Ginnie Springs

Foto: Vlada Dekina

Mergulhar em cavernas vai muito além da técnica, seriedade e grande quantidade de equipamentos a serem carregados. É mergulhar em ambientes pouco visitados e como se estivéssemos em outro mundo. As paisagens das uma caverna são belíssimas, mesmo com a quantidade de vida infinitamente inferior ao mar. Essa especialidade traz ao mergulhador sensações de se estar em um ambiente muito diferenciado, boas emoções e sensações, como se estivéssemos realmente em um filme de ficção científica.

Alguns mergulhadores questionam e fazem comentários do tipo “mas nas cavernas não há o que ser visto”. Na realidade, há muita coisa pra ver e apreciar. Pensando nessas afirmações de mergulhadores que nunca estiveram em uma caverna alagada, me faz lembrar de um amigo meu que é instrutor de mergulho com grande experiência e atualmente fotógrafo-sub profissional.

Durante uma viagem recente ao México, acabou indo conhecer um circuito de cavernas em uma determinada região. Enquanto sua esposa foi realizar um mergulho nas cavernas juntamente com outros mergulhadores certificados, ele decidiu fazer alguns mergulhos de apreciação em ambientes de cavern com o guia local. Acabou ficando tão deslumbrado com as belezas das cavernas, que já desejava se tornar um mergulhador de cavernas ainda na viagem.

Tais sensações me lembram Ginnie Springs, na Flórida. Face às dificuldades na realização de um curso de mergulho avançado em cavernas (Full Cave) no Brasil na época, o parque de Ginnie foi nosso destino para a realização do mesmo.

Fundado em 1976, o parque de Ginnie Springs possui 200 acres e expele milhões de litros de água diariamente através dos condutos das cavernas presentes no parque.

Olhando-se superficialmente as águas cristalinas e os freqüentadores locais, lembramos da cidade de Bonito, no Mato Grosso do Sul, mas a realidade de Ginnie é outra e está a anos luz de Bonito no que diz respeito ao mergulho.

As facilidades são grandes, vindo desde o estacionamento, escadas com tapete antiderrapante para o usuário não se acidentar ao descer em direção a água, banheiros grandes e limpos, chuveiros com água quente, e apesar de ser um pouco careira, uma grande loja com os mais variados equipamentos de mergulho à disposição do mergulhador.

Se você não mergulha em caverna, pode ter um primeiro contato em um mergulho guiado no local. No parque existem outros atrativos aquáticos à disposição dos visitantes.

E se você pergunta: “Mas isso fica ao norte da Flórida. Em que situação poderia ir lá ?”

Ginnie Springs está localizado a apenas 15 minutos da interestadual 75 (Interstate 75) e a 2 horas da cidade de Orlando. Durante uma visita aos parques temáticos, é possível tirar um dia e dar uma escapada até Ginnie. Mas é altamente recomendável guardar pelo menos dois dias para isso, pois você poderá ficar tão impressionado com o local, e desejar ficar mais tempo.

Ginnie-Springs

Como chegar

Saindo da cidade de Orlando, é o melhor caminho e mais curso é pela Floridas Turnpike e depois a I-75 norte.

Chegando em 30 milhas ao norte da cidade de Gainesville, pegue a saída 399 (saída para a cidade de Alachua).

Da 399 pegue a US-441 norte e em aproximadamente 5 milhas, você chega na cidade de High Springs. No primeiro sinal, pegue a esquerda na state road 27/41 e siga em frente até o próximo sinal por aproximadamente 400m na County Road 340/NE com 182nd avenue. Você verá uma placa indicativa do parque de Ginnie, Blue e Poe Springs.

Vire à direita na County Road 340 e siga para oeste por aproximadamente 6.5 milhas até a placa indicativa para o parque de Ginnie e vire à direita entrando no parque, seguindo até a entrada da loja Ginnie Springs Outdoors, onde se pagam as entradas.

Se preferir, o GPS de lá é 29º 48,907’ N / 82º 42,475’ W (WGS 84).

Site oficial do parque: Ginnie Springs

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.