Introdução a Foto Subaquática – Parte 2

Neste artigo vamos acrescentar dois fundamentos, que aliados ao controle de abertura e velocidade do obturador, farão com que o praticante de fotografia subaquática e terrestre, tenha domínio sobre a câmera e consequente melhora no resultado de seus cliques !!!

Depois de ler o artigo sobre abertura e velocidade do obturador você provavelmente já deve estar dominando estes controles na câmera. Continue treinando, pois quanto mais rápida for sua reação e identificação antecipada da velocidade e abertura, mais chances você terá para conseguir registrar aquele momento especial que não permite outras tentativas.

Mas e aquela pergunta que não se cala: estou com a abertura certa, velocidade adequada, por que uma foto está esverdeada e outra amarelada ?

A resposta para seus problemas é a adequação correta do White Balance, que consiste no processo de remoção de tons irreais indesejados, garantindo assim que o branco que o fotografo visualiza na cena, seja o mesmo branco que está registrado no sensor de sua câmera.

Para adequar corretamente o White Balance da câmera é necessário levar em conta a temperatura de cor de uma fonte de luz, que se refere à intensidade de calor da luz branca.

Antes
Antes

O que isso significa ?

Nossos olhos têm certa facilidade de identificar o que é branco sob diferentes fontes de luz, e as câmeras digitais também podem ter grandes dificuldades em fazê-la, logo, e usar a câmera em modo AWB (White Balance Automático) pode colocar sua foto em sério risco, principalmente se esta for tirada embaixo d´água.

Nas câmeras de filme o White Balance é corrigido através de filtros de cores, contudo, graças aos avanços da fotografia digital hoje não precisamos investir em tais filtros, salvo em alguns casos específicos, o White Balance fará isso por você, trazendo bons resultados em diferentes situações de luz, e mais para frente ampliando seu leque de ferramentas a serviço de sua criatividade.

Com correção de White Balance
Com correção de White Balance

A temperatura de cor é medida por Kelvins e varia entre 1.000K até 10.000K. A luz do sol ao meio dia com céu azul se enquadra no que é conhecido como luz neutra entre 5.000K e 6.500K. Quanto mais aumentar a temperatura da luz, mais fria será a distribuição de cores e a tendência por exemplo, é de um tom azulado aos 9.000K.

O inverso, que seriam 1.000K, traz uma distribuição de cores mais quentes com a predominância do tom laranja.

Vejam esse quadro esquema:

Temperatura de cor Fonte de luz

1000-2000 K Luz de velas
2500-3500 K Tungstênio
3000-4000 K Nascer e por do sol
4000-5000 K Lâmpadas Fluorescentes
5000-5500 K Flash Eletrônico
5000-6500 K Sol do meio dia
6500-8000 K Céu parcialmente nublado
9000-10000 K  Sombra ou céu fortemente nublado

 

O que foi colocado aqui sobre temperatura de cor serve para enriquecer um pouco mais seu conhecimento sobre fotografia. Este é um assunto bastante complexo e para aqueles que desejarem se aprofundar mais nesse tema, recomendo um curso.

Felizmente, as câmeras de hoje já vêm com uma variedade de White Balances pré-definidos de fábrica, e desta maneira, você não precisará se preocupar com temperatura de cor assim como ajustes de verde-magenta, por enquanto.

Configuracao-Camera0

Auto White Balance

 Configuracao-Camera1

Custom

 Configuracao-Camera2

Kelvin

Configuracao-Camera3

Tungstênio

Configuracao-Camera4

Fluorescente

Configuracao-Camera5

Sol ao meio dia

Configuracao-Camera6

Flash

 Configuracao-Camera7

Nublado

 Configuracao-Camera8

Sombra

 

Procure em sua câmera e, se for necessário, consulte seu manual sobre onde e como alterar o controle de White Balance. Quando o encontrar, aparecerá uma tela com opções muito similares com as do quadro de referência acima. Os três primeiros White Balances permitem uma boa gama de temperatura de cores. O modo AUTO disponível em quase todos os modelos de câmeras com controle manual, utiliza um algoritmo que tenta “adivinhar” a correção dentro de uma limitação que varia entre 3.000K e 7.000k.

O modo CUSTOM, permite que você tire uma foto de um objeto reconhecidamente cinza e depois defina aquele White Balance para as demais fotos que serão tiradas, desde que faça a foto do objeto cinza no mesmo ambiente, com a mesma luz em que as demais fotos serão tiradas. Muitos fotógrafos levam uma tela cinza para o mergulho onde ficam, de tempos em tempos, “calibrando” o White Balance.

O modo Kelvin, permite que seja definida a temperatura de cor desejada no momento. Assim, você poderá realizar alguns testes de adequação e com a evolução do treino, conseguir antecipar a melhor temperatura de cor para aquela luz.

Repare que os seis modos restantes na realidade seguem um padrão crescente de temperatura de cor do Tungstênio com 3.000K, à sombra com 9.000K. Meu conselho para aqueles que por ventura tenham dificuldades para escolher o mais apropriado, é para sempre testarem o modo Tungstênio ou nublado para fotografia subaquática, mas cuidado com o primeiro modo citado em caso de fotos sem a utilização de flash.

O segundo fundamento deste artigo, é a velocidade ISO, assim como nos outros fundamentos já mencionados, pode se tornar salvadora ou vilã de uma foto.

Uma questão

Estou com abertura máxima do obturador (F 2.8 por exemplo), a velocidade está em lentos 1/80, a moréia está na sombra da toca em um local escuro e a foto está com déficit de iluminação, o que faço ?

A primeira resposta seria: aumente a potência do flash mas, como esse assunto será colocado em um artigo futuro, a resposta para a questão acima é: aumente a velocidade ISO.

O artifício das câmeras digitais para preencher a falta dos filmes e suas diversas ASAS, foi a criação do ISO speed. Se utilizado com moderação, esse controle lhe trará mais luz e mais textura na foto, porém, quando utilizado demasiadamente, causará granulação, também conhecida como “noise”. Salvo em algumas exceções da fotografia artística e em casos específicos de flagrantes jornalísticos em lugares onde não importa a qualidade da imagem, e sim, o que ela flagrou, a granulação não é bem vinda.

O ISO speed é um comando que controla a sensibilidade do sensor a luz e suas medidas podem variar de ISO 50 a até ISO 800 na maioria das câmeras compactas, podendo alcançar números como 6.000 em câmeras avançadas. Meu conselho para vocês é que usem esse artifício como sal, uma pitadinha somente para buscar textura e nitidez.

Encontre em sua câmera o controle de velocidade ISO.

Vou sugerir agora um treino que fechará essa primeira sequência de artigos sobre os quatro fundamentos básicos de uma câmera.

Vamos observar na prática as duas faces do ISO speed, aquela que nos ajuda a trazer mais luz para uma cena e aquela que estraga a foto com granulação excessiva.

Foto com ISO 100
Foto com ISO 100

Selecione um objeto qualquer em um local com boa iluminação e comece pelo menor ISO speed existente na câmera, a essa altura você já domina os princípios de tamanho da abertura e velocidade do obturador, assim como o White Balance. Faça uma foto depois de adequar os controles a luz local.

Agora faça outra foto com ISO speed em torno de 150 a 250 (pode variar conforme o modelo). Lembre-se de novamente adequar velocidade e abertura para essa condição de maior luminosidade. Todas as fotos deste teste devem ter brilho semelhante.

Agora selecione a opção ISO 500 sempre adequando velocidade e abertura de maneira que mesmo acrescentando ISO a foto permaneça com o mesmo brilho das anteriores.

E então finalmente, selecione o ISO speed máximo oferecido por sua câmera e se esforce para manter o mesmo brilho corrigindo velocidade e tamanho de abertura. Faça todo o processo sem utilização de flash e depois refaça incrementando o estudo com a inclusão do flash.

Foto com ISO 500
Foto com ISO 500

Em seguida e mais importante, descarregue as fotos do treino no computador, analise os resultados e veja por si só as qualidades e defeitos do ISO speed. Assim como possíveis correções na análise de tamanho de abertura e velocidade do obturador.

Não se esqueçam o quão importante é o treino constante em casa ou em qualquer lugar. Tendo um tempinho livre, pegue sua câmera. Não adianta esperar o fim de semana de mergulho para treinar essas operações. Na realidade o objetivo principal é chegar no mergulho com tudo dominado para que o fotógrafo possa se dedicar plenamente a sua segurança e a sua criatividade.

Espero que este artigo juntamente com o primeiro, ajudem aos amigos mergulhadores a aumentar o domínio sobre a câmera e sobre como retratar de maneira mais consciente a cena desejada. Gostaria que todos treinassem a fundo esses 4 fundamentos básicos, pois na sequência, estarei abordando assuntos mais avançados como o enquadramento e composição em diversos cenários, dentre outros, para que todos possam acompanhar sem dificuldades no entendimento.

Estou à disposição para qualquer dúvida sobre os tópicos abordados, assim como para consultoria na aquisição de equipamentos e para localização de instrutores de fotografia subaquática mais próximos de suas casas.

ISO e o Brilho
ISO e o Brilho