Conservando um achado submarino

Para a conservação de um achado submarino, são necessários alguns procedimentos para que este não se deteriore. É importante que o processo de conservação se inicie logo após a retirada do objeto da água, pois qualquer objeto sofrerá um impacto muito grande com a pressão e força de gravidade atuante no local onde o objeto for encontrado.

Teoricamente, não há tempo para se finalizar o processo de conservação, e dependerá também, do estado em que este objeto fora encontrado.

Dezenas de pesquisadores ainda estudam os processos químicos para uma conservação adequada, pois cada material exige uma conservação em especial, onde na mairoria das vezes, estes procedimentos são muito complexos. Embaixo d’água, qualquer objeto sofre ações físicas, químicas e biológicas, além da pressão atuando sob a superfície, correntes, temperatura, luz, penetração da água doce ou salgada, fazendo com que as moléculas se transformem em outro tipo de objeto. Uma a uma, as moléculas vão se combinando com íons livres, que se dissolvem na água e formando novos compostos químicos.

Além dos fatores citados acima, há também a destruição do objeto devido à presença de certos animais como o Buzano, que ataca diretamente a madeira como se fosse um cupim. Cracas e corais que se prendem ao objeto afundado, podem liberar elementos químicos que podem vir a ajudar na deterioração.

Ao sair da água, qualquer objeto sofrerá novas ações sob a sua superfície, havendo um desequilíbrio químico e físico, tendo sua velocidade acelerada em função do contato com o ar. O próprio sal ao penetrar no objeto, irá endurecer e poderá facilitar a criação de rachaduras, que por sua vez, facilitará com que o objeto venha a se quebrar.

O que fazer então ?

Antes de qualquer outra coisa, nunca exponha o objeto recuperado ao sol. Isto irá acelerar o processo de deterioração e dependendo do tipo de material deste objeto, ele irá partir em questão de minutos.

Dependendo da profundidade em que o objeto se encontra, deve-se tomar todo o cuidado com esta variação, principalmente quando falamos de garrafas e compartimentos fechados, pois existe o risco dela vir a ser partir devido à expansão do ar em seu interior. Uma lateral de uma garrafa onde se encontre um determinado tipo de coral, pode estar retendo ar ou gases por exemplo.

Outro cuidado importante, é não deixar a peça secar. Ao retirar da água, coloque o objeto recuperado em um balde com a água do local da recuperação e protegido da luz, para que este não tenha contato com o ar, mantendo- imerso até a chegada em terra. Isso ajudará a manter o mesmo pH e salinidade.

Se o objeto está completo, retire com cuidado todos os corais e sujeiras ao redor deste. Em objetos como o vidro por exemplo, o ácido acético (também conhecido como vinagre de cozinha ou mesmo o cloro), podem facilitar a retirada das substâncias presas à peça. Para objetos metálicos e que não estejam em fase de corrosão, um banho químico com ácido muriático é o ideal. Este poderá ser encontrado em qualquer loja especializada em tintas de parede.

Deve se tentar também, a dessanilização, que é a quebra do sal que esteja ao redor e/ou interior do objeto. Em algumas situações em que o objeto recuperado tenha alguns corais à sua volta, isto poderá indicar que em seu interior, poderá não haver mais nada à ser recuperado. Nesses casos, o indicado é levar a peça até um centro especializado e tirar um Raio-X para saber se ainda há metal em seu interior. Sendo de metal, deve-se colocar o objeto em um recipiente com uma solução química de 1/1 de água com ácido muriático, deixando a peça de molho por algumas horas, e posteriormente colocando a peça na água doce pelo maior tempo possível. O mais importante, é evitar o contato do metal com o ar.

Caso o processo de oxidação continue, é aconselhável o uso de um verniz para tentar conter a mesma. O correto, seria um processo à base de banho eletrolítico com alta voltagem, porém, é um processo bastante complicado e em alguns casos, caro.

Tipos de objetos

Estanho – Para a limpeza e conservação das peças de estanho você deve usar apenas sabão de coco e água morna. Para dar brilho passe um pano embebido em querosene, e posteriormente lustrando com uma flanela seca.

Prata – Os talheres de prata depois de lavados e limpos com produto especial para prata e enxugados, se forem envolvidos em papel de seda preto, ou em um saco de plástico, permanecerão com brilho por mais tempo. Para recuperar o brilho do faqueiro de prata guardado por muito tempo, mergulhe os talheres por dez minutos em uma solução de 01 litro de água fervente, 01 colher de sopa de sabão em pó e 02 colheres de amônia. Depois, lave-os na torneira em água quente e, em seguida, em água fria.

Espelhos – Para os espelhos amarelados, sem brilho e com manchas, existem maneiras de evitar estragos. Sigas os seguintes passos:

1 – Quando os espelhos estiverem muito embaçados, passe um pedaço de jornal amassado embebido em álcool. A seguir, finalize a limpeza com outro jornal seco.

2 – Para tirar manchas de tinta, tente aplicar, com um pedaço de pano e depois, um pouco de vinagre aquecido.

3 – Para melhorar o reflexo do espelho, passe vinagre misturado com água, em partes iguais, enxugando logo após com uma flanela.

4 – Evite deixar qualquer tipo de espelho exposto ao sol. A luz e o calor irá prejudicá-lo, tornando turvo e escuro, além de manchas irremovíveis.

A recuperação de objetos requer tempo, paciência, e algumas vezes, muito investimento para que consigamos preservar o item recuperado. Independente de qualquer coisa, lembre-se que a retirada de peças de naufrágio ou qualquer coisa esteja embaixo d’água, fere leis federais.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.