainer TDI. É credenciado em diversas especialidades, desde Mergulho sob o Gelo (PADI e NAUI) a mergulho com misturas / Trimix (TDI) e é autor de cursos de especialidades NAUI.

Escolheu o mergulho técnico e equipamentos avançados de mergulho como área de especialização, tendo também, um grande interesse em história do mergulho, sendo o único membro brasileiro da Historical Diving Society.

É responsável pelas atividades da Tech Diving em São Paulo.