Fabricação de equipamentos em impressora 3D

Spool feita em impressão 3D - Bem acabada, mas sem resistência.

Nos últimos anos a impressão 3D anda ganhando espaço entre o público em geral, com a possibilidade de criar objetos em nossa própria residência, onde o marketing mostra que basta fazer o download de um arquivo e mandar a impressora imprimir o objeto, simples assim…

Hoje, as impressoras 3D conseguem imprimir com precisão objetos em detalhes e utilizar a matéria prima correspondente ao que deseja construir, mas como tudo na vida, a coisa não é tão simples e o grande problema são as grandes expectativas quando não falamos do mercado profissional, como grandes fábricas.

Tenho visto alguns mergulhadores fabricando alguns equipamentos de mergulho em casa e acreditando terem descoberto a “galinha dos ovos de ouro”, e na prática, a coisa não é tão boa assim, e diria mais, é uma prática perigosa.

Fabricação de Equipamentos de Mergulho – Estudos e Projetos

Antes de ser comercializado, todo equipamento de mergulho fabricado pelas grandes marcas, passam por inúmeras análises e testes antes de chegar nas lojas e ao consumidor final. Se um produto falha em algum requisito, simplesmente ele volta para a sala de projetos para uma nova análise e teste, até que ele não ponha o mergulhador sob risco e atue como o desejado.

Se algo acontece com um mergulhador em razão de algum problema no equipamento, a chance do fabricante ser processado é alta e em países como os Estados Unidos, as indenizações são milionárias e ninguém quer passar por esse tipo de coisa.

Resistência e Rigidez

Os objetos fabricados pelas impressoras 3D não são resistentes como as peças produzidas pelos grandes fabricantes. A técnica “camada-a-camada” utilizada pela impressora 3D na produção, é ao mesmo tempo sua maior vantagem e principal fraqueza.

Quando um equipamento de mergulho é fabricado, o processo de moldagem é feito por injeção / extrusão, ou seja, a matéria prima é injetada em um molde. Um tipo de processo mecânico de produção de componentes de forma contínua, onde o material se forma através de uma matriz projetada para a peça. Assim, a peça é bem mais resistente, já que o material possui uma estrutura consistente.

Na impressão 3D, a impressora constrói o objeto em camadas,  porém, elas não “grudam” bem no eixo Z como fazem nos planos X e Y. É como um muro com peças de LEGO, você coloca os blocos em cima dos outros e pressiona para baixo. Parece forte, mas ao empurrar o muro para um dos lados, ao cair, ele se desmonta facilmente.

Acabamento da Superfície

A publicidade sobre impressão 3D diz que você consegue imprimir em plástico, então as pessoas acabam cogitando um objeto em plástico brilhante e liso, mas na prática, os objetos são foscos e com linhas irregulares nas camadas.

É possível processar a peça após a impressão para um melhor acabamento, mas isso geralmente acaba sendo trabalhoso e o uso de produtos químicos como a acetona, por exemplo, acaba removendo detalhes e diminui a resistência do objeto impresso.

Custo

É fato que o custo de uma impressora 3D diminuiu muito, mas a matéria prima continua cara, e muitas vezes, dependendo da forma e tamanho do produto a ser impresso, o custo acaba ficando elevado e próximo (ou até igual) ao de um equipamento de mergulho comercializado em loja.

Além disso, é preciso contabilizar o custo de manutenção da impressora, luz e treinamento em softwares como CAD, pois simplesmente baixar um arquivo e mandar imprimir, as chances de erro no projeto feito por terceiros são enormes, e você precisa ter no mínimo, um conhecimento para abrir o projeto e verificar se ele foi bem desenhado, caso contrário, você vai gastar mais luz e matéria prima com um objeto impresso de forma incorreta, tornando o produto inutilizável.

Conclusão

A impressão 3D chegou para revolucionar o mundo, mas continua longe de um resultado final como os objetos fabricados por grandes empresas.

Parte central do harness em impressão 3D

A utilização de equipamentos feitos com impressão 3D não profissionais como as usadas nos grandes fabricantes, colocam o mergulhador sob risco desnecessário, podendo até causar a morte dele.

É o tipo de economia que pode custar caro pra quem utiliza equipamentos sem a chancela de uma grande marca.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983, no autônomo em 1986 pela CMAS e Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount pela IANTD. Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP), atuando em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior. Também atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.