Entrevista: Sandro César (Sandrão)

Arquivo pessoal

Sandro Cesar conhecido no mercado de mergulho como Sandrão, é técnico em turismo e atua na operadora de turismo Oxigenação, especializada em turismo nacional e internacional para mergulhadores. Além disso, é Master Instructor pela PADI e fotógrafo sub. Além do turismo, atualmente ministra cursos de fotografia submarina.

Entrevista

Em que ano você passou a mergulhar e como ingressou nesse esporte ?
Em 1984 tive meu primeiro contato com o mergulho. Fui acampar com meu pai em Ilhabela e um médico muito simpático que fazia mergulho livre, montou sua barraca ao lado da nossa. Fizemos amizade e quanto nos encontramos na praia da Feiticeira, ele me emprestou seu equipamento básico. Foi muito emocionante ver os primeiros peixinhos (sargentinhos). Isso sem contar os mergulhos na piscina do Clube Aramacan em Santo André (minha cidade natal) para pegar as pedrinhas que eu atirava no fundo. De lá pra cá, comprei meu equipamento e fiz o curso de mergulho no começo de 1989.

Naquela época, realizar uma saída de mergulho era muito complicado ?
Entre 84 e 88, minhas viagens para Ilha Grande-RJ e Ilhabela-SP foram para fazer mergulho livre. Na praia Vermelha (Ilha Grande), eu ficava em casas que a Dona Olga arrumava para a turma. Lembro de sair com um barquinho do tipo pó-pó-pó com 2 tripulantes, um que ficava no controle do leme e um rapaz que bombeava a água no fundo do barco. Porém, os mergulhos de praia eram muito mais frequentes, e em poucas pernadas dava para ver o naufrágio Califórnia que na época, se via a corrente da âncora das pedras até o barco. Na Ilhabela era muito mais fácil, saia da praia da Feiticeira, das Cabras, Jabaquara ou das pedras no caso do naufrágio do Velasquez.

Somente uma vez embarquei no famoso barco do grego, o caça-minas Hipocampos. Ele fazia saídas para ilha de Búzios e Alcatrazes e hoje jaz próximo do píer da sardinha em Ubatuba. Ainda se vê parte de seu casario de aço para fora d’água. Essa época, saídas de escunas como a da Seachegue do lendário Sr. Zé Munhoz em Ubatuba eram aceitáveis como barco de mergulho. Não cheguei a sair com a escuna Mar do Norte para Laje, porém imagino o tempo de navegação. Com o pau-de-giba quebrado e tudo.

A quantos anos você atua no mercado de turismo sub ?
São 14 anos, em 1993 fiz o curso de instrutor e fui trabalhar na Scafo em São Bernardo e uma de minhas principais atribuições era cuidar das saídas de mergulho. Operei muitas para Paraty, Angra dos Reis, Arraial do Cabo, etc. Dessas viagem rodoviárias, parti para viagens aéreas. Uma das primeiras foi para Abrolhos, saindo de Congonhas num vôo da Pantanal com destino a Caravelas e embarcado num dos melhores barcos locais que era a escuna Maria Maria. Tinha também a Princesa dos Abrolhos que era um barco de pesca adaptado para turismo.

Logo senti necessidade de melhorar a qualidade das viagens, então fui em busca do conhecimento das técnicas de turismo em um curso. Procurei o Centro de Educação em Turismo e Hotelaria onde me formei Técnico em Turismo e guia de turismo Internacional. O passo seguinte foi abrir minha agência de turismo em parceria com a Scafo. As viagens ficaram mais profissionais e na época não tinha havia nenhum Dive Center com certificado Embratur, e fomos pioneiros.

Hoje trabalho na Operadora de Turismo Arribatur e somos especializados em turismo sub. Atendemos vários dive centers em todo Brasil, minha função com gerente de vendas é ajudar as escolas a vender mais turismo com treinamento, marketing e outras ferramentas . Enfim, passando minha experiência de turismo e mergulho a quem quer melhorar o agenciamento como um negócio. Para mim, um dive center completa tem: cursos, equipamentos, saídas para o mar e turismo sub, que é uma fatia importante do negócio.

De todos os locais já visitados, qual deles você mais gostou ?
Isso é difícil, cada lugar tem uma característica diferente, o Mar Vermelho tem corais e peixes que não se vê em outros lugares e não há lugar no mundo onde uni, história e ótimos mergulhos. Adoro o México, Cozumel tem os mergulhos em drift e muito diversão noturna, Bonaire com mergulhos de praia na hora que você quiser, isso sem esquecer da emoção de ver as baleias jubartes em Abrolhos e a mágica Ilha de Fernando de Noronha. Um lugar em especial é o Arquipélago de Cabo Verde na África e como já prometi a você, escreverei uma matéria para Brasil Mergulho.

Sem demagogia, muitos mergulhos no eixo Rio-São Paulo foram incríveis, fiz muitos mergulhos em Alcatrazes antes da marinha fechar as portas que ficaram marcados na minha memória, como uma saídas que depois de um mergulho fantástico no parcel de sudoeste, ainda avistamos 6 orcas na volta. Duvida ?   Tenho imagens sub filmadas com uma VHS-C emprestada do meu amigo Eddy. Outra fora de série, foi o encontro com um tubarão baleia em Angra dos Reis. Acredite se quiser !!!   Para mim, o que importa foi ter visto aquela criatura maravilhosa um lugar inesperado.

A fotografia submarina veio como um segundo passo no mergulho. Na sua opinião, você acredita que o avanço tecnologia digital facilitou a produção de fotos submarinas por mergulhadores iniciantes ?
A fotografia esta na minha vida desde que nasci, meu pai é fotógrafo. Me lembro de ajudar meu pai a separar negativos e copiões usados para escolher as fotos para um álbum de casamento, talvez com 5 ou 6 anos. Minha primeira máquina não foi uma toda automática. Foi um equipamento russo ( made in USSR) da marca ZINIT 12 XL totalmente manual.

No mergulho, demorou um pouco, porque não tinha condições financeiras de adquirir uma Nikonos muito menos uma Canon EOS com caixa estanque. Assim que começou a importação das MX 10 Sea & Sea, levei uma para Noronha para experimentar. Não tive dificuldade, pois a experiência com manuseio do equipamento eu já tinha e além d as composições, já tinha visto muitas fotos em revistas como Mergulhar, Sub, Scuba e Mergulho de fotógrafos como : Alcides Falanghe, Denise Greco, Fernando Kuramoto e Delmar Corrêa. Como fotografia, contamos também com a sorte, minha primeira modelo foi a atriz Maitê Proença que estava de férias em Noronha. Comecei bem, né ?

A Era Digital chegou, e as primeiras compactas com case próprios, como as da Sony, começaram a ficar mais baratas e populares. Com certeza houve um grande aumento no números de máquinas nas caixas de água doce das embarcações. Onde havia uma Nikonos V e 2 flashes SB105 ou 2 MM II Sea & Sea, hoje tem umas 10 compactas, muitas sem acessórios.

Você utiliza uma câmera compacta Sony que é considerada amadora. Qual é o segredo para essas excelentes fotos ?
Minha primeira digital foi uma P10 Sony que depois troquei por um P100 e adicionei um flash YS 25DX e há 2 anos trabalho com uma Sony W7 com lente 16 mm Sea & Sea e Flash YS 90DX. Quando resolvi montar meu curso de foto sub digital, quis ajudar aos mergulhadores iniciantes com equipamentos limitados a melhorar seus “cliques”. Meu lema é: Tire o máximo do seu equipamento mesmo que ele seja limitado.

Foto: Sandro César
Foto: Sandro César

Muita gente começa na foto sub com um equipamento “amador”. Entre as compactas digitais, as da Sony são as mais vendidas e muitos alunos vão para o curso com uma P100, W5 ou a limitada N1. Como conheço muito bem essas máquinas, tenho como ajudar os alunos a driblar a falta de recursos.

Um exemplo, um aluno que não tenha flash externo me apresenta um problema de sombra que a toca de moréia fez na mesma. A solução é simples, tire a foto com a máquina de ponta cabeça. Assim, o flash rebaterá para o fundo da toca e a iluminação ficará muito melhor. Quando o aluno comprar um equipamento melhor ou adicionar acessórios, fica fácil com mais recursos.

Quando mostro minhas fotos nos cursos, Workshops, apresentações dos destinos, as pessoas acham que eu tenho uma Super Reflex com caixa estanque de U$ 20 mil dólares. Quanto digo que e uma compacta comum, que eles podem adquirir gastando pouco, as pessoas se espantam. Isso também, acaba por empolgar os iniciantes para ingressar na atividade.

Infelizmente a Sony não esta com uma linha de compactas (que tem case Sony) sem o recurso de trabalhar o controle da abertura, velocidade e ISO no manual. Isso limita muito os efeitos que podemos dar na imagem. Estou para trocar de equipamento e acho que terei que optar por outra marca muito provável por uma Canon.

Qual é a característica básica para que um mergulhador se torne um bom fotógrafo sub ?
Paciência. Muita paciência e depois criatividade. Para se tornar um bom fotografo temos que imaginar a foto que queremos, antes de ver realmente o motivo enquadrado. Eu considero que 50 % é técnica e domínio do equipamento é 50 % criatividade e composição. A técnica é a parte fácil, basta entender os conceitos básicos da fotografia e saber como lidar com o equipamento, agora a outra parte é subjetiva. Uma foto bonita para um, pode não tocar outra pessoa. Há composições clássicas, regras (apesar que pra mim, fotografia não tem regras) e como um item muito importante: fotografar, fotografar e fotografar, é possível se tornar um bom fotografo(sub).

Como é o seu curso de foto sub ?   Qual a duração ?
Meu curso tem 4 partes, a primeira fala sobre a teoria da fotografia, característica do equipamento e tudo do mundo digital. Uma segunda parte teórica também, com a fotografia submarina e o ambiente subaquático. Depois vem a parte de Composição, com muitas fotos para analisar e para treinar, uma aula de piscina com cenários de pedra e muitos peixinhos como o Nemo, a Dolly, o Bruce, o meu tubarão de prata que chamo de Silver e tartarugas, polvos, etc. Para certificação PADI é necessário check-out com 2 mergulhos no mar, onde muita dicas são passadas e onde também tenho como corrigir na hora.

O curso dura dois dias: Sábado 09:30 às 18:00 aula teórica e Domingo 09:30 às 12:30 aula teórica e 14:30 às 17:30 aula prática em piscina. Forneço apostila em CD minha apostila + Slide Show com Workshop + Fotos da aula de composição. Os alunos precisam adquirir na sua escola o Manual de Foto Digital da PADI.

Os alunos que não possuírem máquina poderão participar do curso. Defendo que fazendo o curso, o aluno terá o conhecimento para comprar o equipamento certo, porém, o check-out requer que o aluno possua uma máquina de foto-sub.

Quem tiver interesse em realizar um curso, como deve proceder ?
Eu uso o mesmo critério que tenho na operadora Arribatur para venda da pacotes – Procure sua escola de mergulho.

Não dou cursos particulares em respeito as escolas. Prefiro trabalhar em parceria com as escolas e muitas tem aberto suas portas para mim, principalmente por saber da minha ética e bom senso comercial. Fotográfia é um Hobby para mim e tenho prazer em dar aula. Estou chegando a 1000 alunos formados em todos os níveis e especialidades.

Na lista de escolas que tenho cursos marcados estão a Scafo, Narwhal Lapa, Rimak, Aquascuba, Narwhal Tatuapé e o último foi ministrado na Koka Sub do meu amigo Maurix. Veja as fotos do curso no meu blog http://sandraocesar.spaces.live.com/

Para as escolas interessadas em agendar o Curso de Foto Sub Digital, envie um e-mail para sandrao@litoral.com.br, e para os mergulhadores que desejam saber onde estou com cursos marcados entre no meu blog: http://sandraocesar.spaces.live.com/ ou no meu site de fotos www.pbase.com/sandrao.

Redação
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