Mergulho na Ilha de São Miguel – Açores

A primeira vez que vi uma divulgação de mergulho nos Açores, foi na Feira Náutica (boot) de Dusseldorf em 2012.

Confesso que não sabia exatamente onde ficava o Arquipélago dos Açores, só sabia que ficava no Oceano Atlântico, mas nunca tinha passado pela cabeça mergulhar por lá.

Conversando com o Carlos (diretor da operadora Espírito Azul, na Ilha de São Miguel), veio a curiosidade.

Em 2013, novamente na feira, encontramos com o Carlos e um gigantesco stand de divulgação de turismo nos Açores, não só da Ilha de São Miguel (a principal do arquipélago), mas de operadores de mergulho de praticamente todas as outras ilhas. Embora a vontade fosse de mergulhar em mais de uma ilha, acabamos por optar somente por São Miguel.

Como viagem para mergulho, agendamos uma semana, calculando cinco dias de mergulho e um dia livre.

De acordo com o pessoal da ilha, a melhor época de mergulho para a visita de mergulhadores, é entre final de setembro e outubro, e agendamos nossa ida exatamente nesse período, ficando agendada a última semana de setembro e primeira de outubro de 2013.

Justamente na semana da nossa viagem, tivemos um contratempo, pois o tempo no arquipélago estava sob a influência de uma tempestade tropical no Atlântico. Ventos, ondulação forte, e aparentemente o mergulho estava comprometido.

Para nossa sorte, A ilha não tem deságue de rios ou grandes corpos hídricos, e nos momentos em que o vento dava uma trégua e permitia a ida aos pontos mais próximos da base, mergulhamos em água com mais de 10m de visibilidade.

A base da operadora Espírito Azul fica no porto da Vila Franca do Campo, aproximadamente 25km da “capital”, Ponta Delgada. Exatamente na frente da Vila, há o Ilhéu da Vila, o local “coringa” de mergulho (onde mergulho é garantido, cursos são finalizados e a vida marinha não desaponta).

Para quem não é muito fã de navegação (como eu, que mareio com facilidade), adorei o fato de prepararmos equipamento e sairmos vestidos já da base. Em cada saída realiza-se apenas um mergulho e o intervalo de superfície é feito em terra. O ponto mais distante foi a 30min de navegação, no naufrágio Dori, onde a visibilidade ultrapassava os 20m, havendo muita vida, fazendo qualquer um voltar para o barco feliz e satisfeito.

Sendo a ilha de origem vulcânica, todos os pontos onde mergulhamos a formação geológica era espetacular. Nos Arcos da Caloura, cerca de 15min de navegação da base, o ponto é cheio de “tocas” de entrada e saída. Próximo da base, há o ponto Âncoras do Ilhéu, um local histórico, onde as caravelas paravam para reabastecimento nos Açores, antes de seguirem viagem ao Brasil.

De acordo com as condições de navegação, a operadora também oferece saídas para o Ilhéu das Formigas e Banco D. João de Castro, distantes 2h de navegação. Nesses pontos, o avistamento de baleias durante o percurso e mergulho com arraias mantas é praticamente certo, e devido às condições de tempo, infelizmente não tivemos a sorte de poder realizar estas saídas.

De cinco dias de mergulho e dez saídas programadas, realizamos sete. Ficamos chateados por Netuno não possibilitar mais mergulhos, porém os sete realizados foram fantásticos.

Toda a equipe da operadora de mergulho era atenciosa e bem preparada. Fomos muito bem recebidos e nossos eventuais “probleminhas” com equipamento prontamente resolvidos. A operação de mergulho foi perfeita, briefing de mergulho completo e muito informativo. Sob o stress de operação de mergulho, pois houve a necessidade de briefing em inglês, português e em francês, além do apoio à um casal de idosos, o staff se manteve prestativo e atencioso todo o tempo.

A temperatura do ar girava em torno dos 18 e 24°C e a temperatura da água entre 21 e 23°C, nada que assuste os mergulhadores acostumados aos mergulhos no eixo Rio-São Paulo.

Como operador na Europa, os cilindros utilizam saída DIN, podendo o mergulhador usar seu regulador Yoke com adaptador. Além disso, os cilindros europeus são fabricados em aço, requerendo mais atenção do mergulhador ao calcular o lastro.

Um grande problema: Mergulho em São Miguel é uma das várias atividades possíveis, e com isso, alugamos um carro para percorrer a ilha e não me lembro de outro lugar onde haja a opção de se comer peixe e carnes.

Os Açores são famosos pela produção de derivados de leite, e as vacas fazem parte da paisagem local. Como ilha é de origem vulcânica, é imperdível uma ida aos banhos férreos de Furnas, com água quente de origem geotérmica e comer o cozido de Furnas, sendo um cozido de carnes e legumes, sendo cozido por 8h numa das caldeiras geotérmicas da região).

Para os fãs de um docinho, bem à frente da entrada da marina em Vila Franca está a fábrica das famosas queijadas da vila (semelhante ao pastel de Belém de Lisboa).

Em São Miguel, além de produção de derivados de leite, existe a produção de abacaxi (conhecido como ananás) e chá, com uma fábrica criada em 1883 e é aberta ao público, estando minimamente modernizada. Na região há até um campo de golfe, para quem se interessar.

Para quem faz questão de ver as baleias, na marina há uma empresa que leva os turistas para passeios de avistamento de baleias (“whale watching”).

Há vôos diários de Lisboa e Porto, e os semanais de algumas outras localidades na Europa, como Frankfurt e Munique. Fomos em um vôo de Dusseldorf – Ponta Delgada, mas esse vôo é sazonal e oferecido apenas no verão.

Para outras ilhas do arquipélago, existe a possibilidade de ir de ferry, barco ou voando.

São Miguel é uma ilha muito bem estruturada para o turismo e optamos por alugar uma casa de temporada, embora a estrutura hoteleira seja muito boa na região. Comemos excelentemente em restaurantes com alta qualidade, com ótimos preços e serviços.

Para quem quer aliar mergulho com um turismo diferente, interessante e com o conforto do nível europeu, São Miguel não decepciona.

Cristina Makino
Natural de São Paulo e instrutora PADI, é formada em Biologia e reside na Alemanha.