Grand Bahama

Foto: Erika Beux

Com pouco mais de 50 mil habitantes, Grand Bahama é a quarta maior ilha do arquipélago das Bahamas, localizada ao norte de Nassau. As opções triviais para chegar à ilha via Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, é por ferry boat, levando 4h de navegação ou 40 minutos de voo até o aeroporto internacional de Freeport. A capital é West End, onde fica localizado o Old Bahama Bay, resort que foi nosso ponto de partida para dois dias fantásticos de mergulhos em Tiger Beach.

Conhecida mundialmente por usas águas rasas e cristalinas com mais de 30 metros de visibilidade, Tiger Beach é um parque de diversões para os amantes de tubarões, fotógrafos e filmadores subaquáticos.

O local é frequentado por inúmeras espécies de tubarões e o mergulhador tem a oportunidade de ver Tiger sharks, Lemon sharks, Caribbean Reef shark, Nurse shark, inclusive Hammerheads e muito mais. Porém, há anos, os mergulhadores são atraídos pelos curiosos e oportunistas tubarões tigres, que tem a capacidade de observar cada uma das pessoas ali presentes com seus grandes olhos que mais parecem jabuticabas. Qualquer mergulhador distraído ou de costas para eles, e poderá se tornar uma presa fácil. Por isso, os instrutores recomendam que os mergulhadores fiquem sempre de frente, atentos e encarando os tubarões.

A operação dos mergulhos com os grandes tubarões tigres ficou à critério da equipe do Stuart Cove’s que, dentre as operadoras de mergulho que oferecem o passeio, é uma das mais tradicionais e seguras para este tipo de atividade.

Depois de uma hora de navegação até o ponto de mergulho, os instrutores passam a jogar pequenos peixes mortos no mar para atrair os tubarões. Em poucos minutos, os primeiros a aparecerem para conferir o cardápio, são os tubarões-limão e tubarões de recife.

No primeiro dia de mergulho, ficamos mais de 3h em alto mar jogando peixe na água e nenhum tigre aparecia. O mestre do barco achou melhor trocarmos de lugar e atracarmos sobre um pequeno naufrágio. Mais uma hora jogando peixe no mar, quando uma fêmea de tubarão tigre resolveu dar as caras. Quase fomos ao delírio, pois achávamos que voltaríamos para o hotel sem cair na água.

Foram dois mergulhos com mais de 60 minutos de tempo de fundo aos 6 metros de profundidade com apenas um tubarão tigre, mas dezenas de outras espécies, que circulavam naturalmente, sem se importar com a presença dos mergulhadores.

No segundo dia de Tiger Beach tivemos mais sorte. Os tubarões apareceram depois de 2 horas que estávamos jogando peixes no mar, porém, chegamos a ver 5 indivíduos juntos ao mesmo tempo.

Estávamos a uns 8 metros de distância da caixa onde ficavam os restos de peixes que atraíam os tubarões, os quais ficavam em volta para tentar se alimentar com alguma sobra de comida. Com isso, não conseguimos nos aproximar mais para tirar fotos onde a boca do tubarão preenche todo o enquadramento da câmera. De qualquer forma, o que importa é que as lembranças e a emoção de mergulhar com uma das maiores espécies de tubarões, não há memória que apague.

Mas em Grand Bahama existem mais atrações além de Tiger Beach. Freeport, o principal centro da ilha, oferece um estilo de férias para aqueles que buscam unir os mergulhos com um lugar calmo, mas que também tenha entretenimento noturno e compras.

Port Lucaya é um shopping center aberto localizado o lado da principal marina da ilha e é ponto de encontro para quem gosta de agito, vida noturna, gastronomia variada, bares, lojas, artesanato, etc.

Para os mergulhadores mais entusiastas, em Freeport, no principal centro da ilha, outras duas operadoras oferecem opções de mergulho com tubarões, onde é possível fazer carinho neles, além de mergulho com golfinhos livres em alto mar, bem como mergulho em naufrágios e corais.

Os recifes das Bahamas possuem uma ampla variedade de vida marinha, corais duros e moles, esponjas, centenas de espécies de peixes e os mergulhos geralmente tem a presença de tubarões para tornar ainda mais incrível esse encontro com a natureza.

A operadora Unexso (Underwater Explorers Society) oferece um mergulho de alimentação de tubarões, o Shark Junction, onde um dos indivíduos é “hipnotizado” e a feeder, a italiana Cristina Zenato, conduz o animal até os mergulhadores para que todos possam acariciar o tubarão e sentir a textura da sua pele macia.

Para este mergulho o tempo de navegação foi apenas de 10 minutos, 14 metros de profundidade e 40 minutos de tempo de fundo. Os mergulhadores ficam alinhados, de costas para um pequeno naufrágio e os tubarões são alimentados a menos de 2 metros de distância das pessoas.

Além de tubarões, alguns peixes carnívoros grandes como badejos, xaréus, guarajubas e dentões, se aproximam dos mergulhadores e da tratadora para tentar ganhar um pouco de peixe.

Outro mergulho interessante de se fazer é o Dolphin Experience, onde os mergulhadores autônomos podem interagir com golfinhos-nariz-de-garrafa em oceano aberto. Para isso, os visitantes são transportados de barco para um recife, enquanto os golfinhos seguem um bote que navega junto com o treinador. O mergulho não passa dos 14 metros e o tempo de fundo fica em torno de 40 minutos.

Na maior parte do tempo, os mergulhadores ficam ajoelhados na areia formando um grande círculo e o treinador fica no centro, dando os comandos para o golfinho interagir com as pessoas com direito a beijo na boca e nado livre pelos dispersos aglomerados de corais e gorgônias.

Freeport também atende o público que curte mergulho em naufrágios e corais. Visitamos 5 naufrágios: Theo’s Wreck, S.S. Minnow, Sea Star, Landing Craft e Papa Doc. Desses naufrágios, Theo’s, uma fragata de 228 pés e Sea Star, um cargueiro com 173 pés, ambos afundados artificialmente, e foram os mais interessantes pelo tamanho e a vasta vida marinha que habitavam as embarcações.

Os outros naufrágios eram menores, mas extremamente incorporados pelo ambiente marinho, servindo de refúgios para diversas espécies de peixes, moreias, gorgônias, esponjas e corais. A união disso tudo com uma água cristalina de mais de 30 metros de visibilidade só poderia resultar numa explosão de cores, que deixa qualquer mergulhador encantado com a paisagem subaquática.

Quem leva
 

Tiger Beach
Stuart Cove’s – www.stuartcove.com
Cada saída de mergulho custou US$ 349 por pessoa com 2 cilindros e lastro (em 2015).

Mergulhos em Freeport
Unexso – www.unexso.com
O mergulho de cilindro com golfinhos custou US$ 120 por pessoa, 1 cilindro e lastro (em 2015)

Sunn Odyssey Divers – www.sunnodysseydivers.com
O pacote de 3 saídas de mergulho por US$ 259 por pessoa com 2 cilindros por saída + lastro (em 2015).

Dicas

  • Levar lanche e frutas para os mergulhos, pois as operadoras oferecem apenas água;
  • Levar protetor solar, pois os barcos não tem muito espaço para se abrigar do sol;
  • Em Tiger Beach, como os mergulhadores ficam ajoelhados por mais de 1 hora em cada mergulho, mesmo que a temperatura da água fique por volta dos 26-28 graus, é comum sentir frio com roupa de 3 mm. Recomendamos levar um colete de neoprene de 2 ou 3mm, luvas e capuz para ajudar a manter o calor do corpo.
Erika Beux
Nascida em Caxias do Sul-RS, mergulha desde 2011 e possui certificação Divemaster e Sidemount. Criada desde pequena cercada por fotógrafos, tornou-se fotógrafa subaquática ainda em 2011 e suas fotos foram publicadas em livros, jornais e revistas, inclusive na National Geographic Brasil. Bancária de profissão, graduada em Processos Gerenciais, atualmente estuda Ciências Biológicas. Mergulhou em diversos lugares do Brasil e alguns países como Belize, Bonaire, Bahamas, Costa Rica, México e Flórida.