Desmontando o rádio Nautilus Lifeline

Foto: Clécio Mayrink

Sempre tive curiosidade em saber como era feito o fechamento e isolamento interno do rádio Nautilus Lifeline, além da troca da bateria interna, mas nunca me arrisquei a tentar abrir o meu rádio, pois cheguei a escutar de um amigo, que pelo formato do rádio em si, haveria chance dele ser fechado sob vácuo, e que uma vez aberto, a caixa estanque precisaria ser trocada.

Sempre achei estranha essa possibilidade e ficava com a pulga atrás da orelha e tendencioso a abrir o dito cujo, ainda mais quando o meu começou a apresentar problemas, me obrigando a enviá-lo para a fábrica no Canadá para ser analisado e possivelmente trocar a bateria, como o suporte deles mencionava. Na época esse envio me gerou muita dor de cabeça pelo péssimo serviço de atendimento deles (leia a história completa). Além do alto custo, continuei sem saber como era feita a substituição da bateria, até que um amigo surgiu com uma unidade apresentando defeito.

Descrente com o serviço do fabricante, ele deixou seu rádio para que eu avaliasse o equipamento e tentasse encontrar uma solução para o problema.

Abrindo o Nautilus Lifeline

Após algum tempo analisando o equipamento, utilizando ferramentas especiais, além é claro, de algum conhecimento técnico, consegui identificar os pontos de abertura do Nautilus Lifeline, o que me permitiu realizar a desmontagem do produto sem maiores dificuldades, não sendo um procedimento recomendado para qualquer pessoa.

Além das ferramentas apropriadas, é necessário conhecimento técnico em eletrônica, pois existem algumas “pegadinhas” durante o processo de desmontagem, como um cabo flat que interliga o painel superior ao circuito eletrônico do rádio, e esse era um dos problemas do rádio deixado comigo, e que darei mais detalhes mais a frente.

O rádio não ligava

A queixa principal era que o rádio não ligava. Na maioria das vezes esse tipo de problema está ligado à bateria de lítio, e o Nautilus utiliza o modelo de bateria de lítio mais comum atualmente no mercado, a 18650.

Baterias de Lítio quando não são recarregadas a cada dois meses, podem sofrer um processo de “hibernação”, ou seja, ela não recarrega mais até que se dê uma carga mais forte que a normal para que ela “acorde”. Esse processo pode ser feito através de duas formas: pequenos curtos rápidos (menos recomendável) ou usando um carregador especial (o recomendável) colocando uma potência de carga (amperagem) mais forte, mas tomando cuidado para que a bateria não esquente, caso contrário, ela poderá causar um grande estouro e pegar fogo, podendo inclusive, causar um incêndio no local.

Diante do problema, realizei uma carga mais forte e a bateria voltou a funcionar como antes, conseguindo armazenar a carga necessária para manter o rádio ligado, mas infelizmente o rádio possuía outro problema… um conector mal soldado de fábrica.

O cabo flat e a pegadinha

Existe um cabo flat responsável pelas conexões eletrônicas entre os botões que o mergulhador usa para acionar o rádio e o circuito eletrônico.

Esse conector possui 20 vias de comunicação (10×10), ou seja, como sem fosse 20 fios que interligam de um lado ao outro do equipamento. O grande problema é que o conector que “segura” as pontas metálicas do cabo flat e responsáveis pela passagem da corrente elétrica / eletrônica, é muito frágil e se desgasta com facilidade conforme o manuseio, não c conseguindo manter fixado o cabo flat nos contatos dos terminais, sendo o principal defeito desse Nautilus deixado comigo.

Uma alternativa para resolver o problema, seria fazer a ligação dos 20 terminais diretamente usando fios bem finos, mas além do processo trabalhoso, dificultaria uma nova abertura do rádio para futura manutenção.

Nesse caso, optei pela compra de um novo conector diretamente na China, que apesar do custo irrisório, tem como fator complicador a análise das características do tipo de conector usado, sendo preciso adquirir um modelo igual ao próximo do modelo usado no rádio. É preciso tirar as medidas “milimétricas” do conector atual e dos terminais, para que ocorra um encaixe perfeito do modelo de conector adquirido e evitar a possibilidade de curtos circuitos.

Ainda não encontrei o modelo exato compatível com o modelo usado no Nautililus Lifeline, mas acredito que será uma questão de tempo.

Se você possui algum Nautilus com defeito, recomendo que a manutenção seja feita por uma pessoa que tenha conhecimentos em eletrônica, além de um conhecimento básico em compartimentos estanques para evitar a possibilidade de um problema com alagamento do equipamento.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983, no autônomo em 1986 pela CMAS e Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount pela IANTD. Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP), atuando em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior. Também atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.