Ficar próximo da embarcação pode causar prejuízos

Foto: Clécio Mayrink

É muito comum que os mergulhadores fiquem flutuando ao lado da embarcação de mergulho aguardando seu dupla ou batendo papo após o mergulho, mas você sabia que ficar ao lado da embarcação pode trazer alguns prejuízos ?

Esse é um assunto pouco comentado, talvez pela falta de conhecimento de muitos, e explico.

Frequentemente vemos na lateral das embarcações de mergulho, uma pequena quantidade de água saindo e sendo jogada no mar. Ela é proveniente do porão de máquinas, onde ficam os motores do barco. A água acaba entrando pelo eixo do motor do barco e vai acumulando no porão de máquinas.

Quando o acúmulo de água atinge um determinado nível, um pequeno motor (Bomba de Porão) entra em ação de forma automatizada e começa a jogar toda essa água para fora do barco, evitando assim, um alagamento deste compartimento da embarcação.

Até aí, não teria problema algum se essa água jogada para fora fosse limpa, mas não é o que acontece. Normalmente ela acaba saindo com restos de óleo combustível e graxa presentes no porão de máquinas, oriunda dos próprios motores da embarcação.

Essa água contaminada com óleo acaba circundando a embarcação, e quando o mergulhador se mantém próximo do barco, acaba sendo envolvido por essa água contaminada, dando início aos problemas que não são perceptíveis de forma direta pelo mergulhador.

Qualquer produto que seja derivado do petróleo e tenha contato com essa água contaminada acaba se degradando mais rapidamente, com o ressecamento das borrachas, objetos que se soltam por descolamento e alterações nos componentes eletrônicos.

Óleo deixado pela embarcação na superfície – Foto: Clécio Mayrink

Alguns exemplos

Computadores de Mergulho – Em contato com o óleo, acabam ocorrendo alterações no sensor de medição de profundidade do computador de mergulho, e de uma hora para outra, seu computador passa a indicar dados incorretos durante o mergulho e você não compreende o motivo.

Roupa de Neoprene – As roupas começam a ressecar rapidamente e com o tempo, passam a esfarelar.

Descolamento – Itens colados começam a se soltar, como se a cola perdesse o efeito, ficando dura nas partes mais expostas.

Mangueiras de Mergulho – Ressecam mais rapidamente e rachaduras surgem de uma hora para outra, obrigando ao mergulhador a trocá-las em menos tempo.

Zíper – Os puxadores de zíper começam a emperrar, e ao redor da borracha de fixação do zíper na roupa de neoprene, inicia um processo de ressecamento e descolamento. Muito comum no “Zíper Estanque”.

Solução

Para evitar os problemas acima, a única solução é não ficar tão próximo da embarcação quando estiver na água.

A cair na água, procure se distanciar um pouco da embarcação até a chegada do seu dupla e ao regressar do mergulho, procure subir o quanto antes.

Se houver correntes no local, o óleo será levado por ela, não havendo necessidade de se distanciar da embarcação.

Seguindo as dicas acima, você estará diminuindo a possibilidade de contato com a água contaminada, e consequentemente, ampliando a vida útil de seus equipamentos.

Colaboração: Miguel Lopes

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983, no autônomo em 1986 pela CMAS e Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount pela IANTD. Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP), atuando em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior. Também atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.