Construindo um Sinalizador Sub

Foto: Clécio Mayrink

Há algum tempo atrás, mergulhadores foram até à Laje de Santos apreciar as belezas naturais do local, durante um dia ensolarado e mar relativamente calmo.

Horas se passaram e as condições climáticas mudaram repentinamente, pegando todos despreparados. O que se via, era uma agitação por parte dos operadores de mergulho, na tentativa de chamar os mergulhadores de volta ao barco, pois as condições de mar estavam piorando rapidamente, o que poderia trazer alguns transtornos quanto à segurança de todos.

No caso acima, ainda haviam mergulhadores na água e o processo foi dificultado face às dificuldades na comunicação entre a equipe de superfície e quem estava mergulhando.

E como resolver isso ?

Pensando à respeito, andei fazendo algumas pesquisas juntamente com um engenheiro, onde surgiu a idéia de construir um protótipo de sinalizador subaquático, que posteriormente, acabou sendo batizado de “Dive Return”.

Um pouco de física

A velocidade do som é a distância percorrida por uma onda sonora X unidade de tempo. Na água, a velocidade do som atinge aproximadamente 1.500 m/s, sendo quase cinco vezes mais rápida que no ar.

Imagine uma sirene dessas utilizadas em alarmes de anti-arrombamento de veículos. O som é estridente e alto, devido ao tipo de onda produzida, o que provê maior abrangência de campo.

Baseado nisso criamos um “bizarro”, porém, eficiente sinalizador à partir de um pedaço de tubo em PVC, onde o mesmo é imerso na água, permitindo que uma sirene fique abaixo da linha d’água. O som produzido por ela, obtém um pequeno ganho devido ao aumento da vibração no interior do tubo em questão, permitindo que o mergulhador escute o “alarme” embaixo d’água.

Fabricando o protótipo

Basicamente foram utilizados os seguintes itens:

  • Tubo em PVC com 1.20m e diâmetro de acordo com a sirene utilizada
  • 2 tampões de tubo PVC
  • Bateria 12v
  • Durepóxi
  • Fio
  • Chave Liga-Desliga
  • Cola de Silicone
  • Sirene utilizada em sistemas de alarme
  • Ferro de Solda

Montagem

1 – Faça a soldagem dos 2 fios na sirene;

2 – Encaixe a sirene deixando-a virada para baixo e no final do tubo PVC. Como o tubo PVC deve possuir o diâmetro da sirene, o local onde ela será encaixada, ficará em formado oval;

3 – Para evitar a passagem de água para o interior do tubo PVC, coloque 1 dos tampões de PVC na extremidade inferior do tubo e aplique uma camada de silicone nos espaços entre o tampão e o tubo PVC.

4 – Após a secagem do silicone, aplique uma camada de Durepóxi na junta do tampão e do tubo PVC.

5 – Após secagem do Durepóxi, passe uma nova camada de silicone em torno do Durepóxi já seco, para diminuir ainda mais a possibilidade de entrada água. Lembre-se que este passo é muito importante para evitar uma inundação.

6 – Puxe os fios já soldados na sirene para a outra extremidade, passando-os por um buraco à ser feito no outro tampão, e ligue-os na chave liga-desliga e na bateria.

7 – Finalizadas as ligações, basta fechar o tampão traseiro e pronto.

No modelo criado foi adicionado uma haste de metal, para facilitar o uso na água.

A bateria utilizada no protótipo, foi uma bateria antiga de lanterna HID, que já tinha problemas de efeito memória e iria para o lixo. A vantagem dela, é o formato. Com pouco diâmetro, ela se adapta mais facilmente no tubo PVC.

Resultados

Durante os testes o som foi facilmente percebido pelos mergulhadores num raio de 250m em relação à embarcação.

Percebemos que por haver ar no interior do tubo PVC, o mesmo apresentou um pouco de flutuação. Isso pode ser resolvido com um simples pedaço de chumbo preso ao tampão inferior, para compensar essa pequena flutuação positiva.

Essa dica pode não resolver 100% dos casos, mas pode ajudar em alguns. Se você possui alguma outra dica e/ou melhoria, entre em contato, pois afinal de contas, a segurança do mergulho deve sempre estar em primeiro lugar.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.