Algumas semanas atrás, um grupo de mergulhadores que se encontrava em Malpelo, na Colômbia, foi pego por uma forte corrente e derivaram para o alto-mar, ficando fora da visão da equipe do Live Aboard.

Foram dias de buscas aos cinco mergulhadores desaparecidos. Apenas três deles foram encontrados com vida. Quanto aos outros dois, um foi encontrado morto e outro continua desaparecido.

Essa é mais uma das histórias que escutamos de pessoas perdidas no alto-mar nas saídas de Live Aboards que ocorrem ao redor do mundo.

Eu mesmo passei 15min de tensão em Galápagos, pois tive que voltar à superfície por falta de gás, e o panga, bote inflável com um marinheiro que transporta e recupera os mergulhadores, não conseguia me avistar devido as ondulações no local. Ele escutava os apitos do Dive Alert, mas não conseguia navegar rapidamente à minha procura e nem identificar de onde estavam vindo os apitos.

Nautilus-Lifeline1Quando já estava para dobrar a quina da ilha de Wolf e literalmente desaparecer do campo de visão de todos, em razão da forte correnteza no local, felizmente ele me encontrou, enquanto já me preparava para tentar chamá-los pelo rádio Nautilus Lifeline.

E se ele não tivesse me avistado e o Nautilus não funcionasse por alguma razão ?

Eu teria sido levado para o outro lado da ilha, e ficaria muito mais difícil e complicado de me encontrarem.

Algumas pessoas dizem que mais de 35 mergulhadores já sumiram nas Ilhas Galápagos nos últimos anos, por exemplo, e se formos buscar na web, veremos que o número é baixo, quando comparamos com o número ativo de mergulhadores ao redor do mundo, mas quem aqui gostaria de fazer parte da estatística ?

Em tese, o equipamento mais eficaz que o mergulhador pode levar consigo, é o Nautilus Lifeline, mas recentemente a empresa de um amigo meu que atua na venda de equipamentos baseados em GPS, tentou usar o MMSI do Nautilus no Brasil, e para a decepção de todos, não funcionou. Por sorte, eram apenas testes do trabalho dele.

Hoje, uma alternativa melhor seria o Spot, um pequeno equipamento que transmite via satélite seu pedido de resgate para uma central. Ao tomar conhecimento quanto ao pedido de socorro, esta central aciona o resgate mais próximo à você, porém, até o momento, haveria somente uma caixa estanque para até 30m de profundidade, o que não é muita coisa, inviabilizando o uso do Spot pelo mergulhador.

O que fazer então ?

Atualmente o mínimo que se espera de um mergulhador que vá para áreas remotas, como Galápagos, Malpelo e Cocos, por exemplo, é levar consigo pelo menos, um Deco Marker, Dive Alert e uma lanterna.

O uso do Nautilus ainda é uma boa opção e deve ser adicionado à lista de itens de segurança do mergulhador, e o Spot, para o Live Aboard.

Um erro comum dos mergulhadores

Não podemos achar que ao sair em uma embarcação de uma operadora, devemos relaxar por completo. Conheço alguns casos no Brasil e no exterior, onde amigos e conhecidos passaram por situações de risco, por terem naufragado em questão de segundos e por motivos diversos.

Tiveram problemas para acionar o resgate, e em alguns casos, ficaram à deriva e deram a sorte de passar uma embarcação por perto e vê-los pedindo por socorro.

Nós mergulhadores, deveríamos ter sempre em mãos, ou bem próximo, itens de segurança para uma eventual situação de emergência.

De tantas histórias de amigos, passei a deixar próximo à mim, um kit com Nautilus, Rádio VHF portátil, celular e lanterna, e dependendo do local, um acesso fácil a roupa de mergulho, na esperança de nunca precisar ter que usá-los numa situação emergencial.

E quando vamos para o alto-mar em Live Aboards ?

Não devemos relaxar por completo quando saímos em grandes embarcações de Live Aboard.

É sempre bom ter a preocupação com alternativas que possam trazer mais segurança, mas o que percebo, é que os mergulhadores chegam nas embarcações e não verificam absolutamente nada quanto os equipamentos de segurança, dando total confiança ao operador de mergulho, o que pode ser um erro.

É sempre bom sair com uma operadora que demonstre preocupação com a manutenção da embarcação, assim como seus equipamentos e equipe, e segurança à mais, nunca é demais.

Se você for mergulhar em alto-mar, leve no mergulho um CD antigo, pois ele pode ser uma boa recomendação. Com ele, você poderá refletir o sol em direção às outras embarcações ou aeronaves, sinalizando um pedido de socorro.

Isso pode fazer uma diferença significativa no tempo de resgate.

O mergulho é uma atividade muito segura, mas como todas as demais atividades, existem alguns aspectos que devem ser levados em consideração pelo mergulhador, para que a atividade seja sempre segura para ele e os demais.

Devemos sempre estar atentos !

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Idealizador do site Brasil Mergulho (MTB 0081769/SP) criado em 1998, atuou como consultor para a ONU, UNESCO, e diversos órgãos públicos do Brasil.