Mergulhando na Represa de Paraibuna

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Foto: Renata Linger

No último final de semana mais um pico de Mergulho Técnico foi retomado. Um ponto de águas profundas, límpidas, correntes e com ótima estrutura e localização, fatores preponderantes para a atividade. A “Represa de Paraibuna” há muitos anos esquecida, irá despontar de agora em diante como o mais novo local para a prática do mergulho técnico, em todas suas variáveis de dificuldade.

A equipe esteve explorando o local de mergulho durante todo o final de semana, comprovando a qualificação operacional do local.

O deslocamento da capital paulista até o ponto de mergulho são de 110 km feitos em não mais que 60 minutos, pela Rodovia Ayrton Senna. Da entrada para Caraguatatuba, são rodados mais 20 km até o “Clube Náutico”, localizado em uma entrada a esquerda, sentido SP-Caraguá, sobre a primeira ponte que atravessa a represa. Desta entrada em diante são mais 5km de estrada de terra batida, sem buracos, de fácil locomoção mesmo para carros pequenos e carregados.

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Foto: Renata Linger

No local da operação, há uma base para esportes náuticos onde encontramos uma grande área totalmente gramada e arborizada, com visual de clube de campo. Uma barraca com bebidas e um bom pastel, da suporte ao local das 8 às 17hs, contando inclusive com um pequeno banheiro.

O espaço para o estacionamento dos veículos é grande e seguro, formado por uma grande área à margem da represa. Para acesso à água, uma plataforma de concreto, facilita o processo de montagem e preparação dos equipamentos, tendo em vista que a mesma se estende até 5m na água, a uma profundidade de 2m.

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Foto: Renata Linger

O local, pouco frequentado, é movimentado pela balsa que opera no local, e a exemplo deste final de semana foi dominado pela nossa equipe e por um pequeno grupo de praticantes de vela. O espaço é limpo e transmite conforto e segurança, sobre tudo para os acompanhantes dos mergulhadores. A temperatura no local, tendo em vista a época do ano é amena, e chegou aos 24º, com sol e uma ótima brisa.

Um dos grandes diferenciais do local em detrimento aos outros pontos de água doce em SP, é literalmente seu visual.

A dimensão da represa é impressionante, e serão necessários muitos mergulhos para identificar todos seus picos de profundidade, que chegam aos 110m. A extensão de água está distribuída por um espaço equivalente a 20 campos de futebol, e como característica topográfica, apresenta uma vala, onde originalmente corria uma estrada de terra, de forma paralela a parede da barragem. É em torno desta vala que estão localizadas as grandes profundidades.

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Foto: Renata Linger

Neste final de semana, realizamos um mergulho de exploração aos 52m, com 20 minutos de fundo. Do acesso a água, no início da rampa de concreto ao ponto de descida, é necessário percorrer uma distância de 500 m pela superfície, com um pouco de vento, sem grandes dificuldades para a natação. Neste ponto, já com bóia fixada e o cabo lastreado, a mais de 60m, iniciamos a descida.

A temperatura na superfície da água registrava 21ºC. A visibilidade inicial não ultrapassa um metro, com um efeito visual leitoso, onde a partir dos 5m torna-se negro até os 40m. Desta marcação em diante, a visibilidade sobe para os 6m, facilitando a execução do mergulho e ampliando a zona de conforto.

A temperatura da água registrava os 17ºC, operacionalmente favorável com uma roupa seca, mas totalmente viável para um mergulho com semi-seca.

Aos 52m amarramos a carretilha no cabo e fomos paralelamente por aproximadamente 18 minutos em pernadas vigorosas. A nossa navegação foi pequena perto da dimensão do local, que daquele ponto em diversas direções, abre uma série de rotas de navegação, todas a mais de 60m. Não localizamos paredão, tampouco os limites da vala, fato que comprova as dimensões gigantescas do local.

Outro fator importante é a completa ausência de pontos de enrosco, plantas ou troncos flutuando.

Com uma subida tranquila e um mergulho executado estritamente dentro do planejado, chegamos à superfície, muito motivados com o que encontramos. Um ponto com diversidade em profundidades, temperatura agradável e boa visibilidade. O retorno a plataforma é algo especial, sobre tudo, pela condição climática do local e pela sensação inusitada que desperta quando subimos de um mergulho em um ponto de água doce visualmente análogo a uma subida de mar.

A distância da margem e a formação da região, sem muito esforço nos remete a um mergulho em Ubatuba.

Paraibuna3De volta a São Paulo, a operação toda levou aproximadamente 12 horas, desde o nosso encontro às 6:30 e retorno às 17 horas, com direito as paradas para café da manhã e almoço. A viabilização deste mergulho definitivamente foi um sucesso.

Eduardo Sosa
Eduardo Sosa nascido em Rivera - Uruguai, residindo em São Paulo, é formado em Administração de Empresas, com Pós Graduação e MBA em Finanças pelo IBMEC. No mercado financeiro há mais de 20 anos, já atuou em diversos bancos, focado sempre no segmento de Produtos. No mergulho, além de possuir diversas especialidades, é instrutor pela PADI (#190329), Normox Trimix Diver pela IANTD e Full Cave Diver pela NACD.