Mergulhando na Islândia

Silfra Cathedral - Foto: Charles Hood

O famoso mergulho de Silfra, na Islândia, um mergulho único e uma experiência ímpar, está localizado no Parque Nacional Þingvellir (se pronuncia Thingvellir), a cerca de 60Km – 1h de Reykjavik, capital da Islândia.

O Canyon de Silfra possui três seções – Silfra Municipal, a Catedral de Silfra e Lagoa de Silfra.

Silfra é apenas uma das muitas fissuras do vale, e é conhecido como um dos melhores mergulhos de água doce do mundo.

Foto: Denize Serafim
Foto: Denize Serafim

A água de Silfra é oriunda do segundo maior glaciar das Islândia –  Langjökull, que data de mais de 1000 anos e está localizado a cerca de 50 km do Lago Thingvellir.

São duas as razões para esta água ter uma clareza tão espantosa: a água é muito fria (2 a 4°C durante todo o ano), e a filtragem através de lava subterrânea porosa durante um período de 30-100 anos, até que alcança o Lago de Thingvellir através do escoamento dos poços subterrâneos.

O processo de filtragem natural faz com que a água de Silfra seja a mais pura que possa existir, e totalmente potável. Isto proporciona também a visibilidade inacreditável, em torno de 100 a 150m.

Em primeiro lugar, Silfra é realmente uma rachadura entre os continentes da América do Norte e da Europa (Eurásia), e ali, as placas continentais se separam cerca de 2 a 2,5cm por ano. Existem previsões que no futuro a Islândia será dividida por esta fissura, inclusive.

O mundo subaquático da Islândia é único, e assim como toda a ilha, é formado por paisagens vulcânicas. A parte submersa do Parque de Thingvellir é cheia de vales e falhas formadas pelo afastamento entre as duas placas tectônicas.

A água é tão transparente em Silfra que alguns mergulhadores chegam a sentir vertigem ao passarem pela região entre as placas, tendo a sensação de estarem voando literalmente. O silfra3fundo é de areia muito fina, e é de extrema importância uma boa flutuação durante o mergulho.

Também é possível fazer snorkeling na fissura de Silfra, e é uma boa oportunidade para experimentar um pouco das belezas deste lugar, mas é necessário no mínimo habilidades de natação para fazer este passeio.

Tanto para o passeio de snorkel quanto para o mergulho, utilizamos a roupa seca (Dry Suit), com o uso de roupas térmicas por baixo (undergarment) para manter o mergulhador seco e “aquecido” (na medida do possível).

Não é necessário ter experiência no uso de roupa seca principalmente para o snorkelling, pois os guias de mergulho das operadoras locais fornecem um treinamento rápido para uso do equipamento.

Para quem sabe o que é usar uma roupa seca para mergulho autônomo, ou pelo menos já presenciou alguém utilizando, vai entender que quanto mais familiarizado com o equipamento melhor. No meu caso, como não tinha experiência com a Roupa Seca, e fiz um treinamento em piscina antes de sair do Brasil, pelo menos para me familiarizar com o equipamento, o que foi de bastante valia.

As operadoras na Islândia fornecem todo o equipamento utilizado durante o mergulho, roupa seca, undergarment, nadadeiras, capuz e luvas. As roupas utilizadas são com botas acopladas, e desde que utilizadas de maneira correta, fornecem conforto e aquecimento para o mergulhador.

silfra4
Denize tocando nas placas da América e da Europa

Quanto às partes do rosto que não são cobertas pelo capuz ou pela máscara, ficarão em contato com a água, a qual sentirá os efeitos de uma água a 2°C, ou seja, praticamente congelante. As mãos também são afetadas, pois a luva utilizada é molhada, deixando com que a água fria tenha contato durante o mergulho.

Qual a sensação ?

A entrada na água é feita por uma escada em uma plataforma posicionada na fenda, e a roupa protege a maior parte do corpo, sendo que a baixa temperatura não é tão sentida.

No rosto, a sensação de um formigamento na pele, um leve entorpecimento, mas que depois de uns dois minutos diminuem e fica bem suportável. Nas mãos, à medida que a água vai inundando as luvas, a situação se complica um pouco. Após 30 minutos de mergulho, fica difícil saber que elas ainda estão ali. Como as luvas não são de 5 dedos (somente o dedo polegar é separado), fica difícil coordenar os movimentos, e à medida que as mãos vão “congelando” mais complicado ainda.

Uma dica para amenizar esta sensação: no início do mergulho encher as luvas com água quente e colocar um tipo de contenção no punho para deixar sair a menor quantidade de água quente possível, e com isso amenizar a sensação de congelamento à medida que a água fria entra na luva, e o tempo de mergulho vai passando.

Os mergulhos têm duração de 30 a 45min, e a profundidade média é de 6 a 15m, chegando em alguns pontos muito próximo à superfície. Existem algumas passagens do trajeto em que se pode descer mais profundo, mas normalmente a profundidade para estes mergulhos não excede os 20m.

E a vida ?

Embora o Lago de Thingvellir tenha várias espécies de peixes, e principalmente a pesca de trutas seja muito popular no lago, na Fissura de Silfra não se costumam ver peixes, mas sim alguns tipos de algas que fornecem uma coloração diferente à água.

Mesmo com o céu um pouco nublado, a fenda produz um rico colorido azul escuro e pode-se enxergar claramente por centenas de metros quando se flutua com a corrente. O lugar é belíssimo.

Os preços variam entre US$ 150 para snorkelling até US$ 350 para mergulho autônomo com duas imersões, considerando todo equipamento necessário e guia de mergulho, incluindo o translado de Reykjavik até o Parque, sendo bom reservar com antecedência, pois a procura é grande.

O Parque Thingvellir Nacional foi declarado Patrimônio Mundial da UNESCO, tanto pelo seu significado cultural e histórico, bem como pela sua singular natureza.

Silfra foi eleita pela National Geographic uma das 20 aventuras mais extremas do planeta.

silfra5

Uma experiência única e imperdível, afinal um lugar único no mundo. Sensação de integração total à natureza e à história de milhões de anos.

Operadora

O site da operadora é este: www.dive.is

Denize Serafim

Nascida em Porto Feliz-SP, reside em São Paulo. Formada em Administração e Análise de Sistemas, é mergulhadora pela PADI desde 1999, e instrutora de mergulho desde 2006, e fotógrafa subaquática e de natureza.