Do Básico ao Instrutor em 1 ano – Será o correto ?

Com o crescimento do número de cursos de mergulho em todo o país, frequentemente vejo algumas poucas pessoas realizando cursos de mergulho com o intuito de se profissionalizar e atuar no mercado de mergulho no Brasil.

Em parte, isso é muito bom pois demonstra que o esporte está em grande crescimento, contudo, a grande preocupação é quanto ao know how que este profissional terá para ministrar cursos de mergulho e repassar suas experiências e conhecimento aos alunos.

Hoje o Brasil conta com diversas certificadoras de mergulho onde é possível realizar o curso  básico, avançado, especialidades, além dos cursos e treinamentos voltados ao profissional do mergulho, como divemaster, assistente de instrutor ou instrutor.

É perceptível que houve um grande aumento de instrutores de mergulho no país e um grande aumento de profissionais que não atua diretamente no mercado. Normalmente são pessoas dentre as quais desejam obter apenas o “status” de instrutor, sem o anseio de atuar no mercado. Isso é bom para quem vende o curso de instrutor, mas é péssimo para quem de fato, depende e trabalha somente nesse mercado.

Se uma pessoa que não pretende atuar no mercado do mergulho e obtém a certificação de instrutor através de uma rápida formação, ela não terá experiência e poderá ministrar seus cursos posteriormente. Mas será que este instrutor será uma boa referência ?

Na minha opinião não…

Um instrutor deve possuir um bom conhecimento teórico e prático, e no mergulho, isso é obtido mergulhando muito e em diversos locais com características diferenciadas. Mergulhar 500 vezes num mesmo local, não dará uma experiência ao instrutor, pois ele só terá o conhecimento de uma determinada área e condição.

Aliado à falta de experiência deste instrutor, é comum vermos instrutores recém formados e não atuantes no mercado, ministrando cursos de mergulho à familiares e amigos gratuitamente, o que interfere diretamente no mercado, pois este acaba tirando os pretensos mergulhadores das escolas de mergulho que dependem diretamente deste público para continuar atuando no mercado.

Ser um instrutor de mergulho não é simplesmente uma pessoa que repassa a informação teórica, mas uma pessoa que deve ser responsável, ético e que transcenda as expectativas dos alunos, repassando todo o seu conhecimento e experiência em mergulho, de forma que seus alunos possam aproveitar seus mergulhos, tendo conhecimento teórico e prático para conhecer as belezas naturais submersas.

Recomendo para aqueles que ministram cursos de instrutor, que revejam seus conceitos. Não pensem apenas no dinheiro que virá com a venda de mais um curso de instrutor de mergulho para pessoas que não irá atuar e depender diretamente do mercado de mergulho.

Pense que você poderá eliminar possíveis clientes de sua lista, e ao mesmo tempo, induzindo indiretamente pessoas à um risco desnecessário.

Se você chegou até aqui e deseja ser instrutor, pare e pense se realmente é isso o que deseja. Se estiver seguro, tenha a certeza de que possui capacitação e experiência para ministrar os cursos de mergulho.

O mergulho é extremamente seguro, desde que o mergulhador obtenha o conhecimento e treinamento provido por um profissional experiente.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.