Mergulhando em naufrágios saindo de praia

A cidade de Salvador se localiza na margem norte da Baía de Todos os Santos, um excelente porto natural que desde o início da colonização, manteve um tráfego intenso de navios mercantes.

Para proteger a capital baiana, uma grande quantidade de fortificações imponentes foram construídas ao longo de cinco séculos, dentre elas, o Forte de Santo Antônio da Barra, que se destaca, pois abriga o famoso Farol da Barra, cujo início da construção se deu em 1696 e continua em operação até a atualidade, sendo uma das principais referências para os navegantes.

Também no forte, funciona o Museu Náutico da Bahia onde é possível encontrar em seu acervo com réplicas em miniaturas de várias embarcações e artefatos recuperados do Galeão Sacramento, naufragado em 1668 durante uma tempestade.

Ao largo da capital e dentro da baía estão os restos de dezenas de outros naufrágios ocorridos em diferentes épocas e que hoje, são frequentemente visitados por mergulhadores, como o Cavo Artemidi (1980) e o Utrecht (1648).

Há cerca de dez operadoras, que disponibilizam uma estrutura confortável para receber os interessados no turismo subaquático em águas soteropolitanas.

Essa estrutura proporciona, por exemplo, a opção de mergulhar em naufrágios, saindo da praia ou embarcado, como é o caso do Black Adder é um veleiro de três mastros fabricado na Inglaterra, e que veio a naufragar em 1905 quando se soltou das amarras durante uma tempestade e se chocou contra os arrecifes à 100m da Praia de Boa Viagem.

Ele pode ser visitado saindo da praia na maré cheia quando é possível atravessar os arrecifes passando por um belo jardim de ouriços no caminho e iniciar o mergulho pela popa.

Além da viagem ao passado, também nos deparamos com cavalos-marinhos, peixes-morcego, peixes-pedra e aranhas-do-mar à vontade. Sair pela praia é uma ótima opção para aqueles que normalmente enjoam no mar.

O mergulho embarcado neste naufrágio saindo do Porto da Barra, possui a vantagem de fazer um belo passeio pela baía até chegar ao local onde estão os destroços do antigo veleiro.

Uma boa opção é iniciar o mergulho pela proa, seguindo em direção a popa por estibordo, e retornar por bombordo.

Apesar da baixa visibilidade, a profundidade máxima gira em torno dos 12m e a temperatura da água nos permite um agradável tempo de fundo.

Agradecimentos: Jorge, escola e operadora Águas Abertas Gianpaolo, Dive Bahia.

Marcus Davis Andrade Braga
Formado em publicidade e propaganda pela FIC. Mergulha há mais de 15 anos, é instrutor de mergulho pela PADI #196258, instrutor de primeiros socorros pela EFR e supervisor de mergulho formado pelo Corpo de Bombeiros do Ceará, instituição para qual presta consultoria. Fotógrafo e pesquisador de naufrágios, já participou de diversas matérias e programas de televisão relacionados a mergulho. É coordenador do Clube de Mergulho do Mar do Ceará, grupo envolvido no desenvolvimento da prática de mergulho autônomo, na preservação ambiental e na pesquisa e localização de naufrágios no estado.