Mergulhadores descem 41m para “pescar” objeto intruso em Itaipu

A rápida intervenção do pessoal das Divisões Mecânicas da Superintendência de Manutenção (SMIM, SMMU e SMMA) e a perícia de mergulhadores especializados em trabalhos subaquáticos em usinas hidrelétricas eliminaram um “intruso” na tomada d’água da Unidade Geradora 3. Uma barra metálica de quase um metro de comprimento impedia, até a manhã desta segunda-feira, a vedação da comporta de manutenção – fundamental para o esvaziamento e a manutenção da Unidade.

Mergulhadores desceram 41,30 metros de profundidade para identificar e retirar o objeto causador do vazamento. Com isso, o fluxo d’água foi totalmente bloqueado, dando condição para a entrada de técnicos autorizados a fazer a manutenção na máquina, que ainda deve ficar parada por cerca de 12 dias. O vazamento foi verificado na semana passada, durante a a inspeção quadrienal da unidade, e exigia a interferência de uma empresa especializada em serviços subaquáticos.

Segundo Carlos Alberto Lima da Silva (à direita), gerente da SMIM, toda vez que uma unidade pára para inspeção, duas comportas (a de serviço e a de manutenção) descem na tomada d’água, primeiro uma, depois outra, deixando um vão entre elas.

“Com uma válvula, nós esvaziamos esse vão, que fica seco, e aí podemos abrir a comporta de serviço, liberando o local para o trabalho de manutenção”, explica o gerente. “Na Unidade 3, ao abrir a válvula após a colocação das comportas, o operador verificou que não houve a vedação. Ou seja, estava vazando água”, ressalta.

De acordo com Silva, sem a vedação correta a manutenção não poderia ser realizada. “Sem vedar, não podemos drenar a Unidade para que o pessoal possa realizar os serviços no seu interior”, afirma. “Tendo em vista que a unidade já estava parada para manutenção, decidimos tirar a dúvida do que estava lá embaixo e esse peso das nossas costas”, diz. A peça intrometida estava entre a soleira (uma chapa de aço) e a comporta de manutenção, que tem uma borracha na sua parte inferior que se encaixa na soleira e veda a passagem de água – o que não acontecia por causa da obstrução.

Trabalho submerso exige muito preparo

“Não foi difícil”, disse Beraldo da Silva, o mergulhador que encontrou e retirou a barra de ferro que não permitia a vedação entre a comporta e a soleira. Ele caracterizou o trabalho como “normal e tranquilo”. Silva é funcionário da Ilha Sub – Atividades Subaquática, de Ilha Solteira (SP), a empresa contratada para fazer o serviço na tomada d’água da máquina 3.

A Ilha Sub, especializada em serviços para usinas hidrelétricas, mandou para a Itaipu quatro mergulhadores, um supervisor e um motorista para transportar todo o equipamento necessário. Juvenal Teixeira de Freitas, o supervisor dos mergulhadores, deixa claro: a tarefa só é “fácil” para quem está devidamente preparado para ela.

“Todo o pessoal é bem treinado, segue rigorosamente as normas de segurança e é altamente preparado para serviços subaquáticos, como filmagens, limpezas de grades, inspeção em vertedouros e soldas”, explica.

Origem incerta

À medida que o mergulhador subia com o objeto causador do transtorno na unidade 3, uma interrogação se formava na cabeça dos técnicos que acompanhavam o trabalho.

De onde ele teria surgido ?

“Em 26 anos aqui, nunca vi algo parecido na tomada d’água”, diz Vicente de Paula Sales Dias, gerente da Divisão de Manutenção Mecânica de Serviços Auxiliares (SMMA). A origem do objeto ainda é incerta, mas, segundo Vicente, ele dificilmente veio de fora da usina. “Mas, por enquanto, ainda não temos ideia do que possa ser”, ressalta.

Créditos: Artigo publicado no Jornal de Itaipu Eletrônico (JIE)

Colaboração: Auder M. V. Lisboa e Stevan P. Batisteti

Redação

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