Fiji 2011 – De volta ao paraíso

O plano em momento algum era parar em Fiji. A história toda se desenvolve com o pânico de umas férias. Minhas últimas foram em novembro do ano passado. Tenho espírito de cigana e para padrões pessoais, o prazo são de seis meses viajar para algum canto. Tenho que ter uma história pra contar, uma pagina à ser virada.

A idéia inicial era ir para Palau, um pequeno país insular da Micronésia, no Oceano Pacífico, entre os mares das Filipinas à oeste, Indonésia e Papua – Nova Guiné ao sul e Estados Federados da Micronésia à leste. Tudo foi planejado mas a verba em mãos não iria ser suficiente para ir até lá.

Meses de falação e finalmente consegui convencer minha amiga Lara, à ir junto. Conheci a Lara no barco onde trabalho aqui em Cairns, Austrália.

Tudo organizado, mergulhos, acomodação, passagens, férias do trabalho, mas faltava o dinheiro. Desiludida peguei meu carro e fui na Flight Centre, famosa agência de viagens por aqui, e fui clara e decidida:

“Tenho X de grana para viajar e tinha intenção de ir para Palau, mas a viagem é cara.”

Que outro lugar pode me oferecer águas claras, mergulhos, snorkeling e principalmente mergulho com tubarões ? Tenho em média 10 dias.”

– “Vai para Fiji. Os preços estão ótimos agora”
– “Mas já conheço, tem outro lugar ?”
– “Quando você esteve em Fiji, você foi para as ilhas Yasawa ?
– “Nunca escutei, quais são os detalhes ”

A partir daí, comecei a pesquisa da viagem. A informação foi válida e comecei fazer as reservas. Isso foi em fevereiro. Tínhamos planos de mergulhar com o tubarão cabeça chata e na possibilidade de tubarão tigre.

Chegou a hora, maio de 2011 !
Como Deja Vu, seis anos depois, estaria de volta ao paraíso !
Duração: 10 dias (9/5 até 19/5)
Destino: Pacific Harbour, Mamanuca Islands e Yasawa Islands
Travel / Dive Buddy: Lara Saunder

09/05/2011 – Cairns – Brisbane

As reservadas foram feitas com meses de antecedência e pegamos preços promocionais. A conexão era Cairns até Brisbane, e depois, Brisbane até Nadi (Fiji). O único problema é que teríamos horas de espera entre um vôo e outro. Às 6 da manhã embarcamos. O vôo é rápido e às 8 e pouco, já estávamos em Brisbane. Teríamos que esperar nosso próximo vôo para Fiji, que seria à meia noite. Para sorte, a Lara tem amigas em Brisbane e isso nos garantiu um abrigo durante todo o dia. Posteriormente, embarcamos para o nosso destino final.

10/05/2011 – Brisbane – Nadi – Pacific Harbour

Eram 5 da manhã (horário local) chegamos em Fiji.

Nadi é onde se situa o aeroporto, mas como tínhamos os mergulhos com os tubarões, teríamos que nos mover para Pacific Harbour, que está a 3hs do aeroporto. Às 9hs da manhã, finalmente chegamos ao destino.

Chegando ao local, me senti em casa. As pessoas são muito amigáveis e cheios de histórias pra contar, e logo soube que um tubarão tigre esteve pela região uma semana antes. Não quis criar expectativas, mas foi difícil controlar.

11/05/2011 – Pacific Harbour – Aquatreck dive – Beqa

Café da manhã tomado, atravessamos a rua de volta até a operadora de mergulho e embarcamos.

O ponto de mergulho é próximo, levando apenas menos de 20min para chegar. O barco estava com muitas cabeças de atum e pedaços de outros peixes pelos cantos. Por aqui, os tubarões são alimentados, e o Brendon, criador do mergulho no local, explicou que no passado, os tubarões eram pescados, e agora, com uma taxa de 15 fiji dólares (média de 8 dólares americanos) por mergulhador, criou-se um vínculo com os pescadores e esse dinheiro é doado à eles. Em troca, eles fornecem os restos de peixe. Isso criou um turismo de mergulho por ali e evitou um desastre maior.

Antes de cairmos na água, o procedimento de segurança foi dado. Aos 25m existe um cabo onde ficaríamos atrás e os integrantes da operadora ficariam na frente alimentando os tubarões. Também foi dito para segurar a máquina fotográfica contra o peito e não com o braços estendidos, porque esse é o movimento que eles fazem no momento da alimentação.

Caímos na água, o coração vêm na boca e os batimento cardíacos aumentam, mas a partir do momento que tudo começa, você se acalma novamente e a mente se esvazia de pensamentos “estúpidos” criados. Estava ali e uma completa admiração da natureza, quase em êxtase, ficamos por mais de 40min, com uma visibilidade de pelo menos 30m.

Os tubarões cabeça chata chegam gentilmente, são enormes, passando dos 3m de comprimento. Entre eles, vemos uma guerra de peixes, mas os tubarões são as estrelas do show e meus olhos os seguem por onde quer que fossem. A “peixarada” toda pega os restos dos peixes, mas os cabeças chata só pegam a cabeça do atum dada quase na boca deles pelos instrutores. São quase domados, e tenho que repetir: são extremamente gentis.

Como um prêmio, achei um dente de um dos tubarões perdido no fundo.

Voltamos para o barco e durante o intervalo de superfície, Brendon nos explica os tipos de tubarões que vimos e o porquê dos procedimentos.

Retornamos para a água e nosso segundo mergulho. Tinha minhas esperanças pelo tubarão tigre, e agora, os tubarões foram mais rápidos para chegar. Desta vez, também haviam mais peixes e rêmoras que o mergulho anterior. Os cabeças chata parecem maiores pelo fato de haver tantos peixes no meio.

Tudo se passou num piscar de olhos e já era hora de retornar para o barco. Passaram-se outros 40min de mergulho.

Mais uma vez, Brendon faz um discurso, falando sobre a conservação dos tubarões e como as pessoas acabam tendo uma impressão errada sobre eles.

Era hora de organizar as coisas, fechar contas e empacotar o mochilão de novo. Amanhã era dia de voltar para Nadi e seguir para as ilhas.

12/05/11 – Pacific Harbour – Nadi – Port Denarau – Nacula Islands

Tudo muito se parece com o show do Amazing Race. Acordamos às três da manhã para seguir rumo à Port Denarau, onde embarcaríamos para as ilhas. Outras 3hs de viagem.

Em Port Denarau, tudo é extremamente organizado. Fizemos o check-in dos mochilões, pegamos nossos vouchers para a viagem inteira. A infraestrutura é muito melhor que o esperando.

Iríamos para o Nabua Lodge em Yasawa Islands, um arquipélago de vinte ilhas vulcânicas no oeste de Fiji, com uma área de, aproximadamente, 135 km².

Chegamos em Nacula Island, com uma cor de água fenomenal. Perto dali, está o local onde foi produzido o filme Lagoa Azul, com Brook Shields.

Largamos as malas no quarto e fomos almoçar. Nas ilhas não há cafés ou restaurantes. Todas as refeições são preparadas pelos locais. Mais do que rápido, caímos na água depois do almoço para um snorkeling. Os corais não eram dos melhores próximo da ilha, o que nos desapontou um pouco. Mesmo assim, passamos a tarde na água. No entardecer, escalamos o morro para uma vista mais compreensível do lugar. Sensacional.

13/05/2011 – Nacula Island

Hoje iríamos para as cavernas. Não sabia exatamente o que nos esperara, mas embarcamos no pequeno dingui (ou táxi aquático) com nossas nadadeiras. Com a máquina fotográfica na mão, passamos por lugares incríveis, em um perfeito dia com 28ºC. Nessa outra ilha, fomos para as cavernas, onde literalmente entramos pelo buraco. Ali, um grupo pequeno de mochileiros se jogam nas águas da caverna. Estávamos no meio. A água era gelada e alma estava limpa. O lugar é perfeito. Nosso guia explicou que o melhor estava por vir… Era prender a respiração e mergulhar fundo até atravessar para o outro lado da caverna.

Realmente ele estava certo e com uma lanterna nos mostrou o lugar. Indescritível. O guia explicou a crença deles e a história do lugar. Por duas horas ficamos no buraco.

Após o almoço, tomamos ciência de um lugar onde havia um recife mais saudável e fomos até lá. O dingui nos pegou de novo e nos levou até o local. Sem dúvida era melhor, com muita vida marinha, moréias, diferente peixes e até uma cobra marinha, que curiosa chegava próximo de nós.

Após o jantar, nos apresentaram a famosa Bula (ola em fijiano) dance. Primeiro os locais apresentam e depois, te chamam para dançar junto com eles.

14/05/2011 – Nacula Island – Naviti Island

Dia um pouco mais tranquilo, mas teríamos que ir para outra de ilha novamente. Embarcamos para Naviti Island, onde ficaríamos no Korovou Eco resort. Chegando lá fomos informadas que havia um snorkeling bom de ser feito… Honeymoon Point.

Teríamos que atravessar o morro para chegar lá, e fomos. O snorkeling foi bom, de novo avistamos cobras marinhas, lulas por todos os lados e diversos tipos de peixes. Ficamos ali por horas, até que o dia se foi, e voltamos para o resort.

15/05/2011 – Naviti Island – Waya Lailai Island

Logo após o café da manhã, retornamos ao Honeymoon Point para outro snorkeling, e às 2 da tarde partimos pra Waya Lailai Island, mais precisamente o Waya Lailai Eco Resort, onde já dava para sentir um clima mais familiar, visto que os locais são longe mais felizes por lá.

A ilha também é um pouco diferente e oferece um pouco mais de coisas à fazer e sendo mais montanhosa.

No dia seguinte tínhamos um snorkeling pra fazer, com um guia que iria conosco no dingui (barquinho de pescador agora…). Esse guia pesca alguns poucos peixes, pois os tubarões Galha Branca estão esperando. Eles eram pequenos e vinham bem próximo. O guia alimenta e os segura para mostrar aos mergulhadores.

Os tubarões ficam esperando o peixe ser jogado, sendo uma ótima oportunidade para se chegar mais próximo deles. Tudo é feito com muita consciência e os tubarões não são machucados ou coisas do tipo. É praticamente uma confiança mútua entre nós e o animal. Ficamos por ali por um pouco mais de uma hora e voltamos para ilha.

Mais tarde, fomos visitar uma vila na ilha vizinha. A primeira ilha que vimos onde os donos são locais, montam o turismo. Visitamos as casas, a igreja e as escolas. As crianças nos acompanham o tempo todo e se empolgam na explicação de suas vidas e crenças, e repito: em Waya Lailai o povo e feliz !

Mais tarde, subimos um morro, e foram quase 2hs para chegar ao topo. A vista vai ficando melhor a cada passo. A paisagem é única e outro lugar indescritível.

17/05/2011 – Waya Lailai Island – Beachcomber

Depois de mais um dia de snorkeling, retornamos ao resort e após 1h de viagem chegamos em Beachcombe, ilha famosa por festas badaladas. A infraestrutura é bem maior que as outras ilhas, onde o resort possui todas as facilidades, desde internet à chuveiro com água quente.

No dia seguinte, realizamos um pela ilha onde foi gravado o filme “Náufrago”, com Tom Hanks. Realizamos um snorkeling, e ficamos um pouco desapontadas, pois a água não é tão azul e o recife não tinha muita vida. É apenas um lugar turístico. Depois de algum tempo, seguimos caminho até bater em uma vila local onde a cerimônia da Kava nos foi apresentada, sendo um na verdade, um ritual. Todos descalços, sentamos em posição de índio e a cerimônia começou. Cantam na língua deles. Um forte “Ben vindos”!

O dia no veleiro é longo mas o pessoal vai fazendo a festa. Com seus violões e violas, vão contando até chegar no barco transfer.

19/05/2011 – Nadi – Brisbane – Cairns

O retorno a Fiji foi bem diferente da viagem anterior. O roteiro era completamente diferente, sendo uma viagem cansativa por tantas mudanças em tão pouco tempo, mas vale muito à pena. A viagem abriga todo tipo de viajante, dos mais aventureiros até os que desejam ir para relaxar. E difícil analisar qual foi a melhor parte de todas entre tubarões, mergulho, caminhadas, água, cavernas, snorkeling… talvez tenha sido todas as pessoas que conhecemos pelo caminho, não só os locais como os mochileiros. A cada conversa, uma experiência trocada. Me fizeram aumentar minha lista de lugares a conhecer.

Fiji têm sua cultura e nos abriga muito bem. E um país de porta aberta e bem estruturado para o turismo. Ainda me pergunto entre tantas mochilas, como eles se organizam. As ilhas são lindas, completamente diferentes entre si. Das águas mais cristalinas as montanhas mais verdes. Mais uma vez Fiji não desapontou.

Uma vez li que viajar é mais que ver lugares diferentes. É uma mudança permanente de idéias de vida. Quem discordar que atire a primeira pedra….

Aos meus amigos mochileiros: até a próxima viagem em algum lugar qualquer do mundo.

As meus amigos fijianos Vinaka Vakalevu !

Marta Espinheira

Marta Espinheira trabalhava em agências de propaganda no Brasil e se mudou para a Austrália em 2004.

Além do Brasil, já mergulhou na África do Sul, Singapura, Vietnam, Fiji, Bali e em toda a Austrália.