Fisheye: Gambiarra na lanterna Fix Led 1000DX

Gambiarra entre a chave liga-desliga e o potenciômetro - Foto: Clécio Mayrink

Sempre procuro analisar os benefícios que cada equipamento de mergulho poderá trazer, buscando sempre as melhores opções disponíveis no mercado. Acredito também, que é primordial verificar se a marca de um determinado produto é de fato, uma marca de primeira linha e reconhecida no mercado, pois assim diminuem as possibilidades com problemas futuros e/ou adquirir um produto de “fundo de quintal”.

Alguns anos atrás adquiri duas lanternas da marca Fisheye do Japão, precisamente o modelo Fix Led 1000DX, que na época, era considerado um equipamento de ponta, devido à qualidade de luz, autonomia e diversos outros aspectos. No meu caso elas estavam sendo usadas para iluminação de vídeo e funcionam bem para o propósito.

Com o passar dos tempos o produto começou a apresentar problemas e infelizmente fui obrigado a usar a garantia e retornar o produto até a loja onde foi comprado nos Estados Unidos. Pouco tempo depois elas foram enviadas pelo representante para o fabricante no Japão, e com isso, lá se foram outros 2 meses para conserto e regresso até o lojista, pois não era possível realizar o conserto na revenda. Além do tempo, ainda tive oi problema de trazê-las para o Brasil.

Posteriormente recebi as lanternas funcionando perfeitamente, mas logo depois acabou a garantia e as duas lanternas começaram a apresentar o mesmo problema.

Tentando uma solução

Entrei em contato com o fabricante para tentar achar uma solução mais viável e a recomendação era a mesma… enviar os produtos para um representante deles e depois para o Japão, ao custo de US$ 50 pelo conserto para cada unidade. Fora de cogitação…

Baseado no meu conhecimento em eletrônica estudei o produto e fiz toda a desmontagem da lanterna, onde pude constatar que por um desenho interno ruim do produto, com o passar dos tempos ocorre a passagem de água para o interior da lanterna, fazendo com que alguns componentes oxidem e enferrujem, fazendo com que a lanterna não funcione corretamente.

Não é difícil encontramos projetos ruins, mas o pior de tudo no caso dessas lanternas da Fisheye, foi a absurda gambiarra feita pela fábrica… existe uma adaptação feita à “mão” entre dois componentes eletrônicos (potenciômetro e uma chave liga-desliga) para graduar a potência da luz e permitir ligar e desligar a lanterna. Na minha opinião uma gambiarra de “fundo de quintal”.

Cheguei a perder alguns minutos tentando entender o que havia descoberto, pois não conseguia acreditar que um fabricante tão conhecido como a Fisheye do Japão fosse capaz de fazer tamanha gambiarra com um produto que não foi barato e que tem como objetivo, também ser usado em situações emergenciais.

Corrigindo o problema

No caso da lanterna Fix Led 1000DX é preciso substituir o potenciômetro de 100K responsável pelo ajuste de potência de luz. Antes da substituição dele, é preciso realizar um pequeno corte no knob do potenciômetro para o perfeito encaixe da ponta da chave liga-desliga nele, permitindo o movimento de ligar e desligar a chave da placa eletrônica.

Cada potenciômetro custou R$ 1 e tive que readaptá-lo fazendo a mesma gambiarra que o fabricante fez para que tudo voltasse a funcionar como anteriormente, porém, já ciente que no futuro, a mesma peça poderá apresentar os mesmos problemas em razão do projeto interno mal feito da lanterna.

Conclusão

Pra mim foi uma decepção descobrir que uma marca tão conhecida no exterior pudesse criar uma gambiarra na linha de produção de um produto tão caro como foi o caso.

Então fica a dica… antes de comprar algum equipamento, estude bastante o produto antes de comprá-lo. Verifique se há algum mergulhador nos fóruns falando sobre o equipamento, e se possível, veja o equipamento em mãos.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.