Entrando e saindo da água

Você não precisa ser um mergulhador das forças especiais ou da polícia de Nova Iorque, como mostra a foto ao lado, mas precisa estar bem atento no momento da entrada na água.

Pode ser uma coisa banal, mas a entrada na água pelo mergulhador é um ponto que merece atenção especial, a fim de evitarmos acidentes ou algum dano ao equipamento de mergulho ou fotográfico.

Não é muito incomum ver um mergulhador apressado cair na água e acabar entrando de qualquer jeito, sem os cuidados necessários.

Mas quais são as formas de entrada na água ?

Vejamos abaixo:

Saltando do bordo da embarcação

Essa é a maneira mais tradicional, onde o mergulhador se equipa, segue em direção até a área traseira da embarcação (popa), e com uma das mãos, segura a máscara e o regulador, e com a outra, segura no bordo da embarcação ou na mão do dive master, para ajudar no equilíbrio.

Verifica se não há mergulhadores no local de entrada na água, e dá um grande passo à frente, também conhecido como “passo de gigante”, que consiste em jogar uma das pernas à frente e impulsionar com a outra. Dessa forma, seu corpo será projetado para frente e se distanciará da embarcação, evitando um possível choque entre o mergulhador e a embarcação.

Um sinal de OK deve ser feito ao dive master, para que ele saiba que o mergulhador está bem após a sua entrada na água.

Barco-Costas-Agua

Jogando as costas do bordo da embarcação

Esse método é recomendado quando o bordo da embarcação não é alto e quando o mergulho exige uma entrada rápida do grupo de mergulhadores na água, como normalmente acontece em Galápagos.

O mergulhador senta no bordo da embarcação, ficando de costas para a água. Com uma das mãos ele segura a máscara e o regulador, e com a outra, se apóia no bordo, para manter o equilíbrio do corpo, devido ao movimento da embarcação.

Após a verificação de todo o equipamento, sinalização de OK entre os mergulhadores e a certeza de que não há nada na água que possa colidir, num movimento repentino, o mergulhador se joga de costas para a água, batendo pernas logo em seguida para se afastar da embarcação. Um sinal de OK deve ser feito ao dive master para confirmar que está tudo bem.

Esse tipo de entrada é muito interessante, quando utilizamos uma embarcação pequena e temos pouco tempo para efetuar a entrada na água. Se houverem correntes no local e o mergulhador precisar entrar na água e afundar imediatamente, ele deve manter o BC totalmente vazio, para evitar que ele venha flutuar logo após a entrada na água.

Praia-Entrando-Saindo

Entrando pela praia

Para muitos, entrar na água por uma praia pode ser uma coisa impossível, complicada ou extremamente desagradável, porém, esse procedimento de entrada quando realizada de forma correta, e com calma, transcorre bem e é um procedimento simples.

Nesse tipo de entrada, o grande receio dos mergulhadores é o fator “ondas”, por tirar o mergulhador do seu ponto de equilíbrio, e logicamente, gerando um desconforto ao mesmo.

Antes de entrar, o mergulhador deve verificar o melhor ponto de entrada na praia, na tentativa de fugir das possíveis valas e dos chamados “corredores de correnteza”.

Encontrando o melhor ponto, o mergulhador deve entrar na água de duas formas:

1) Não havendo ondulações, caminhando até uma área com mais profundidade, pôr as nadadeiras e sair nadando em direção ao ponto de mergulho usando o snorkel;

2) Havendo ondulações, o mergulhador deve entrar no mar de costas para a ondulação. Dessa forma, o volume de água proveniente da ondulação não irá contra a pala da nadadeira, e desestabilizar o equilíbrio do mergulhador e impossibilitando o mesmo de caminhar.

Quando o nível da água atingir os joelhos, já haverá profundidade suficiente para que o mergulhador entre com o corpo inteiro na água e nadar em direção às profundidades maiores, vencendo mais facilmente as ondas. Nesse caso, o regulador já deve estar na boca, permitindo que o mergulhador avance por baixo d’água sem complicações.

Se o mergulhador for sair da água, ele deverá realizar o movimento contrário, isto é, ao alcançar uma profundidade onde o nível da água estiver próxima do joelho, ele deve sair de costas para a praia e de frente para a ondulação, tomando cuidado com as ondas que seguem em sua direção.

Quando a praia for de pedras, o mergulhador deverá ter mais cuidado, entrando e saindo da água com as nadadeiras em mãos. Utilizando botas de mergulho, ele deverá caminhar até que o nível da água esteja entre os joelhos e a cintura, para que ele consiga colocar as nadadeiras.

Ao retornar do mergulho, a remoção das nadadeiras deverá ser feita a partir do momento em que ele consiga ficar de pé, com o nível da água abaixo da cintura e acima dos joelhos.

O mergulho de praia em si, é um mergulho que deve ser realizado por mergulhadores com experiência, pois alguns fatores podem trazer certos riscos ao mergulho, como:

  • Correntes locais;
  • Variação de maré;
  • Proximidades com alguma saída para alto mar;
  • Passagem de Jet Skis e embarcações pelo local;
  • Mudança repentina das condições climáticas.

Pulando-AguaPulando na água de alturas mais elevadas

Esse tipo de entrada na água é raro, mas útil em alguns casos. Em algumas cavernas no México, o mergulhador pula de locais que chegam a estar 5m ou mais, acima do nível da água.

O mergulhador deve segurar as nadadeiras com uma das mãos, e com a outra, segurar a máscara e o regulador. Quanto ao colete equilibrador, ele deve inflar bem pouco seu colete. Jamais o deixe inflado, pois a câmara de ar poderá não aguentar o impacto contra a água, e a câmara de ar poderá se romper, fazendo com que o mergulhador perca o equipamento e consequentemente, o mergulho.

Ao entrar na água, infle o colete equilibrador para flutuar e coloque as nadadeiras.

Um cuidado deve ser redobrado contra possíveis rochas e/ou objetos na água. Leve em consideração que um salto maior requer uma profundidade maior para amortecimento na água.

Conclusões

Antes de sair de para mergulhar usando uma praia, tenha a certeza de que você realmente possui experiência para executar esse tipo de mergulho. Veja a previsão do tempo, verifique se existe algum fator risco no local, estude a variação de marés e se existe a possibilidade de correntes.

Deixar algum familiar informado sobre quando e onde o mergulho será feito, é muito válido, uma vez que você não terá o suporte normalmente provido por uma embarcação de mergulho.

Se você nunca mergulhou no local, converse com os moradores da região e obtenha mais detalhes do local onde se pretende mergulhar.

Já vi inúmeros casos onde mergulhadores que saíram de praia, tiveram dificuldades para regresso, e todo cuidado é pouco.

Lembre-se que o uso de sinalizadores de mergulho é obrigatório e é importante deixar uma boa reserva de gás para o retorno, pois você pode ter que nadar mais para vencer uma possível corrente em sentindo contrário, tendo que nadar por baixo d’água para vencer o volume de água.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.