Kapunda e Ada Melmore: Colisão e tragédia no litoral alagoano

Kapunda

O litoral brasileiro sempre serviu de rota para navios de diversas nacionalidades que utilizavam nossas águas como rota de inda e vinda à portos de várias nacionalidades, principalmente europeus.

Este fato, aliado aos erros de navegação, falha humana ou mecânica, fizeram das águas brasileiras não só um local de passagem mas túmulo final para centenas de navios e passageiros.

Em vinte de janeiro de 1887, o destino de dois navios se cruzaram no litoral Alagoano: Eram o “Ada Melmore” e o “Kapunda“.

O “Ada Melmore” era um veleiro de casco de aço, de 591 toneladas e trazia uma carga de minério de manganês proveniente da cidade de Coquimbo no Chile com destino à Inglaterra.

O “Kapunda”, também um veleiro de casco de aço, havia sido construído para ser um navio de altíssima classe, vinha do Reino Unido com 313 passageiros. A maioria deles imigrantes com destino a cidade de Fremantle, Austrália.

Às três e quinze da manhã, os dois navios se chocaram !   O Kapunda afundou em cinco minutos, vitimando 303 das 313 pessoas a bordo. No Ada Melmore apenas três pessoas morreram.

Entre as 303 vítimas do “Kapunda”, estavam todas as mulheres e crianças que estavam a bordo.

Devido à rapidez com que o navio naufragou, não foi possível utilizar nenhum dos botes salva-vidas.

Kapunda-Grafico

Em uma ação desesperada, os sobreviventes do “Kapunda” foram resgatados pela tripulação atônita do “Ada Melmore” e seguiram viagem para Pernambuco. Durante o trajeto, o “Ada Melmore” fazia muita água. Para manter o barco flutuando, parte da carga de minério de manganês foi jogada ao mar.

Isso não impediu que o navio ficasse sem condições de navegação e ele teve que ser abandonado no dia 28 de janeiro, oito dias após ter colidido com o “Kapunda”. O “Ada Melmore” afundou no dia seguinte, 29 de janeiro, em local ignorado, mas acredita-se que isso tenha ocorrido entre o Norte de Alagoas e o Sul de Pernambuco.

Em 31 de Janeiro, outro veleiro entrou na terrível história do “Ada Melmore” e do “Kapunda”: Era o Ulysses, de nacionalidade francesa, que ia em direção Moçambique, vindo de Marselha. Este navio havia visto os pedidos de socorro enviados pelo “Ada Melmore” e partiu em seu auxílio.

O Ulysses, resgatou os náufragos, já bastante desgastados física e psicologicamente. Uma parte deles foi levada a Maceió e a outra para o Rio de Janeiro.

O desastre envolvendo estes dois navios é citado mundialmente com um dos mais terríveis da história. Em poucos casos aconteceu a terrível peculiaridade de todas as mulheres e crianças a bordo perecerem.

O “SS Atlantic” da White Star Line – mesma proprietária do Titanic – tem essa terrível coincidência com o “Kapunda”: Ele naufragou no litoral de New Jersey e apenas os homens sobreviveram.

Para os “naufrageiros”, o litoral de Alagoas fica a cada dia mais interessante pois muitos navios afundaram por lá e ainda não foram encontrados.

Rodrigo Coluccini
Criador e proprietário da Revista Deco Stop, foi um dos responsáveis pela divulgação em larga escala das informações sobre naufrágios no litoral brasileiro, fato antes restrito a poucos. É co-autor do manual de naufrágios da certificadora PDIC. Seu trabalho é citado em vários livros atuais sobre história maritima brasileira confirmando a importância de seu trabalho.