Montando um tripé subaquático

Foto: Clécio Mayrink

Durante alguns mergulhos que fiz nas águas quentes e transparentes das Bahamas, tive a oportunidade de encontrar com diversos e minúsculos seres marinhos, que acabaram sendo captados em imagem pela minha câmera nova.

O resultado foi bom, mas poderia ter sido excelente, se na ocasião, estivesse utilizando um tripé.

Por mais que eu no firmasse no solo em meio às rochas, é praticamente impossível ficar estático o suficiente para captar imagens de minúsculos seres sem que haja algum balanço da caixa estanque. No meu caso, pior ainda, em função do tamanho da câmera e tendo que utilizar o zoom.

Por mais que você tente não se mexer, qualquer pequeno volume d´água que passe ao redor, será o suficiente para fazer com que a imagem que está sendo captada ande para os lados, deixando o objeto fora de enquadramento.

Para captar imagens de seres minúsculos, é necessária a utilização do zoom da câmera, e isso piora ainda mais as chances de uma boa captação. Em alguns casos, o ajuste de foco manual será desejável, mas como fazer isso tudo sem que haja movimentos ?

Pensando nisso e pesquisando pela web, cheguei à conclusão de que realmente precisava de um tripé para vídeo sub.

Após diversas mensagens trocadas pelos fóruns nacionais e internacionais, encontrei apenas um modelo de tripé voltado ao vídeo submarino, mas além de caro (U$ 600 nos EUA), o modelo em questão não me atendia, pois o encaixe dele era diferente e incompatível com minha caixa. Com isso, o jeito era construir um.

O Projeto

Depois de alguns estudos, cheguei finalmente ao projeto final e basicamente o material utilizado pode ser facilmente encontrado, sendo o mais complicado, o pedaço de chapa em inox, que poderá ser encontrada em casas de ferro velho, mas requer uma busca e boa andança por aí.

As demais partes são utilizadas pelos fotógrafos submarinos e podem ser facilmente encontradas em lojas que vendam equipamentos para foto e vídeo sub, principalmente no exterior. Infelizmente no Brasil poderá ser complicado achar o modelo de ball joint utilizado aqui.

Tripe-Sub1

Material

  • Chapa em inox para base;
  • Parafusos e porcas com teflon em inox;
  • 3 arms com grande cumprimento que serão utilizados como pés;
  • 3 ball joint clamp – Permitem a fixação dos arms na base;
  • 3 ball joint da Intova modelo BSA – Eles irão permitir a fixação dos arms junto a base onde estará a câmera.

Construção

Tirei as medidas da base da minha caixa e adquiri uma base em inox com as medidas desejadas.

Após isso, foram realizadas as furações para a fixação do ball joint, que logo após, foram fixados com os parafusos e porcas. Neste caso, prefira as porcas com Teflon em seu interior, pois darão maior fixação e diminuem as chances de se soltarem.

Passado pelo processo acima, uma mão de tinta Prime para dar base e receber um acabamento em tinta preta fosca.

Após esse processo, já temos um tripé para vídeo sub, que permitirá posicionar a câmera conforme o relevo submarino. Além disso, este modelo permite o acréscimo de mais arms para o caso de uma filmagem submarina que precise manter a caixa estanque mais alta em relação ao solo marinho.

Mas atenção !

Cada caixa possu uma base diferente, então, antes de iniciar a construção do um tripé, analise como você poderá fixá-lo em sua caixa estanque. Muitas já estão vindo com uma rosca na parte inferior para usar o tripe, o que facilita muito e não irá precicar da chapa em inox, apenas, de um clamp triplo, o que infelizmente nçao foi o meu caso.

Tripe-Sub2

Dicas

– Utilizei arms com 16 polegadas de comprimento. Quando maior, melhor. O maior e mais em conta que encontrei, foi o da Deeproof fabricado na China e comercializado pela Divervision (www.divervision.com). A compra foi feita pela Internet, levando 1 (um) mês para entrega e pagamento do tributo.

– Antes de comprar, faça uma boa pesquisa de preços, pois existem grandes variações quanto aos custos das partes metálicas.

– O clamps, você pode usar de qualquer marca, mas que seja compatível com a dimensão das bolas de junção (ball joint). Estive com vários modelos em mãos e cheguei a conclusão que era tudo igual, porém, com grandes variações de preços. Essa conclusão foi confirmada pelo próprio vendedor de uma renomada loja nos Estados Unidos.

– Tenha muita atenção na furação da chapa em inox, pois a furação em inox é complicada e normalmente requer o uso de equipamentos adequados. Não tente furá-la com uma broca para inox e com uma furadora de mão, pois existe a chance de você se machucar. Use uma furadora de bancada.

Agradecimentos especiais ao André e Marcus da Croma pela a execução o projeto, e ao Márcio Lisa e Carlos Montechi pela atenção e ajuda no desenvolvimento.

Tripe-Sub3

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.