Luz na fotografia e o uso do flash

Foto: Clécio Mayrink

A luz é fundamental na fotografia submarina, porém, ela sofre a ação de dissipação na água. Parte dos raios solares são refletidos para o ar e o resto passa para a água, comprometendo a intensidade de luz, brilho e cores. Durante o amanhecer ou entardecer, a luz solar é refletida para o céu e iluminando menos a água, e também, conforme as condições do mar.

É possível tirar boas fotos com luz natural, mais isso dependerá da visibilidade local e da hora em que se deseja fotografar. Uma característica importante, é a densidade da água, pois isto poderá alterar a posição do objeto à ser fotografado em relação a objetiva, podendo também interferir no tamanho e em uma redução no ângulo das objetivas. Ao utilizar câmeras com regulagem de distância, não se esqueça que tudo deve ser observado embaixo d’água, e tudo está 1/3 maior do que o tamanho real.

Flash-Interno-ExternoReflexão da luz

Um dos grandes problemas que um fotógrafo poderá ter embaixo d’água, é a reflexão de luz causada por partículas em suspensão na água. Ao fotografar um objeto, dependendo do posicionamento do flash em relação ao objeto à ser fotografado, a luz emitida pelo flash vai de contra a essas partículas, vindo a refletir a luz para a objetiva da câmera, originando assim, os pontos brancos nas fotos sub.

Um macete para diminuir a possibilidade disto ocorrer, é posicionar o flash o mais longe possível da objetiva em um alinhamento inclinado em relação ao objeto à ser fotografado.

Absorção da cor

A luz embaixo d’água é absorvida e fazendo com que as cores sejam diluídas no ambiente. Prova disso, são as cores mais fortes ou quentes como o vermelho, por exemplo, que aos 10m de profundidade apenas, acaba se tornando preto. O grau de luz não absorvida pela água, é o que chamamos de Temperatura de Cor ou comprimento de onda.

Fotografando com o Flash

Com o avanço das câmeras, muitos fotógrafos preferem realizar fotos em modo automático, isto é, deixar que a câmera fotográfica faça todos os ajustes necessários automaticamente e sem a interferência do fotógrafo. Porém, há aqueles que ainda preferem realizar o trabalho fotográfico em modo manual, onde o mergulhador realiza todo o ajuste.

Em termos de flash, há alguns pontos importantes para se obter um bom trabalho. Alguns modelos trabalham em manual, automático e no chamado TTL, sendo este último, dotado de um sensor no interior da câmera fotográfica, onde são realizadas medições da luz que será refletida no filme. Além disso, os flashs podem ser dedicados ou não-dedicados. Os dedicados são aqueles que recebem informações a câmera, e também transmitem dados para ela, havendo um sincronismo entre ambos.

Quando utilizamos o flash, trabalhamos em cima do GN ou “Número Guia” (Guide Number). Para se determinar a sensibilidade a ser utilizada, faça a divisão entre o número F máximo de seu flash (32) pela distância em metros entre o flash e o objeto a ser fotografado.

Exemplo: Se o objeto está a 2m do flash, então o número guia será a divisão do F máximo que é 32 por 2. O resultado será um F16 de abertura do diafragma. Mas lembre-se que estamos falando em metros. Para cálculos em pés (ft), você irá dividir por 3.3. O mais importante, é que o mergulhador tenha em mente, o número guia de seu flash.

Um flash F8 é um flash F8 para condições perfeitas. Sempre tenha em mente as seguintes considerações:

  • Um objeto pode refletir mais ou menos, e com isso, você precisará ajustar o F conforme o objeto a ser fotografado. Fotografar uma barracuda requer um F16, devido ao brilho que será emitido em direção ao flash e câmera. Se fotografar um cirurgião, por ser mais escuro, a câmera irá requerer maior sensibilidade, logo, você precisará diminuir o número F;
  • Quanto à sensibilidade do filme na câmera, um flash F11 com filme ASA 100, passa a ser um F16 com filme ASA 200, saltando assim, um diafragma;
  • Distância de um flash F8 para a distância de 1 metro, passa a ser um flash F4 para distância de dois metros, saltando 2 diafragmas;
  • Ângulo utilizado: Um flash F8 sem difusor, passará a ser um flash 5.6 com difusor, saltando 1 diafragma;
  • Potência utilizada: Um flash F8 descarregado e estando em meia potência, passará a ser um flash 5.6, saltando assim, 1 diafragma.

Número F, é a razão entre a distância focal da objetiva e o diâmetro do diafragma, bem como a quantidade de luz que atinge o filme, é proporcional a área do diafragma, e também, proporcional ao inverso do quadrado do valor F. Por isso, a escala do valor F cresce por um fator V¯2 (F11 = F8 x V¯2 ). Assim, F8 representa o dobro a exposição de F11, ou qualquer pulo de apenas um valor F, representa o dobro da exposição.

Ao passar de um filme ASA 100 para um filme de ASA 200, dobra-se a exposição, bastando regular a máquina de F8 para F11, por exemplo.

Quanto às distâncias, devemos considerar que a luz do flash se propaga num cone de dispersão, e que a quantidade de luz que um objeto recebe é inversamente proporcional à área desse círculo. Esta é proporcional ao quadrado do raio, que por sua vez, é diretamente proporcional à distância.

Devemos ter atenção especial aos flashes com regulagem manual. Ao fotografar um ambiente utilizando dois flashes, devemos notar a distância dos objetos ao redor. Imagine que você possua um flash de cada lado de sua câmera, onde cada um deles está virado para pontos diferentes do ambiente. Você sempre deverá regular o número F de cada um deles de acordo com a iluminação dos pontos a serem iluminados. Isto é, se um flash ilumina uma parte do ambiente onde há mais luz, eles necessitará de menos potência que o outro.

Flash Slave (Escravo ou secundário)

Alguns tipos de flashes podem disparar sozinhos quando utilizados em conjunto com o flash principal. Os flashes Slave podem ou não estarem conectados à câmera, pois você pode estar fotografando com um flash slave com célula fotoelétrica capaz de captar a luz emitida pelo flash principal. Normalmente isto ajuda em fotos tiradas em grandes ambientes fechados, como no interior de cavernas e naufrágios, pois outro mergulhador poderá segurá-lo à distância do fotógrafo, sem haver a necessidade de uma conexão por cabos, fazendo com que o ambiente tenha seja mais iluminado para a foto.

Um detalhe importante, é que o fotógrafo deve estar atento à claridade da água, uma vez que, para um funcionamento perfeito do flash slave, é preciso ter certeza de que a luz emitida pelo flash principal será captada pelo flash slave, e não se diluindo devido a uma baixa visibilidade.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.