Cozumel – Calor, visibilidade e muita vida marinha

Estava tentando emitir um vôo por milhagem e apareceu a possibilidade de ir até Cozumel, uma grande ilha no México, onde o mergulho por lá é considerado um do melhores do mundo, face a claridade e temperatuda da água. Além de tudo, porque em Cozumel está a segunda maior barreira de corais do mundo, perdendo apenas, para a barreira de corais da Austrália.

Tickets emitidos e lá estava eu indo para Cozumel, chegando em um aeroporto pequeno, porém funcional. Pegamos uma van (U$ 9 por pessoa) que nos deixou em um resort que atua com o sistema “all inclusive”, onde toda a comida e bebida estão incluídas na diária, não sendo necessário pagar nada além disso, o que é muito bom, pois é uma preocupação à menos durante a viagem.

Ao longo da ilha, há diversas praias, porém, com pedras em sua extensão. Não são praias que permitam uma caminha sob a areia, sendo que as únicas com areia em sua extensão, as pertencentes aos resorts e empresas particulares como Chankanaab, onde se paga para entrar e desfrutar da praia e de diversos outros serviços, como o uso de equipamento básico de mergulho, caiaques, dentre outras modalidades.

Quanto ao mergulho, Cozumel possui diversas operadoras, sendo a maior delas e mais conhecida, a AquaWorld, possuindo diversas embarcações e uma estrutura invejável.

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Mergulhos

Realizei apenas seis mergulhos embarcados em Cozumel, em razão do tempo que iria ficar na ilha, pois iria à Playa del Carmen posteriormente, mas foi o suficiente para ficar na recordação a maravilhosa visibilidade local, pois algumas vezes, tínhamos impressão de que a visibilidade ultrapassava facilmente os 60m. Víamos outros grupos de mergulhadores à longa distância, parecendo estarem mais de 100m de nós.

Nossa embarcação saiu do píer do resort e chegamos em apenas 10 ou 15min no ponto de mergulho, uma navegação tranquila, sem ondulações e rápida. A profundidade no local variava entre os 18 e 27m aproximadamente, e encontramos diversos “cabeços” de corais, recheados de vida marinha, com um chão coberto de restos de corais mortos já esbranquiçados, deixando o chão com uma tonalidade bem clara.

A vida marinha local é muito variada, com peixes de pequeno e grande porte, além de arraias, tartarugas e enormes lagostas, que dão um show à parte.

A água em si, é quente se comparada ao que encontramos no Brasil, porém, um pouco mais fria que em Bonaire, Curaçao e Aruba, por exemplo. Durante os mergulhos, a temperatura girava em torno dos 25 / 26ºC, e acredito que o uso de uma roupa de 5mm é recomendável. Com sou friorento, uma de 5mm seria o ideal de conforto para mim nesse aspecto.

Os mergulhos realizados foram do tipo “drift dive”, ou seja, mergulhos em correntenza e guiados por um divemaster. Quando mergulhar por lá, deve-se ter atenção especial às correntes, pois como Cozumel está a 17km do continente e devido ao formado de costa da ilha, fluxo de água corrente é maior e mais rápido no local, sendo bem fortes e podem pegá-lo de surpresa se você não mergulhar no horário adequado, principalmente se for realizar um mergulho sem embarcação. Saindo de algum píer ou praia, não deixe de informar a operadora local e utilize um divemaster local.

Eu mesmo acompanhei com um instrutor local que estava realizando um checkout de curso básico, e fomos pegos por uma forte corrente dessas, que virou repentinamente em menos de 3min, sendo uma corrente perigosa, pois ela joga os mergulhadores para longe da costa da ilha.

Nesse dia em questão, ao chegarmos na operadora, encontramos um grupo de brasileiros de São Paulo que lá estavam passando o feriadão, e que também tiveram grandes dificuldades de regressar até a praia, e que por pouco não precisaram de um resgate com embarcação.

O uso de um deco marker é extremamente recomendável em Cozumel.

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Além do mergulho

Em Cozumel há pouca coisa para ser feita além dos mergulhos. Você pode curtir uma praia, alugar um scooter ou carro para andar pela ilha, ou ainda, conhecer o pequeno centro turístico da ilha, onde se localiza o shopping Punta Langosta, com algumas lojas de roupas e lembranças da ilha.

Na área principal do centro, uma avenida beira mar, encontramos diversas lojas comercializando artesanato, relógios e jóias.

Andando por lá não vi problemas e me senti seguro, levando em consideração que o México está sendo considerado um dos países mais perigosos para os turistas. No México não é recomendado andar com dinheiro e pertences caros pelas ruas. Cozumel em si, ainda é um local seguro, porém se sair para algum outro destino no país que não seja a ilha, é bom ter uma certa precaução, pois recentemente turistas andaram tendo problemas na região de Cancun e Monterrey.

Indo à Cozumel, aproveite a oportunidade e atravesse o “canal” de ferry boat, e visite a cidade de Playa del Carmen, considerada por muitos, como a “Cancun de 20 anos atrás”. É uma cidade bonita, com lidas praias e sem os enormes resorts que popularizam atualmente as praias de Cancun. A vida noturna na quinta avenida é bem bacana à noite, e muito bem frequentada.

A partir de Playa del Carmen, pode-se visitar as pirâmides Maias de Chichen Itza, distante 2h de carro. Nesse caso, recomendo contratar uma empresa com guia, pois você não terá que se preocupar com aluguel de carro, e principalmente, com possíveis “dores de cabeça” com a polícia local. Além do relato de alguns amigos, é possível encontrar na internet, muitos relatos de pessoas que tiveram problemas com a polícia nas estradas, pois apesar de estarem trafegando dentro do limite de velocidade permitida, os turistas foram abordados e extorquidos pelos policiais. Durante nossa ida à Chichen Itza, realmente vimos várias blitz sendo realizadas, porém, as vans das agências de turismo não são paradas.

Quanto à Chichen Itza, é um passeio que dura um dia inteiro, custa em média U$ 49 por pessoa, porém, não é caro, se levarmos em consideração que saímos cedo, havia um almoço incluso e retornamos às 20h para Playa del Carmen.

Antes de atravessar até Playa del Carmen, verifique os horários do Ferry Boat e compre o ticket na hora em que for utilizá-lo.

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Dicas

Operadoras de mergulho: AquaWorld e Divers Paradise;

– Pague o transfer do aeroporto para o hotel somente no aeroporto. Pela internet as empresas recomendam uma reserva antecipada, o que não é necessário. Além de custar mais que o dobro, no aeroporto há várias empresas oficiais realizando este serviço;

– Nos hotéis do México, evite deixar objetos de valor fora do cofre ou da bagagem. Mantenha seus objetos sempre guardados, mesmo que seja um simples carregador de celular;

– Quanto ao ticket do ferry boat, recomendo a empresa Ultramar, porém, compre o ticket na hora do embarque, e não pela internet. Tenho o costume de comprar tudo antecipado e tive problemas com a Ultramar. Levaram quase uma semana para enviar os tickets por e-mail, o processo é tratado de forma manual, no embarque tudo foi mais demorado devido ao tipo de compra que fiz, e além de tudo, não existe hora e assentos marcados;

– Tenha um cuidado especial com sua bagagem no que diz respeito aos vôos, se for viajar com companhias mexicanas. Há uma em especial, que é líder em reclamações na internet devido a bagagem extraviadas e arrombadas. Faça uma busca e verá facilmente as pessoas reclamando;

– Dólares são aceitos tanto em Cozumel quanto Playa del Carmen;

– Os táxis são tabelados, mas procure ter uma idéia de preço X distância.

– Para o México é preciso visto, porém, se você possui visto americano, não será necessário a obtenção do visto mexicano.

– Tendo tempo, faça um passeio no submarino da Atlantis. Clique aqui e saiba mais.

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Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.