Matança criminosa dos meros nos naufrágios em Pernambuco

Mero arpoado no naufrágio em Pernambuco - Foto: Max Glegiston

Recentemente recebemos algumas denúncias de mergulhadores informando que praticantes de caça submarina estão visitando os naufrágios de Recife e Porto de Galinhas / Serrambi, e caçando o que encontram pela frente, e principalmente, meros.

No último dia 8 de fevereiro, um grupo de mergulhadores da operadora Abissal Mergulho de Serrambi, esteve no naufrágio Marte e encontraram um mero arpoado sob condições precárias. O animal estava em um canto, no interior do naufrágio, totalmente imóvel, apesar de vivo.

O instrutor e mergulhador Marcelo Gesteira, conseguiu cortar o cabo de nylon e removeu o arpão, na tentativa de dar sobrevida ao mero, que se deitou logo depois no fundo e quieto.

Registros de um terror

A ação foi registrada pelo fotógrafo Max Glegiston e as imagens foram enviadas para um biólogo marinho, que nos informou posteriormente que as feridas no animal foram graves, mas existe certa possibilidade dele conseguir sobreviver.

 

 
Segundo outro mergulhador de Recife, pescadores e praticantes de caça andam parando acima dos naufrágios de Recife e fazendo a limpa. Diversas denúncias teriam sido feitas as autoridades competentes e infelizmente nenhuma fiscalização acontece ou é avistada.

Recentemente um grupo de mergulhadores estive no naufrágio Vapor de Baixo, e avistaram o mero que vivia ali e, duas semanas depois, o mero já não se encontrava mais no local. Posteriormente tomaram conhecimento que ele teria sido caçado.

Pescadores contam que os meros capturados nos naufrágios pelos caçadores, estão sendo arpoados e sendo cortados em filés ainda na embarcação, para obstruir a prova do crime.

Registros fotográficos feitos com intuito de comprovar a presença de embarcações com caçadores parados acima dos naufrágios, mas infelizmente não surtiram efeito junto aos autoridades competentes.

Nossa equipe tentou entrar em contato com o IBAMA na tentativa de saber que providências estão sendo feitas, principalmente no que diz respeito à pesca ilegal dos meros nos naufrágios, e não obteve retorno.

Duas semanas após o registro no naufrágio Vapor de Baixo, o mero foi caçado – Foto: RH

Proibição

Os meros são vulneráveis à pesca, possui taxa de crescimento lento e é uma espécie ameaçada, tanto, que ela recebeu atenção de pesquisadores em razão do seu status de conservação, classificado como criticamente ameaçado (IUCN, 2006).

Em 2002 essa espécie recebeu a proteção de uma moratória específica no Brasil (IBAMA, portaria nº 121 de 20/09/2002), se tornando a primeira espécie de peixe marinho a receber uma portaria específica que estabeleceu a moratória da pesca pelo período de 5 anos.

Posteriormente a portaria 42/2007 do IBAMA prorrogou por mais cinco anos a proibição da captura do Mero, e depois, a Portaria Interministerial nº 13, de autoria dos Ministérios da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente ampliou a proibição por mais 8 anos, ficando a proibida pesca do animal até o ano de 2023.

A captura do mero só é permitida para fins de pesquisa científica, desde que devidamente autorizada pelo órgão ambiental competente.

Os infratores estarão sujeitos à detenção de 1 a 3 anos, multa, ou ambas as penas cumulativas (Lei nº 9.605 de 12/02/98 e Decreto nº 6.514 de 22/07/08).

As embarcações, pescadores profissionais ou amadores, e indústrias de pesca, que atuarem em desacordo com as medidas estabelecidas nessa norma, terão cancelados seus cadastros, autorizações, inscrições, licenças, permissões ou registros da atividade pesqueira.

Apesar de toda legislação em vigor, resta saber se o afundamento de navios na costa pernambucana vai atrair não só mergulhadores, como também, praticantes da caça ilegal, devido à ausência de fiscalização e falta de comprometimento das autoridade responsáveis.

Redação

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