Corveta V17 Ipiranga – Mudanças à vista

Foto: Clécio Mayrink

O Mergulho Autônomo deve ser uma atividade dinâmica, deve evoluir em função do mercado, das exigências dos clientes e da tecnologia disponível. Essa evolução deve visar a segurança, a satisfação e a autorealização dos mergulhadores. O mergulho técnico (ou Tek), uma das modalidades mais recentes, com imagem ligada à modernidade e a técnica, não pode fugir dessa regra. Nos últimos 10 anos, o mergulho “Tek” foi amadurecendo no Brasil e em Fernando de Noronha.

Com estas palavras, Patrick Muller, diretor e proprietário da Atlantis Divers de Fernando de Noronha, dá a prévia do que será uma das grandes novidades propostas para este ano no mercado de mergulho do Brasil. Um dos naufrágios mais conhecidos de todo o país e com certeza o mais desejado por dez entre dez mergulhadores, a Corveta V17, sofrerá alterações significativas em sua operação.

As alterações vão ao encontro de uma busca por práticas mais seguras de mergulho, além da finalidade de proporcionar uma experiência mais rica ao mergulhador que  se aventura para além dos 40 metros de profundidade.

Hoje em dia, todos sabem dos benefícios do Trimix (O2, N2, He) em mergulhos profundos. É a melhor escolha de gás quando a narcose passa a ser um fator de risco considerável e a percepção precisa estar mais aguçada para um mergulho mais complexo. Foi com base neste tipo de informação, que a Atlantis iniciou em março de 2006, um forte trabalho de conscientização dos clientes da Corveta quanto à importância da utilização do Trimix neste mergulho, que ultrapassa os 50 metros de profundidade.

A experiência deu certo e ao longo de um ano, 95% dos clientes optaram  pelo uso do hélio, percebendo claramente os benefícios deste gás, mais ainda quando já haviam tido experiências anteriores nessa profundidade usando apenas Ar Comprimido. A grande maioria relata que com o uso do Trimix a beleza da Corveta foi realçada, pois a percepção dos detalhes aumenta consideravelmente, sem falar no conforto respiratório devido à menor densidade da mistura.

A idéia toda foi finalizada e concretizada neste início de 2007 com a publicação pela PDIC em seus standards, dos critérios para o “Discovery Tek”. Estes critérios foram adotados pela Atlantis para a operação da Corveta e começaram a vigorar em março deste ano. Um treinamento mínimo em Trimix passará a ser exigido.

Vários centros de treinamento no Brasil já oferecem os cursos de Trimix Recreativo ou Trimix Técnico, Além disso, o mergulhador que chega em Noronha, pode optar por fazer este curso em vantajosos pacotes que já incluem a saída na Corveta e os gases necessários para todo o treinamento. Com tudo isso, mudam as regras para os candidatos ao mergulho na V17, que passam a ser as seguintes:

  • Cursos: Avançado e Trimix Recreativo (Rec Trimix);
  • Número de mergulhos: Mínimo de 25 mergulhos;
  • Saídas de avaliação: Mínimo de 2 saídas com a Atlantis Divers;
  • Gás de fundo: Obrigatório uso de Trimix;
  • Gás de deco: EAN 50.

Como toda a mudança exige adaptação, haverá para estas mudanças um período de adequação do mercado às novas regras.

Portanto, os centros de treinamento, parceiros e clientes da Atlantis Divers que tenham dúvidas ou precisem de informações, podem fazer contato através do e-mail tek@atlantisdivers.com.br, ou diretamente com o Coordenador de Mergulho Técnico, Ismael Escote pelo e-mail ismael@atlantisdivers.com.br.

A adoção destes critérios mostra não apenas o respeito ao cliente que passa a fazer um mergulho muito mais seguro e consciente, como também a capacidade de evolução do mercado de mergulho no país que certamente dá um salto qualitativo em Fernando de Noronha.

Ismael Escote

Atuou como instrutor de mergulho em caverna durante longo tempo na cidade de Bonito-MS.

Possui formação como Instrutor Trimix pela IANTD e Instrutor Tek Trimix pela PDIC.

Atualmente encontra-se em Fernando de Noronha atuando na operadora Atlantis Divers.