Lanterna HID X Mal funcionamento repentino

Lâmpada HID dentro do bulbo de vidro - Foto: Clécio Mayrink

Recentemente fui mergulhar usando minha lanterna HID, e no primeiro mergulho, percebi que a luz emitida tinha algumas pequenas variações na potência. Ainda assim, o mergulho transcorreu sem problemas, mas com essa intermitência.

Ao regressar para o segundo mergulho, simplesmente a lanterna não ligava. Tentei inúmeras vezes acionar o botão, e nada. Simplesmente ela parou de funcionar.

Encontrando o defeito

Chegando em casa, verifiquei o estado da bateria e estava tudo ok.

Resolvi desmontar a “cabeça” da HID, que é a parte onde a lâmpada HID fica instalada.

Lâmpadas HID são lâmpadas que necessitam de um pico de luz para acendimento, e por isso, utilizam uma peça denominada ballast. Quando ligamos a lanterna, a energia flui da bateria para o ballast, e este por sua vez, transforma a voltagem recebida (12v) em quase 300v, gerando o pico necessário para o acendimento da lâmpada HID.

Após esse pico, a voltagem cai e se mantém constante para deixar a lâmpada HID acesa. Por esse motivo é que não se deve ficar ligando e desligando as lanternas que utilizam esse tipo de lâmpada, pois você poderá danificar o Ballast e a própria lâmpada HID.

Esquema elétrico de uma lanterna HID – Arte: Clécio Mayrink

O esquema elétrico da lanterna HID é simples, a energia sai da bateria e passa por um interruptor, em seguida, passa pelo ballast onde a lâmpada HID é encaixada. Sendo assim, seria preciso confirmar se a corrente da bateria alcançava a lâmpada, verificando se o interruptor estava deixando passar a energia para o ballast, e consequentemente para a lâmpada HID.

No meu caso, o interruptor estava ok, então, removi a lâmpada do ballast e fui verificar se a energia estava passando pelo ballast.

Encaixando as pontas (positivo e negativo) do multímetro no soquete de conexão da lâmpada, ao ligar o interruptor o multímetro acusou um pico de 300v, e em seguida, a queda acentuada da voltagem, e estabilizando com alguns volts. Isso confirma:

  • A bateria e o interruptor estavam passando a voltagem necessária;
  • O ballast recebia a energia e estava respondendo com o pico de voltagem corretamente.

Diante deste cenário, a dúvida pairou sobre a lâmpada HID. Esse tipo de lâmpada é relativamente frágil, mas não havia ocorrido nenhuma queda ou impacto na lanterna. Como a lâmpada era relativamente nova, achei que seria pouco provável sua queima em tão pouco tempo.

Verificando novamente o ballast, percebi que os micro contatos do soquete (onde a lâmpada HID encaixa) estavam com um pouco de oxidação. Utilizando uma espátula de dentista e inserindo uma micro gotícula de vinagre usando uma seringa com agulha, consegui remover a oxidação.

Bingo !   Consegui limpar os contatos e a lâmpada voltou a funcionar perfeitamente.

Contatos do Ballast

Porque isso aconteceu se não há contato com a água salgada ?

A resposta é simples… o excesso de umidade no interior do bulbo que protege a lâmpada HID da água.

Apesar desse tipo de lâmpada não esquentar como as antigas lâmpadas de kripton e halogênio, ou como os atuais Leds, ainda assim, há um pequeno aumento na temperatura no interior do bulbo, e essa elevação da temperatura pode ocasionar pequenas bolhas de água no interior do bulbo. Pra piorar, o choque de temperatura deste bulbo com a água, acelera o processo de evaporação.

Contatos da lâmpada HID – Foto: Clécio Mayrink

No meu caso, essa umidade (mesmo que pequena) foi capaz ao longo dos anos, de ocasionar a oxidação dos contatos do ballast, impedindo o transpasse da energia para a lâmpada HID e consequentemente, o acendimento da mesma.

Isso comprova que apesar da qualidade do equipamento, ele precisa de uma manutenção preventiva frequente.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.