Faça a escolha certa (ou errada) de uma câmera para foto-sub

BH Photo e Video em NY. A maior loja de equipamentos do mundo - Foto: Perry Tak

Sempre quando passeio num shopping não deixo de vislumbrar os novos equipamentos fotográficos. São tantos! Olhando atentamente câmera a câmera e observando cada recurso, cada novidade.

Mas será que este novo equipamento serviria para fotografia subaquática ?

Há várias formas de escolher uma câmera certa (ou errada) para uso de foto-sub, mas vou citar apenas as dúvidas do dia-a-dia, aquelas das lojas que nos encantam e assim pensamos que será a boa escolha, nos restringindo aqui apenas as câmeras digitais compactas.

Normalmente o que mais chama atenção é ver uma câmera compacta tipo DLSR like (aquelas com visor eletrônico que parecem com uma câmera profissional) equipadas com uma objetiva zoom impressionante tipo 28-200mm.

Primeiro, o sistema do visor eletrônico pode não ser tão ruim (mostram uma imagem em preto e branco e pouco granulado como numa filmadora), entretanto dificilmente encontrará uma caixa estanque para ela que realmente use esse visor. Segundo em achar que sendo uma objetiva zoom deste porte serviria para todos os motivos, o que é errado pensar, pois estes recursos podem ser bons para fotografia terrestre, mas não servem para foto-sub em nenhuma circunstância.

Fotografia subaquática trabalha com os extremos; lentes de grande cobertura (grande-angulares com foco mínimo bem próximo) e lentes macro de grande magnificação. Neste caso no modo 28mm, não será grande angular suficiente para corrigir a refração da água e muitas vezes não conseguem fixar foco a menos de 50 centímetros, e no modo máximo de 200mm não conseguira atingir distância devido ao efeito névoa da água e ainda perderá abrangência da nitidez em objetos próximos e não fazem grandes magnificações, e uma vez que a lente não seja intercambiável, na maioria das vezes (não e possível trocar a lente da câmera mesmo fora d água), será um desperdício mesmo.

Outra coisa que chama atenção (de forma errada para a finalidade) é um flash interno versátil e bem potente. Flashes internos não são bons para foto-sub, e quanto mais potentes mais “backscatter” (as sujeiras por reflexo) irão ocorrer.

Visores com LCD móveis (os que se desprendem parcialmente dos corpos das câmeras se colocando lateralmente a mesma) pouco ajudarão também, são recursos dispensáveis destes equipamentos para estes fins.

Estes “atrativos” embora eficientes para fotografia terrestre fogem em muito a finalidade da fotografia subaquática (embora o vendedor contará que serve muito bem).

Mas o que deveríamos procurar numa câmera então para que pudesse ser útil em foto-sub ?

  • Inicialmente procure equipamentos que permitam resolução de imagens acima de 5 mega-pixels. Menos que isso, dificultará para trabalhar com editores gráficos sem perda de qualidade.
  • Procure câmeras com LCD´s (displays para ver a imagem da foto) de tamanhos 2.5″ que são maiores.
  • Veja se o equipamento possui lentes intercambiáveis (ou conversoras). Veja também se a caixa estanque obedece a algum padrão de rosca que possa adaptar externamente lentes conversoras como as da MM2eX ou da linha Inon.
  • Adquira equipamento que tenha um zoom ótico de pelo menos 3X para que se possa aumentar o tamanho da tela em caso de vinhetas (a parte escura que aprece nos cantos da tela em virtude de lentes adaptadoras) sem perda significativa da qualidade.
  • Experimente (mesmo na loja) os recursos da câmera e veja as opções de macro e faça disparos para saber se demora muito tempo para liberar uma próxima foto (shutter-lag). Câmeras com shutter-lags longos demoram a registrar a imagem ao pressionar o botão de disparo. Uma boa forma de testar é colocar a câmera no modo automático (P) e pressionar o botão enquanto movimenta a câmera lateralmente, se registrar uma imagem muito borrada provavelmente não servirá.
  • Verifique se a câmera possui o modo manual (M) e se pode variar a abertura algo do tipo 2.8~5.6 e velocidade de 30~1000 pelo menos (consulte o manual ou testes publicados).
  • Procure saber se existe caixa estanque adequada ao equipamento e que permita adicionar braço articulado para um flash externo.
  • Pense em adquirir este equipamento já na pretensão de colocar um flash externo (mesmo por meio de cabo ótico ou de sensor).
  • Informe-se com pessoas que tem equipamento similar e conheça as dificuldades de seu manuseio.
  • Participe de listas especificas de foto-sub e fóruns na Internet sobre fotografia.

Veja alguns links que poderão ajudá-lo a ter e montar seu equipamento de fotosub:

  • http://br.groups.yahoo.com/group/foto_sub_Ary/
    Lista de Foto-sub do Fotógrafo Ary Amarante – Bate-paco sobre fotosub, orientações e informações e dúvidas de seus alunos.
  • www.adsfotosub.com
    Página do curso de foto-sub da ADS – Informações práticas de como montar um equipamento de foto-sub digital além de curso online e dicas.
  • www.heinrichsweikamp.net
    Página técnica (em inglês) de sensores desenvolvidos para adaptação de flashes externos subaquáticos em câmeras digitais compactas.
Christian Sgarbi
Instrutor de fotografia pela ADS International, desenvolveu a primeira revista virtual de fotosub no país, a Virtualfotosub e atualmente integra a CEDSU (Comissão de Evento Digital Submerso).