Litoral de São Paulo sob risco de catástrofe ambiental

Foto: Prefeitura de Santos-SP

Após muitos anos de atuação, o navio de pesquisas Professor W. Besnard foi doado ao município de Ilhabela pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, com a finalidade de torná-lo um recife artificial nas proximidades da Ilhabela, litoral norte do estado de São Paulo.

Transformar o navio como recife artificial trará muitos benefícios para a região, como proteção e enriquecimento da biodiversidade, geração de empregos, desenvolvimento do turismo, aumento na produção pesqueira e ponto para pesquisas biológicas.

Sem condições de navegar e uso, atualmente o navio encontra-se fora de serviço e ancorado no porto de Santos, aguardando uma decisão final sobre o seu destino, pois o processo de afundamento que estava em execução acabou sendo alterado de uma hora para outra em razão do surgimento de uma ideia absurda de transformar o Besnard em um navio museu na Ilhabela.

Essa proposta foi apresentada por uma ONG que acredita numa “parceria” com a prefeitura e diz que irá subsidiar recursos angariando patrocinadores para ajudar a manter o museu, mas diante de vários exemplos no Brasil sabemos que na prática isso nunca funciona.

Quem pagará a conta é a população da Ilhabela

Atualmente o Prefeito de Ilhabela anda realizando diversas reuniões com intuito de tomar uma decisão quanto ao destino final do navio Besnard, mas segundo alguns participantes, as reuniões são lentas e infrutíferas.

Tornar o Besnard um navio museu é uma ideia tão absurda e preocupante, mostrando que a administração pública não tem a noção técnica do que essa decisão de transformá-lo em navio museu poderá acarretar para população da Ilhabela, e que certamente terá que arcar no futuro com um enorme prejuízo financeiro que o museu trará se for instituído.

Para tornar o Besnard um navio museu, seria necessário reservar uma grande área física para acomodar o navio na Ilhabela, manter o salário de diversos funcionários para que o museu funcione, além do alto custo de manutenção que o navio requer. “Acreditar que esses custos seriam pagos com a venda de ingressos de visitação ao museu, é como acreditar que Papai Noel existe”, diz um dos participantes que tentam resolver essa questão.

Os custos são elevadíssimos e não precisa imaginar tanto para saber que o número de visitantes mensais necessários para manter o museu jamais seria alcançado.

Catástrofe ambiental em contagem regressiva

O tempo está passando e a decisão final pela Prefeitura de Ilhabela não sai do papel.

A prefeitura anda realizando reuniões e mais reuniões sem resolver o problema em tempo hábil e condizente com a situação grave que tem em mãos.

Sabe-se que recuperação do navio é inviável, pois o custo da recuperação é superior ao que o navio vale. O navio pode naufragar a qualquer instante devido às péssimas condições em que se encontra o casco, pela falta de manutenção e abandono.

Em março de 2014 um engenheiro emitiu um laudo informando que o navio encontrava-se em estado crítico e que poderia afundar a qualquer momento. Passaram-se outros três anos e a situação do navio continua a mesma, aumentando as chances do estado de São Paulo ter um enorme dano ambiental, caso o Besnard afunde no porto de Santos, pois a liberação do óleo no mar trará grandes transtornos não só para o meio ambiente, como para a população.

Situação atual

Segundo outro integrante que participa das reuniões que debate o assunto, está agendada uma audiência pública para a princípio, decidir o que será feito com o navio, e com isso, os anos se passam e a administração pública vai brincando com uma “bomba relógio” prestes a afundar a qualquer momento.

Clecio Mayrink

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount).

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou como consultor para a ONU, UNESCO, Segurança Pública, além de diversos órgãos públicos no Brasil.