Mapa submarino e GPS para mergulhadores – Verdades e mentiras

Alguns dias atrás saiu novamente em um fórum de discussões, um e-mail com o anúncio de um equipamento que tem como objetivo, informar a localização do mergulhador durante o mergulho.

Este é sem dúvida, um sonho de todo mergulhador, pois ter a informação de onde se encontra, evitaria as chances de se distanciar da embarcação e ter que nadar durante um bom tempo até a mesma.

Tentando vender essa idéia, a empresa SHB Instruments lançou o Navimate, e denominado por eles, como sendo o GPS para mergulhadores.

O sistema funciona da seguinte forma, o mergulhador desce com um equipamento bem parecido como um computador de mergulho, onde os dados referentes ao seu posicionamento são informados. Para a obtenção desses dados quanto à sua localização, um receptor de dados satelitais, também chamado “GPS”, estará localizado na embarcação de mergulho ou em uma bóia “fora d´água”, que por sua vez, transmite via ondas de baixa frequência ou doppler, as informações fornecidas pelos satélites para o equipamento no pulso do mergulhador.

Infelizmente ainda não existem equipamentos com a capacidade de obtenção de dados providos pelos satélites e todo e qualquer equipamento que forneça os dados embaixo d´água, necessitará de um receptor de dados fora d´água. Isso porque a água interfere diretamente na condução da frequência.

O equipamento acima tem um custo aproximado de U$ 1.000 nos Estados Unidos, sendo um brinquedo bem caro para ser usado pelos mergulhadores. Além disso, como o próprio fabricante informa, ele não irá dar as informações precisas, pois as condições meteorológicas, condições de mar e até salinidade da água, certamente irão influenciar na precisão quanto ao posicionamento do mergulhador, podendo variar entre 3 e uns 15m facilmente. Em água escura, isso fará diferença.

Recentemente a Mares lançou um computador de mergulho que permite o download de mapas do fundo submarino, para que de alguma forma, possa ajudar ao mergulhador na orientação embaixo d´água. Acredito que além de ser um pouco mais em conta, têm mais chances de ajudar ao mergulhador. Resta saber se haverão mapas do fundo marinho brasileiro…

Existe no mercado alguns indicadores de direção, para orientar o mergulhador onde está o local do início do mergulho. O equipamento é dividido em transmissor e receptor, ficando o transmissor no barco e o receptor com o mergulhador. Através de um pequeno display LCD, o mergulhador obtêm a direção e distância aproximada de onde se encontra o transmissor.

Esses equipamentos são caros, algo em torno dos U$ 450 nos Estados Unidos, e acredito que esse foi um dos principais motivos quanto o baixo número de vendas. No Brasil, só conheço uma pessoa que adquiriu esses aparelhos.

Há também o Diver Alerting Unit que com o Crewguard MKII da Sea Marshall, permitem a equipe embarcada saber em que direção o mergulhador se encontra fora da superfície, mas como os demais, com um preço bem salgado para o que é.

Google e seus mapas submarinos

Há quem diga que o Google conseguiu mapear todo o fundo submarino do planeta, usado imagens dos satélites.

Isso não é verdade, e hoje pelo que se sabe, ainda não é possível de ser feito.

As imagens submarinas fornecidas pelo Google são na verdade, dados interpretados por computadores, baseando-se nas variações das leituras do campo magnético da Terra. Com esses dados e um algoritmo complexo, é possível delinear o leito marinho e ter uma idéia de como é o fundo dos oceanos, mas longe de terem precisão. É só realmente para se ter uma idéia de como é o fundo.

Atualmente a melhor forma de imagem submarina é através do Laser Scan, tecnologia que conheci nos Estados Unidos em 2002, durante um trabalho de scan do leito marinho da Flórida. Através do laser scan, é possível obter um mapa em 3D do fundo marinho e com alto grau de detalhes, mas dois fatores prejudicam a execução desse processo em todo mundo: O limite de varredura quanto a profundidade (90m) e o alto custo para a execução do processo.

Conclusão

Infelizmente ainda não se têm uma tecnologia viável para a orientação subaquática.

Existem alguns equipamentos, mas nada ainda que repassa os dados com precisão quanto ao posicionamento do mergulhador.

Caso encontre um equipamento, estude-o bastante antes de adquiri-lo, pois você pode estar levando gato por lebre.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.