Mergulho de Segurança Pública – Mergulho Policial – COE

Policiais do COE atuam em operações especiais na terra e na água.

Existem atividades de mergulho pouco conhecidas pela população em geral, ou mesmo do meio de mergulho, e uma delas é o Mergulho de Segurança Pública.

Esse tipo de mergulho é realizado por policiais, bombeiros, peritos e agentes que trabalham diretamente na área de Segurança Pública, devendo estes, possuírem treinamento de mergulho específico para seu tipo de atividade, como o resgate de afogados para bombeiros; varreduras antibombas, localização de drogas para policiais; foto sub, preservação de provas submersas para peritos, e assim por diante de acordo com sua atividade.

No Brasil já existem vários mergulhadores PSD’s (Public Safety Diver) certificados no formato americano, apesar de ainda estarmos evoluindo nesta atividade.

COE – Comandos e Operações Especiais

Símbolo do Curso de Operações Especiais do COE

O COE – Comandos e Operações Especiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo, que juntamente com o GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais) fazem parte do Batalhão de Operações Especiais, e foi criado em 1970 para o combate da guerrilha rural no sul do estado.

O símbolo do COE apresenta um crânio estilizado representando o raciocínio. A faca de combate significando segurança e justiça, símbolo máximo das tropas de Comandos. A representação da faca de combate cravada ao crânio simboliza a vitória da vida sobre a morte, aplicação da inteligência, raciocínio e justiça. Completam o desenho duas pistolas bucaneiras cruzadas, símbolo nacional das polícias militares.

Todo o conjunto é suportado por um paraquedas aberto significando a coragem em atividades no ápice das alturas, além de fazer referência a sua própria origem cuja primeira tropa foi formada por policiais militares oriundos da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército Brasileiro.

Ações

O COE participou da operação antissequestro do Avião Electra II, da Varig, em 1972, no aeroporto de Congonhas quando um terrorista tentou sequestrar o avião prefixo PP-VJN. Em uma sucessão de lances rápidos, os militares do COE cercaram a aeronave, adentraram a cabine liberando os reféns. Esta ação foi considerada uma ação de comandos pela 2ª Região Militar do Exército Brasileiro, que concedeu a esta Companhia o título de “Comandos” e COE passou a significar Comandos e Operações Especiais.

Houveram várias outras missões bem-sucedidas como a atuação nos incêndios dos edifícios Andraus e Joelma, recuperação dos corpos da banda Mamonas Assassinas na Serra do Mar, entre muitas outras.

Atualmente o COE tem como missão: “Operações Especiais de polícia em áreas de difícil acesso ou alto risco”. Sendo o mergulho uma destas especialidades.

Mergulhadores e Operações Especiais

Com um time de mergulhadores especialistas em mergulho em águas contaminadas, varreduras de cascos e docas para a localização de drogas, reflutuação de objetos e mergulho técnico usando Trimix, Caverna, Rebreather, entre outros, atua principalmente no combate ao crime organizado, atuando em missões anfíbias para infiltrações e recuperações de objetos de interesse da justiça.

Matérias abordadas no curso PSD

  • Uso de equipamentos de mergulho PSD: full face, sistemas harness, sistema de soltura rápida, bloco de chaveamento de gás redundante, cabos e fonias, cilindro principal e redundante, sistema alternativo de gás;
  • Montagem de time de mergulho e funções dos operadores;
  • Investigação subaquática e procedimentos em locais de operação de mergulho;
  • Coletas e recuperações de provas e evidências de crime em ambiente subaquático e seu correto manuseio para a persecução criminal;
  • Padrões de buscas subaquáticas;
  • Cálculos de gás de operação, consumo de gás do PSD;
  • Treinamentos de enroscos sem visibilidade e resgate de mergulhador;
  • Reflutuação de objetos e veículos, uso de lift bags e cálculo de reflutuação e gás;
  • Recuperações de corpos submersos (a partir de acidentes / suicídios / vítimas de crimes) e packing de cadáver em sistema americano;
  • Operações de busca e salvamento e aplicação da lei marítima;
  • Mergulho em águas contaminadas categorias 4 e 3, uso de full face, descontaminantes e bombas de descontaminação;
  • Criação e gerenciamento de um time PSD, nos padrões americanos FEMA (Federal Emergency Management Agency).

Diversas agências certificam PSD’s, mas dependendo da profundidade do assunto, algumas agências fazem restrições quanto aos alunos e instrutores, podendo somente frequentar os cursos policiais e bombeiros, e em alguns casos, somente policiais explosivistas, como no caso de varreduras antibombas em cascos de navios.

Para se tornar um mergulhador do COE, o policial deve possuir o Curso de Operações Especiais (“ser caveira”) e o Curso de Mergulhador de Segurança Pública – Mergulhador Policial.

O curso de PSD possui duração de duas semanas, para iniciar o curso o policial deve ser mergulhador avançado certificado. Após o curso de PSD, o mergulhador poderá fazer as especialidades de mergulho em águas contaminadas, investigação subaquática, varredura de cascos antibombas e drogas e reflutuação avançada de objetos.

Ronaldo Possato

Capitão da Polícia Militar do Estado de São Paulo – Batalhão de Operações Especiais. Possui diversas certificações como: Instructor Trainer NAPD (National Academy of Police Diving), Instructor Trainer, Técnico e Cave IANTD, Instrutor de Public Safety Diver PADI e ERDI, Master Scuba Diver Trainer PADI, Instrutor CMAS, Instrutor EFR (Emergency First Response) e Instrutor Técnico Tec Rec (Trimix) & Trimix Gas Blender Instructor.