Do Rio à Angra e mergulhando no Imperial Marinheiro

As vezes na vida, aparecem oportunidades dentre as quais não podemos deixá-las de lado.

Foi em 19 de abril de 2002, em uma sexta-feira com sol escaldante e mar parado, que eu, Carlos Eduardo Bersan e Lélis J, partimos em direção a Angra dos Reis, no intuito de levar a nova lancha adquirida pelo Bersan, para uma marina local.

Durante uma conversa alguns dias antes, nos recordamos da existência do naufrágio Imperial Marinheiro nas proximidades de nossa rota, e decidimos sair um pouco da mesma e ir dar uma conferida no local.

A chegada ao local

Partimos do Iate Clube do Rio de Janeiro (ICRJ) pela manhã, cruzando as praias cariocas e tendo a belíssima cidade Rio de Janeiro à nossa direita, onde temos uma visão diferente do cotidiano.

Com 2h de navegação, nos aproximamos da Ponta da Restinga do Marambaia, área pertencente ao exército brasileiro, local onde o navio Imperial Marinheiro encalhara em 24/06/1865, e com base em uma marca GPS fornecida pela Marinha, fomos até o local.

Com 20 minutos de busca, um objeto foi revelado pela sonda,e prontamente nos equipamos.

O Mergulho

Enquanto Bersan ficou na lancha realizando algumas arrumações, eu e Lélis caímos no mar e descemos os pouquíssimos metros em meio a uma correnteza de média intensidade e visibilidade em torno dos 3m, em função ao tipo de fundo local.

Devido ao longo tempo de exposição do naufrágio, infelizmente só encontramos sua âncora e algumas poucas partes do naufrágio totalmente irreconhecíveis.

Com 1h de fundo e depois de vasculhar todo o fundo, retornamos ao barco felizes por mais este excelente dia de mergulho.

A recompensa

Para quem gosta de naufrágios, é sempre uma recompensa descer em um naufrágio, esteja ele inteiro ou desmantelado, principalmente se este for um naufrágio histórico. No caso do Imperial Marinheiro, a recompensa é ainda maior, por ser este, um navio de guerra e muito antigo.

Se você tiver a oportunidade de ir até o local, esteja atento as seguintes observações:

  • Apesar de bem abrigado, notamos que a correnteza que no início do mergulho era fraca, passou a ser moderada no final deste. Provavelmente em função da geografia local (vide foto de satélite);
  • Podemos dizer que o local é longe de tudo, e em caso de alguma emergência, um rádio pode ajudar bastante;
  • Atenção a possibilidade de virada de mar;
  • Ao planejar o mergulho por lá, esteja muito atento as condições meteorológicas e condições de mar, pois durante a navegação, a embarcação fica totalmente exposta ao mar, e com pouquíssimas opções de se conseguir um abrigo rapidamente.
  • Evite também mergulhar na virada de maré;
  • Tenha em mente que a Restinga do Marambaia e uma área militar, portanto, fazer uma parada na praia próxima, pode-se ter problemas com a guarda militar local, quando não se tem uma autorização para visita em solo.
Clecio Mayrink

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount).

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou como consultor para a ONU, UNESCO, Segurança Pública, além de diversos órgãos públicos no Brasil.