A maldição das estátuas do Príncipe das Astúrias

Já vamos para quase um século da maior tragédia dos mares no Brasil, onde morreram 477 pessoas oficialmente, chegando a mais de 1000, devido aos alemães clandestinos que fugiam da recessão da primeira guerra.

Durante minhas pesquisas, encontrei um fato pitoresco que passo a narrar: A Maldição das Estátuas. 

Existe a lenda que o Príncipe de Astúrias estava amaldiçoado, pois trazia em sua carga 20 estátuas de bronze (tamanho natural) encomendadas pela Colônia Espanhola de Buenos Aires em 1908, e que iriam fazer parte do Monumento La Carta Magna y Las Cuatro Reginones Argentinas, hoje, conhecido monumento de Los Espanoles (Palermo / Argentina) em comemoração ao centenário da Independência da Argentina ocorrida em 1810. 

Em todos esses anos, algumas mortes foram registradas a quem ousou mergulhar com a finalidade de resgatar essas estátuas, sendo que oficialmente, somente uma delas fora resgatada e encontra-se exposta no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro. Todas as outras dezenove estátuas desapareceram do naufrágio e teriam um valor no mercado em torno dos U$ 400.000 cada. Ainda hoje, conseguir mergulhar no Príncipe de Astúrias é considerado um risco de vida, principalmente pelos mistérios sobrenaturais que o envolve. 

Os episódios envolvendo as estátuas 

Em 1909 o escultor responsável (Augustín Queirol) pela encomenda morreu inesperadamente quando moldava as estátuas. 

Enquanto isso, o monumento que estava sendo construído na Argentina, desmoronou devido a fortes chuvas que ocorreram na época. 

Em 1911 o escultor substituto (Cipriano Folgueiras) para finalizar o trabalho também morreu subitamente. 

Somente em 1916, ou seja, passados seis anos após a comemoração do centenário de Independência da Argentina, que as estátuas ficaram prontas e foram embarcadas no Príncipe de Astúrias, quando seriam recebidas com grande Principe-Asturias-Estatua2festa organizada pelo Governo Argentino. Porém, o inesperado ocorreu: o Naufrágio, levando às profundezas do oceano, as vinte estátuas, assim como o responsável (Mas y Pi) pelo transporte das mesmas.

Réplicas foram encomendadas pela Comunidade Espanhola na Argentina que somente chegaram ao seu destino em 1919, porém devido a altas taxas de impostos aduaneiros, as mesmas ficaram retidas por mais três anos. 

Quando toda a parte burocrática foi resolvida e a valiosa carga liberada, descobriu-se que várias estátuas haviam se quebrado inexplicavelmente. Na época, as autoridades resolveram inaugurar o monumento somente com as estátuas intactas assim como hoje podemos apreciá-lo. 

Devido a complicações na conclusão da obra do monumento, somente em 1927 o monumento pode efetivamente ser inaugurado, mesmo incompleto diante do projeto iniciado 19 anos atrás. 

Como disse, diversos acidentes inexplicáveis ocorreram de lá para cá, alguns ocasionando mortes. Portanto, não querendo ser pragmático, por via de dúvidas, é melhor mergulhar lá com a intenção de somente observar, afinal de contas, em tese, ainda há 19 estátuas estimadas em U$ 7.600.000 que estão sobre a custódia de quem foi responsável por entregá-las ao povo argentino… 

Em 16 de maio de 2009, o CIMA “Tec” Dive Tur estará organizando uma visita a este magnífico naufrágio. Se você não é supersticioso (a) e está apto(a) a mergulhar lá, entre em contato.

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Paulo Dias
Paulo Dias mergulha a mais de 20 anos, é Instrutor Silver PDIC (#11332) e Isntrutor PADI #1569264, formando um número superior a 500 mergulhadores. Foi o primeiro mergulhador a utilizar Trimix no mergulho recreativo e sua escola foi a primeira a trabalhar com Nitrox e Trimix no Brasil. Possui também certificação TDI como Advanced Nitrox Diver e Extended Range Diver. Tem como hobby, a pesquisa de naufrágios e a prática de hipismo. É integrante do grupo Wreckfinder, grupo voltado a pesquisa e busca de naufrágios na costa brasileira.