Ilha da Juventude – Uma opção a mais para o mergulho no Caribe

Foto: Clécio Mayrink

Planejando uma viagem para mergulhar no Caribe ? Vou tornar sua escolha mais complicada: Cuba é mais uma excelente opção e deve ser considerada.

No início de setembro deste ano, fui com um grupo de outros 22 brasileiros mergulhar na “Isla de la Juventud”, que é considerada o mais importante ponto de mergulho de Cuba.

A Ilha da Juventude

É a segunda maior ilha do arquipélago e está localizada a sudoeste da ilha principal. O acesso mais rápido e cômodo é por avião bimotor da Cia. Cubana de Aviacion, partindo de Havana em pouco mais de 25 minutos de vôo. A acomodação na Ilha foi feita no em um hotel com bangalôs duplos, com ar condicionado e de incrível conforto e bom gosto. As demais instalações do hotel, apesar de mais antigas, são boas também.

A comida, é simples e muito parecida com a nossa; o café da manhã é muito bem servido, no almoço há menos opções, já que não é servido no hotel; porém para o jantar as opções oferecidas são melhores.

O centro de mergulho

Localizado a menos de 1 km do hotel, o “Centro Internacional de Mergulho El Colony” tem excelente infra-estrutura para os mergulhadores: uma moderna estação de recarga de cilindros e um local onde todo o equipamento pode ser lavado e guardado com segurança evitando o leva e traz. O hotel oferece o transfer para o centro de mergulho através de carrinhos elétricos (como os usados no golfe) ou de micro-ônibus.

O centro possui várias lanchas rápidas, adaptadas para o mergulho. Não há superlotação, nosso grupo era razoavelmente grande e fomos divididos em duas lanchas; (infelizmente uma delas soltava muita fumaça) e dois divemasters por barco.

Os mergulhos

Saindo do centro de mergulho, navegamos por 1 hora até chegar à base avançada, chamada “El Ranchon Arco Iris”. Trata-se de uma construção de madeira sobre o mar e é onde montamos nossos equipamentos e também é servido o almoço. Estrategicamente é muito conveniente, já que a maioria dos pontos de mergulho está situada próximo ao “El Ranchon”, cerca de 10 a 20 minutos de navegação.

Há mergulhos para todos os níveis de certificação e experiência, para os iniciantes, destacar “La pequena pared”, “El barco hundido”, “Embudo de coral” e “Paraíso de Muke”, sendo este último um point que impressiona pela quantidade de peixes e lagostas encontrados, e com certeza, um paraíso para os fotógrafos sub. Vale muito repetir o mergulho, inclusive um noturno.

Em todos os pontos surpreende a variedade e abundância de vida: tarpões, garoupas, barracudas, xaréus, moréias, tartarugas, lagostas e uma infinidade de peixes recifais são encontrados com facilidade. A diversidade de corais e esponjas também impressiona positivamente.

Para os mergulhadores experientes recomendo os seguintes points: “Mirador”, “Reino Mágico” “Salon Maravilhoso” e “Cueva Azul”. Este último, na minha opinião foi o melhor de todos. Aos 15m de profundidade, iniciamos a descida através de uma espécie de chaminé, seguindo então por uma passagem com 3 a 5 metros de diâmetro (onde são encontrados vários tarpões dos mais variados tamanhos), até avistarmos um buraco, através do qual um azul intenso nos mostra a saída, isto já aos 42 metros.

Do lado de fora, uma parede vertical que se estende até os 1.000 m de profundidade. A visibilidade superior aos 25m, mostra um azul vivo, extremamente convidativo a descer mais – com certeza é o efeito da narcose. Pena que o tempo é pouco – O divemaster logo inicia a subida gradativa, atento a todos do grupo.

Tal qual os demais pontos, durante todo o mergulho é impressionante a abundância de vida e a temperatura da água – mesmo na parte mais profunda a mesma não foi inferior a 29ºC. A visibilidade mínima girava em torno dos 25 m, e estava prejudicada pela passagem do furacão Frances, que passara pelo Caribe semanas antes.

Como chegar

A melhor opção são os pacotes fechados pelas operadoras que incluem as passagens aéreas, os traslados, hospedagem e um número de mergulhos. O regime oferecido é pensão completa (café da manhã, almoço e jantar) sem bebidas. As lanchas só saem com o número mínimo de 6 mergulhadores e, se você não estiver com um grupo é difícil ter este número. A falta de turistas, grande parte gerada pelo boicote que Cuba vive, fez com que tivéssemos um tratamento para lá de VIP.

Os destaques

A cordialidade do povo Cubano de uma forma geral, coisa rara de encontrar. Sempre prestativos fazem de tudo para lhe atender e realizar os mergulhos com toda a segurança. Os primeiros mergulhos servem para os divemasters avaliarem os mergulhadores e definirem os points seguintes.

O incrível é que o Hotel El Colony possui um médico e uma enfermeira a disposição dos hóspedes, além de possuir uma câmara hiperbárica. Em “Nueva Gerona”, a capital da ilha da juventude, a 45min. de distância do hotel, há outra câmara. Quanto à medicina em Cuba, vale lembrar que é referência em várias especialidades.

Dicas

Exija que os “vouchers” sejam entregues a você pela operadora de turismo antes da data do embarque e que neles estejam especificados as datas, os hotéis, trajetos dos transfers e número de mergulhos. Vouchers entregues no aeroporto, na hora do embarque, dificulta qualquer correção de enganos e, acreditem, eles acontecem !!!

Caso queira, é possível contratar mais mergulhos diretamente no hotel. Lembre-se porém das regras de segurança à respeito, conforme a sua certificadora e sua condição física. O mundo não vai acabar no dia seguinte.

Planeje e monitore constantemente seu mergulho e nunca desça sem dupla. É muito fácil cair em descompressão e um bom computador de mergulho é indispensável.

Procure levar seu equipamento de mergulho, porém somente o necessário. Roupa de neoprene não é necessária devido à temperatura da água. No máximo, um mono-short de 3 mm caso você sinta muito frio. Lanterna primária somente será necessária se for realizar mergulhos noturnos ou nas caverna de Cuba. Já uma secundária é muito útil para “fuçar” as tocas.

Cuidado com o excesso de peso. De Havana para Gerona geralmente não há problemas, mas lembre-se: Excesso de peso, quando cobrado, sai caro.

Não esqueça de levar e usar o protetor solar e repelente de insetos. Leve também um pequeno estojo de primeiros socorros.

Não deixe para comprar lá, coisas corriqueiras como baterias, pilhas, filmes, repelente, protetor e principalmente material de mergulho. São difíceis de encontrar ou custam bem mais caro.

Tenha paciência para desembaraçar as malas ao chegar em Havana, e com o rigor das autoridades locais quando for “pegar” os vôos locais. São rigorosos, porém educados e o rigor é para todos os passageiros, estrangeiros ou não.

Os mergulhos podem ser realizados o ano inteiro, porém, evite a época de agosto a novembro, período este que é conhecido como a temporada de furacões e das tormentas tropicais, que podem acabar com seu mergulho.

Para uma esticada de pernas, cruze a ponte de madeira que liga o El Ranchon até a praia do Francês para um passeio, porém não esqueça o repelente.

Não é possível fazer ligações à cobrar de Cuba. O custo da ligação dos hotéis para o Brasil é de US$ 3.2 por minuto, ligando da Ilha da Juventude, e de US$ 3.6, ligando de Havana. Utilize os cartões telefônicos em telefones públicos – US$ 5 e 10, que são mais em conta e podem ser encontrados nos hotéis ou aeroportos.

Os cubanos são extremamente cordiais, especialmente com os brasileiros, porém, cuidado com o “portunhol”; o inglês é uma boa alternativa para evitar constrangimentos.

Reserve pelo menos um dia para conhecer Havana e apreciar o charuto e o rum cubano. Se for comprar (o preço realmente compensa), compre em lojas, e nunca na rua; pois na sua saída de Cuba, pode haver uma exigência da nota fiscal pelos agentes alfandegários, sob pena de apreensão da mercadoria.

Mesmo que alugada, leve uma máquina fotográfica – fora ou dentro da água, se você não levar se arrependerá.

Há outros pontos de mergulho em Cuba como Varadero e Maria La Gorda, que não conheço, porém espero poder escrever logo a respeito.

Cosmo Labate
Cosmo Labate Advogado, é Rescue Diver pela PADI com especialização em naufrágio, EFR e Nitrox pela PADI, e Underwater Photographer pela PDIC.