DiveOptx – Lente de grau para máscara de mergulho

Foto: Clécio Mayrink

Conforme vamos envelhecendo, nossos olhos tendem a ter um problema muito comum conhecido como “Vista Cansada”.

A Vista cansada é um processo natural que atinge praticamente todas as pessoas após os 40 anos de idade, pois com o passar dos anos, os olhos perdem a capacidade de focalizar objetos de perto. Isso acontece devido à perda de elasticidade do cristalino do olho. Objetos próximos que antes eram vistos de maneira nítida, começam a ficar fora de foco.

No caso dos mergulhadores, começamos a perceber o problema ao tentar enxergar a quantidade de gás no manômetro, bem como as informações do computador de mergulho. É muito comum ver o mergulhador esticar o braço para conseguir realizar a leitura dos dados, mas chega uma hora que “falta braço” para dar distância entre o equipamento e nossos olhos, e aí não tem mais jeito… o mergulhador precisa usar lentes corretivas.

No Brasil, algumas empresas fabricam lentes de grau normalmente coladas nas lentes de vidro das máscaras de mergulho, sendo um processo trabalhoso, demorado e principalmente caro. Uma lente para perto tem um custo acima de R$ 300 / 400 para um grau médio.

O problema desse tipo de lente é que se o mergulhador resolver trocar de máscara, dificilmente conseguirá reaproveitar as lentes de grau, pois uma vez coladas, fica complicado removê-las em razão do tipo de cola utilizada. Até pode-se tentar fazer a remoção realizando um processo de degradação da cola, com a colocação das lentes da máscara em um forno específico sob certa temperatura, mas normalmente os resultados não são satisfatórios e, quem faz isso ainda por cima cobra caro.

Além disso, havendo a necessidade de substituição das lentes de grau por um novo grau, dificilmente se consegue reaproveitar as lentes da máscara com as lentes de grau coladas anteriormente.

Resumindo, a lente de grau colada na máscara ajuda bastante, mas traz consigo, alguns pontos que o mergulhador deve analisar antes de fazer a aquisição.

A modernização das lentes de mergulho

Confesso que demorei bastante até chegar à conclusão que não dava mais para mergulhar sem usar as lentes de grau para perto, mas com os novos modelos de lentes, a coisa mudou de figura.

Infelizmente os novos modelos de lente de grau ainda não chegaram com força no Brasil, mas andam ganhando bastante espaço no mercado internacional devido à praticidade, facilidade de compra, custo e colocação. São as lentes de silicone.

As lentes de silicone são fabricadas com material especial, possuindo certa flexibilidade e com as seguintes características:

  • Custam em média entre U$S 20 e 30 nos Estados Unidos;
  • Não quebram;
  • Possui diversos graus disponíveis para o mergulhador;
  • Fáceis de serem colocadas;
  • Você pode remover e colocar as lentes em outra máscara de mergulho;

Testando o produto

No último DEMA Show, meu amigo Rodrigo Mattar conseguiu adquirir um par de lentes da DiveOptx, fabricadas nos Estados Unidos com tecnologia Belga.

As lentes chegaram bem acomodadas em uma caixa pequena, com um simples manual de instruções de como coloca-las na máscara. Essas lentes são comercializadas em graus diferentes, bastando selecionar o grau prescrito pelo médico ou o grau mais próximo disponível.

Para coloca-las na máscara, basicamente você deve limpar bem o local onde a lente será fixada, deixando livre de poeira e impurezas.

Depois coloque a máscara sob água quente e faça a fixação da lente com a parte côncava (parte reta) virada para o interior da lente de vidro da máscara, pressionando bem com os dedos e forçando a saída de qualquer bolha de ar que tenha ficado retida entre a lente de grau e a lente da máscara.

Feito isso, basta deixar a máscara virada com a lente de grau para cima e secando por um período de 24h, para que a lente de grau fique totalmente “selada” junto à lente da máscara.

É importante ressaltar, que antes de fixar a lente, você deve fazer um teste quanto ao posicionamento da lente de grau em relação à lente da máscara. Ela deve ser posicionada de forma que a sua íris fique alinhada ao centro da lente de grau, caso contrário, poderá haver uma pequena distorção visual.

Após a secagem, realizei um teste em piscina olhando o relógio no pulso e o resultado positivo foi imediato. Você passa a enxergar corretamente bem melhor as informações.

Talvez como aspecto negativo, foi um relato que li de um mergulhador em um fórum, onde afirma que acabou perdendo uma de suas lentes ao alagar a máscara para limpá-la embaixo d’água. Não sei se ele fez o procedimento de fixação da lente de forma correta ou se de fato, é uma possibilidade do problema ocorrer devido ao contato direto da lente com a água no interior da máscara. Pelo menos durante os testes em piscina, a lente estava muito bem fixada e sem indicativos de soltar da lente de vidro.

Em todo o caso, decidi instalar somente uma lente no lado que utilizo para enxergar o computador e o manômetro e guardar a outra, caso viesse perder a outra lente.

Existe outro modelo de lente de grau também fácil de ser encontrado denominado Aqua-Optics, que também é comercializada pela Trident, uma empresa especializada em acessórios de equipamentos de mergulho, mas este modelo necessita que as lentes sejam coladas na máscara do mergulhador, usando uma cola que vai junto ao kit.

Quanto aos graus disponíveis, normalmente vão do 1 ao 3 ou 3.5, e há kit de lentes com diferentes graus, dependendo da marca utilizada.

A DiveOptx e a Aqua-Optics podem ser facilmente encontradas nas principais lojas de mergulho nos Estados Unidos, e certamente, são uma excelente opção para o mergulhador com vista cansada.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983, no autônomo em 1986 pela CMAS e Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount pela IANTD. Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP), atuando em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior. Também atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.