Futurologia Climática

Foto: Clecio Mayrink

É verão no hemisfério meridional. De outubro a maio a terra se aquece ao sul do equador por estar mais próxima do sol.

Pelo efeito da rotação da terra, a Amazônia desliza sob a grande massa gasosa da evaporação oceânica do Atlântico equatorial. A bacia do rio máximo se coloca debaixo de extensa calota de ar carregado de umidade.

A manta atmosférica úmida presa pela inércia é arrastada pela gravidade mais lentamente que a rotação, apresentando-se como ventos alísios predominantes vindos do leste.

Chove abundantemente por circulações e saturação. Após precipitar-se sobre a terra e alimentar aquíferos, a maior parte da água provinda do mar para lá retorna por rios caudalosos.

O ar permanece saturado pela evaporação a partir do solo e das partes molhadas, bem como das áreas inundadas e pela transpiração das folhas da vegetação tanto original como secundária ou introduzida. Volta a chover devido a essa intensa reciclagem.

O ar quente carregado de água ao se movimentar para oeste encontra a barreira dos Andes coincidente com a “bolha” de alta pressão atmosférica sobre o Pacífico mais frio.

Obstáculos e a rotação da terra fazem com que a imensa massa gasosa úmida venha a defletir no sentido anti-horário e convergir para o sul, onde áreas de baixa e de alta pressão se sucedem em pulsações.

O vento hidratado do quadrante noroeste penetra com facilidade, após longo percurso desde o cálido Atlântico equatorial.

Chove então nessa região próxima ao trópico, tanto por reciclagem e circulações locais como pelo encontro com sucessivas frentes frias soprando do sudeste, que avançam e se dissipam. Quando esse encontro fica estacionário, ocorrem chuvas contínuas e copiosas, causando inundações, que acontecem periodicamente. As águas continuam enchendo estoques subterrâneos e retornando ao mar de onde vieram.

O atual período de aquecimento do planeta terra, atribuído à crescente concentração de gases de carbono, oxigenado ou hidrogenado, poderá intensificar o processo.

Mais calor, mais evaporação no oceano aquecido, mais umidade no ar, mais chuvas ao longo do percurso das nuvens carregadas em movimento.

Não está prevista alteração na rotação da terra! A Amazônia continuará deslizando por debaixo da calota incomensurável de ar quente e úmido do Atlântico. As sobras de chuva no equador virão se precipitar no trópico.

Não há porque prever catástrofes… muito menos o fim do mundo. Mais calor, mais chuva e mais gás carbônico beneficiam plantas, incrementam florestas, asseguram nossa pujante agropecuária.

Fernando Penteado
Engenheiro Agrônomo Sênior, Presidente da Fundação Agrisus - Agricultura Sustentável em São Paulo.