Jacket ou Asa ? Eis a questão…

Quando comecei a mergulhar na década de 80’, usávamos o chamado back pack, que como o próprio nome diz, era um apoio de costas, que fixado ao cilindro de mergulho, permitia o mergulhador ir para a água com o cilindro preso nas costas.

Com o passar dos tempos, surgiram os Buoyancy Compensators, também chamados simplesmente de BC ou colete equilibrador, cuja função, era permitir ao mergulhador, um perfeito equilíbrio em sua flutuabilidade, evitando deixá-lo nadar como uma “lagartixa” no fundo do mar e esbarrando em tudo. Além disso, ele traz uma segurança extra, permitindo ao mergulhador flutuar na superfície para pedir um auxílio.

Colete-Babador-NautikaOs primeiros BC´s chegaram ao Brasil, sendo apelidados de Colar ou Babador, devido ao antigo formato parecer com um colar de jóias ou de um babador de criança. No Brasil, a Nautika foi um dos primeiros fabricantes a comercializar o modelo Nautisub e durante um bom tempo.

Quem chegou a usar os coletes deste modelo, sabe o quanto era horrível mergulhar com eles, e principalmente os homens, no que diz respeito a fita entre pernas, que era a parte do BC que fazia com que o mergulhador fosse içado, e nem é preciso explicar porque isso era um incômodo aos homens…

Passado alguns anos, surgiram os BC´s do tipo Jacket, inicialmente fabricado pelas empresas estrangeiras e posteriormente pela Cobra Sub e Scubatec no Brasil.

O modelo Jacket é usado até hoje, porém, houveram grandes modificações ao longo do tempo, como por exemplo, a colocação de dois quick releases (soltura rápida) frontais na altura dos ombros, para uma eventual emergência.

Asa-2O surgimento da chamada “Asa”

Os anos passam e com o aparecimento do Mergulho Técnico, surgiram os coletes com inflagem dorsal, também conhecidos como coletes Asa.

Esse sistema foi adotado pelo Mergulho Técnico por diversos fatores, dentre eles, por deixar o mergulhador em posição horizontal, posição esta, ideal para a natação com cilindros duplos e stages, em mergulhos com penetração em ambientes com teto, como as cavernas alagadas, por exemplo.

Com o tempo, muitos mergulhadores passaram a gostar de mergulhar posicionados na horizontal, e questionaram o porque não criar um colete asa com menores dimensões, para o mercado recreacional. Os fabricantes perceberam essa demanda e desenvolveram o BC do tipo asa com menores dimensões, e com isso, o BC do tipo Asa começou à ser difundido no mercado recreacional, vindo à ser adotado por muitos mergulhadores.

Colete-Jacket
Colete-Jacket

Mas qual BC devo comprar ? Um Jacket ou Asa ?

A resposta para esse tipo de questão é: depende.

Como tudo na vida, há pós e contras quanto ao uso dos dois sistemas, e cada mergulhador deve decidir por si só, o que é melhor em termos de preço, custo e benefício para si.

Vejamos alguns pontos abaixo de cada um dos modelos:

 

Pós Contras
Colete Jacket
  • Montagem simples e rápida;
  • Não requer o uso de V-Wheight (Lastro de chumbo) normalmente usado no BC do tipo Asa;
  • Alguns modelos permitem o lastro integrado, não havendo a necessidade de usar cintos de lastro;
  • Bolsos laterais para carregar outros acessórios, como lanternas por exemplo;
  • Soltura emergencial mais rápida e fácil;
  • Mais dispositivos para o esvaziamento da sua câmara interna.
  • Normalmente são mais pesados que os BC´s do tipo asa;
  • Requerem mais atenção na manutenção;
  • Deixa o mergulhador na posição vertical, dito por muitos como “posição cavalo marinho”, provendo uma natação mais exaustiva.
  • Mais arrasto e consequentemente menor agilidade do mergulhador;
  • Como possui mais dispositivos para o esvaziamento da câmara interna, aumentam as chances de vazamentos por esses dispositivos.
Colete Asa
  • Manutenção mais fácil;
  • Simplicidade quanto ao uso;
  • Deixa o mergulhador na posição horizontal provendo maior mobilidade e menos arrasto;
  • Menor possibilidade de vazamentos nos dispositivos;
  • Montagem mais demorada;
  • Requer o uso de Back Plate;
  • Soltura emergencial mais complicada quando não se têm quick release nas fitas do Back Plate;
  • Na maioria das vezes, requer um V-Wheight (Lastro de chumbo) para fazer o papel do cinto de lastro;
  • Não possui bolsos para acessórios.

 

Jacket com asa ?

Hoje encontramos alguns modelos de BC´s do tipo Jacket, porém, com inflagem dorsal, dando a impressão de um colete misto, e é…

Um exemplo disso é o BC Fun Dive Excel, o Zuma da Aqualung e o Knighthawk da Scubapro, por exemplo, que possuem uma câmara de inflagem dorsal, permitindo um mergulho posicionado na horizontal, sem estar usando um sistema de asa com o Back Plate.

Essa é uma boa escolha ?

Depende… particularmente acho o BC Jacket muito prático e com montagem extremamente rápida, porém acho que o BC do tipo Asa me trás uma mobilidade muito grande…

Atualmente tenho mergulhado muito com um BC misto, do tipo Jacket com inflagem dorsal e posso dizer que estou muito satisfeito com o resultado, e particularmente não gosto dos BC do tipo Asa para o mergulho recreacional, mas como meus mergulhos são sempre muito variados e com diferentes objetivos, onde a cada momento utilizo um BC adequado para a ocasião, e não posso ser uma referência para uma conclusão de que BC se deve adquirir.

MergulhadorSe você está com dúvidas sobre que modelo adquirir, analise os pós e contras de cada modelo, custos e principalmente, qual deles será o mais confortável e adequado ao tipo de mergulho o qual se deseja ter.

Tenha atenção especial aos tópicos de pós e contras de cada um deles, citados anteriormente neste artigo.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.